Conta de luz sobe o quádruplo do custo da energia em dez anos; entenda
Estudo mostra encargos indo de R$ 33 bi a R$ 140 bi durante o período
A distribuição desordenada de subsídios e custos adicionais está elevando exponencialmente a conta de luz do brasileiro, mostra estudo de diagnóstico sobre itens que compõem a tarifa ao longo dos anos do Fórum das Associações do Setor Elétrico (Fase). A informação é do jornal Folha de S. Paulo.
Os encargos, pagos pelos consumidores, avançaram 326,5% de 2013 a 2023. Passaram de R$ 32,8 bilhões para R$ 139 bilhões. Isso fez com que a conta de luz para famílias e a maioria das empresas do País aumentasse, na média nacional, 35% no período — quatro vezes mais que o valor da energia, que cresceu 9%.
O pagamento do encargo setorial na conta de luz tem a finalidade de conceder descontos tarifários a determinados grupos de usuários – como pessoas de baixa renda–, custear energia nos sistemas isolados e incentivar fontes de geração, como eólica e solar, além de outros subsídios.
Uma das maiores preocupações do setor, reforçada pelo estudo do Fase, é o encarecimento da tarifa provocado pela CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), onde se consolida boa parte dos encargos. O estudo defende com propostas detalhadas o aprimoramento da gestão e do planejamento setorial.
"A CDE se tornou impagável e causa uma espiral da morte: incentiva o consumidor a sair do ambiente regulado, como quem fica paga uma conta maior, também tenta fugir e, se consegue, deixa a conta maior ainda para quem fica, num movimento sucessivo", afirma Mario Menel, presidente do Fase (Fórum das Associações do Setor Elétrico), à Folha.
Os encargos não são pagos por quem tem autoprodução e micro ou mini geração distribuída, normalmente de painéis solares. O consumidor de baixa renda também é isento. No entanto, o peso recai sobre o mercado regulado ou cativo, onde famílias e a maioria das empresas recebem uma conta de luz fechada.