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Conheça os clubes de investimentos, opção mais barata para investir

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Fábio Bonillo
Direto de São Paulo

Um clube de investimentos pode ser uma opção mais barata do que os fundos ou mesmo investir por conta própria para o poupador aplicar seu dinheiro em ações na bolsa de valores. A principal vantagem do clube é incluir até 150 pessoas com o mesmo perfil de investimento, o que diminui o custo de administração e o diversifica, se comparado a atuar sozinho, ou dá mais autonomia em relação a investir via fundos. "O clube une forças com um objetivo comum, sendo possível comprar um lote maior de ações, por exemplo", afirma o economista da Legan Asset, Fausto Gouveia.

Tela NYSE
Tela NYSE
Foto: Getty Images

Cada corretora ou banco com carteira de investimentos, que será responsável por toda a burocracia, cobra uma taxa de corretagem para o investidor individual, enquanto que no clube é cobrada uma taxa de administração, que pode ser fixa ou um percentual sobre o patrimônio. Além da taxa de administração, os cotistas pagam um tributo cobrado pela bolsa sobre volume negociado de 0,019%, enquanto pessoas físicas pagam 0,0285%.

Para montar um clube com amigos ou colegas de empresa é preciso escrever um estatuto com toda a regulamentação que irá pautar o funcionamento da entidade, como tempo de vida do clube, perfil de investimento e patrimônio inicial mínimo. Depois, é preciso contratar uma corretora para registrar o estatuto na BM&FBovespa, que vai avaliar a validade da criação do clube junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regula o setor no Brasil.

Não existe um patrimônio mínimo para começar um clube. Mas, segundo o consultor da Ágora Corretora Hélio Pio, um montante inicial menor que R$ 200 mil não compensa por causa do peso da taxa de administração: R$ 500 ao mês tirariam do patrimônio R$ 6 mil por ano. "Isso pode comprometer a rentabilidade do clube e frustrar os cotistas", explica.

O clube deve estabelecer cotas de acordo com seu patrimônio. Se três amigos fundam um clube com R$ 100 mil, divididos em 100 cotas, e dois deles entram com R$ 30 mil e um com R$ 40 mil, os dois primeiros terão 30% das cotas, enquanto o último terá 40% (porcentagem máxima de cotas que um participante pode ter). Se mais um membro entrar no clube, com um aporte de R$ 50 mil, por exemplo, as participações mudam proporcionalmente.

O clube deverá ter também um cotista representante, que atuará como gestor. Ele pode ser um cotista comum ou um cotista que tenha autorização da CVM para gerir carteiras. Nesse caso, ele deverá ganhar do próprio clube uma taxa de performance, que geralmente é de 20% do ganho das ações que subirem mais que a rentabilidade do índice Ibovespa, o principal da bolsa paulista.

Cabe ao representante do clube definir em quais ações será aplicado o dinheiro dos cotistas, após receber deles recomendações de aplicações, baseadas no perfil de investimento do clube. Será escolhida a ação que for mais recomendada, de acordo com a maioria de votos dos cotistas, e o representante comunica a decisão à corretora. Além disso, os cotistas também podem se reunir em assembleias para decidir mudanças no estatuto ou no perfil de investimento do grupo.

Prós e contras

De acordo com o gerente comercial da Ágora, o clube de investimentos dá mais poder de decisão e gerenciamento ao investidor, em comparação com um fundo de investimento. "Nos fundos, você não participa da gestão, não é consultado", afirma.

Mas, na opinião do gerente comercial da UM Investimentos, Rafael Giovani, o clube ainda é uma forma pouco autônoma de aplicar na bolsa, mesmo que o método aproxime mais os investidores das operações do que um fundo. "O investidor de um clube não é um investidor direto de ações. É diferente de você comprar uma ação da Petrobras na Bovespa, lá você tem autonomia total, pode arriscar mais em uma ação que acha que vai se valorizar, pode investir na empresa", diz. "Também se adquire mais conhecimento do mercado quando se aplica por conta própria".

"Aos olhos da bolsa, o clube é um instrumento de aprendizagem", diz o sócio-presidente da You Trade, Marcelo Coutinho. Por isso, se o investidor tiver perfil mais ousado, com preferência por operações de risco, pode ficar "engessado". "A ação é um investimento complexo, variável. Se o investidor quer muita facilidade, deve procurar investimentos em renda fixa", afirma Giovani, da UM.

Giovani, gerente da UM, vê como favorável a regra da CVM que determina que todo clube deve ter aplicado em ações, no mínimo, 51% do dinheiro total - os outros 49% podem ser destinados a aplicações em renda fixa e debêntures, por exemplo. "É bom para o investidor moderado, que não quer se expor tanto ao risco", afirma.

Vantagem na tributação

Para o gerente da UM, a única facilidade de investir em um clube ou fundo é a forma de tributação das operações. Quando uma pessoa física opera na bolsa, tem que pagar ao final do mês que obteve lucro 15% sobre esse ganho, enquanto que por meio de um clube essa porcentagem só incide no momento em que retirar dinheiro de circulação.

Por exemplo, o investidor de um clube não precisa pagar imposto de renda quando o clube vende ações e compra outras. Ele só paga ao resgatar a cota que tem no clube. Com fundos de investimentos em ações, acontece o mesmo.

Já uma pessoa física, se obtém lucro com uma ação e resolve vendê-la para aplicar em outra, paga os 15% de imposto de renda à Receita nesta transação.

"Isso não quer dizer que o investidor do clube pague impostos a menos, mas sim que ele pode, por exemplo, acumular os ganhos e reinvestir em ações esse dinheiro que seria retido pela Receita se operasse por conta própria", diz Pio. O clube, enquanto pessoa jurídica, também só paga tributos ao Fisco quando o cotista retira dinheiro da conta.

Pelo clube, o investidor não precisa enviar a Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), como o exigido a pessoas físicas todos os meses, já que a própria corretora cuida de recolher o imposto dos cotistas e enviá-lo à Receita, quando do resgate.

Gouveia, da Legan, afirma que a CVM exerce uma fiscalização severa nos clubes para evitar que profissionais tentem tirar proveito financeiro de um instrumento que, em sua origem, é uma forma amigável de aplicar na bolsa. "Nos fundos", lembra ele, "é preciso pagar outros tipos de taxas, como auditoria, e algumas corretoras tentam usar o clube como fundo, já que o custo do clube é menor". Mas, segundo ele, o órgão regulador do mercado confere frequentemente se os integrantes do membro são realmente amigos, parentes ou colegas de trabalho, na tentativa de restringir qualquer tipo de movimentação especulativa.

Fonte: Terra
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