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Confira como funciona e saiba investir no Tesouro Direto

6 dez 2009 - 07h53
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Peter Fussy

Direto de São Paulo

Entre tantas opções de investimentos, siglas indecifráveis, taxas e impostos, o pequeno investidor fica indeciso na hora de migrar para uma aplicação de maior rentabilidade e muitas vezes acaba ficando na simples poupança. Para tentar descomplicar uma das alternativas, o Tesouro Nacional e a Bolsa de Valores de São Paulo lançaram neste ano um programa para popularizar a compra de títulos federais por meio da internet: o Tesouro Direto. Com apenas R$ 150 já é possível investir com alta rentabilidade e segurança, segundo analistas.

A emissão de títulos pelo governo federal tem objetivo de captar recursos para o financiamento da dívida pública, assim como para financiar gastos com educação, saúde e infraestrutura. Antes de 2002, só era possível comprar títulos públicos indiretamente pela aquisição de cotas de fundos de investimento oferecidos por bancos, que cobram uma taxa de administração. Com o Tesouro Direto, o investidor pode cortar o custo dessa intermediação.

De acordo com José Dutra Vieira Sobrinho, vice-presidente da Ordem dos Economistas do Brasil, os bancos não divulgam o Tesouro Direto para não perder investidores dos seus fundos. "Se eles fizerem propaganda, o pessoal vai deixar de aplicar em CDB ou em fundos, que são aplicações concorrentes", explicou. Mesmo assim, o número de pessoas cadastradas para adquirir títulos dobra a cada ano e atingiu 169 mil em outubro.

A grande diferença é que os fundos com taxas de administração mais baixas (de 0,8% a 1,5% ao ano) exigem aplicações maiores, a partir de R$ 10 mil, enquanto na compra de títulos pelo Tesouro Direto paga-se 0,1% sobre o valor da operação na compra e taxas de custódia que variam de zero a 4% ao ano (confira abaixo um ranking dos agentes de custódia). Além disso, o título é garantido pelo Tesouro Nacional, ou seja, o risco de não receber pelo investimento é mínimo.

"O risco é praticamente nenhum, já que é garantido pelo governo. O Tesouro vai estar em risco só quando o País estiver em risco e aí o problema é muito maior. Nenhum ativo privado seria melhor que esse em termo de risco. Em termos de rentabilidade, a poupança fica muito aquém da Selic (taxa básica de juros), no Tesouro o investidor estaria mais próximo da Selic", afirmou Marcos Amaral, diretor da corretora Spinelli.

Sobre o lucro obtido com o investimento, a tributação de Imposto de Renda é igual para todos, com a cobrança de 22,5% na venda em prazos menores que seis meses e até 15% para quem fica na aplicação por mais de dois anos - também é descontado no pagamento de juros periódicos, que ocorrem a cada seis meses ou um ano. Além disso, há Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) regressivo para todos em aplicações de curto prazo, de 96% no primeiro dia para zero no 29º.

O primeiro passo para adquirir títulos é ser cadastrado em algum dos bancos ou corretoras habilitados no Tesouro Direto (os chamados agentes de custódia). Para se cadastrar, você deve entrar em contato com a instituição, enviar a documentação exigida e assinar um contrato, que pode ser sem custo. Depois você receberá uma senha para realizar as negociações por meio do site do Tesouro.

Em seguida, é preciso escolher qual título é o mais apropriado aos seus objetivos (confira abaixo uma relação dos papéis disponíveis para a compra no Tesouro Direto). Há títulos de curto, médio e longo prazo, com vencimentos até 2045, indexados a índices de inflação (IGP-M ou IPCA), taxa Selic ou pré-fixados. Também é possível comprar diretamente no site do agente de custódia - 14 bancos e corretoras já integraram seus sites ao do Tesouro Direto.

De acordo com Amaral, com a queda da taxa básica de juro o mercado trabalha com uma previsão de inflação para os próximos anos, por isso o investidor tem procurado principalmente títulos mais longos fixados a algum índice de preços. "Não aconselharia a compra de pré-fixados agora, ficaria principalmente com aqueles corrigido pelo IPCA."

"No próximo ano, todo mundo sabe qual a previsão para a economia, com uma inflação de 4,5%. Mas podem acontecer muitas coisas, a inflação pode ser menor, até aí não tem problema, mas se a inflação subir mais, o cara que aplicar em pré-fixados vai levar desvantagem", confirmou Dutra.

Já os dados do Tesouro mostram que em outubro os pré-fixados (LTN e NTN-F), que possuem rentabilidade definida no momento da compra, tiveram maior participação no volume total (60%), seguido pelos indexados ao IPCA (NTN-B e NTN-B Principal), com participação de 30%, enquanto corrigidos pela Selic (LFT) representaram 9,13% das vendas.

Para o diretor da Spinelli, o Tesouro Direto só tem uma desvantagem que é a indisponibilidade de giro a qualquer momento, já que o Tesouro abre as recompras apenas às quartas-feiras. Os títulos públicos têm pequeno risco, mas podem apresentar perdas quando o investidor recebe o saldo. Isso se dá porque o valor reflete o preço de mercado dos títulos e pode realizar algum prejuízo na venda antes do prazo determinado pelo Tesouro. No entanto, se o investidor carregar os títulos até a data de vencimento, receberá o valor correspondente à rentabilidade fixada no momento da compra.

Confira os tipos de títulos disponíveis:

LTN: Letras do Tesouro Nacional
Título pré-fixado, com taxas de 8% a 11% ao ano e vencimentos de 2010 a 2012. O investidor tem a exata noção do retorno do título se carregá-lo até a data de vencimento, mas está sujeito a perda de rentabilidade real em caso de alta de inflação e juro. Indicado para o investidor que acredita que a taxa pré-fixada será maior que a taxa de juros básica da economia na data do resgate.

NTN-F: Notas do Tesouro Nacional Série F
Assim como a LTN, é pré-fixado e o investidor sabe exatamente o retorno se carregá-lo até a data de vencimento, mas está sujeito a perda de rentabilidade com a variação da inflação e da Selic. A diferença é que o investidor recebe um fluxo de cupons semestrais de juros, o que pode possibilitar aumento de liquidez e novos investimentos.

NTN-B: Notas do Tesouro Nacional Série B
Este está entre os chamados de pós-fixados, já que é indexado ao IPCA. Como a correção é feita pelo indicador oficial de inflação, o investidor garante a rentabilidade em termos reais. Além disso, também recebe cupons semestrais de juros. É indicado para quem deseja fazer poupança de médio ou longo prazo, inclusive para aposentadoria ou compra de casa. Se não puder aguardar até o vencimento pode ter ganhos menores em função da expectativa de inflação.

NTN-B Principal
Funciona do mesmo modo que o anterior, mas não tem o pagamento semestral de juros. Os títulos corrigidos pela inflação têm disponibilidade de prazos mais longos, com vencimentos até 2045.

LFT: Letras Financeiras do Tesouro
São títulos pós-fixados e indexados à taxa básica de juros (Selic). São indicados para investidores com perfil mais conservador, pois apresentam baixa volatilidade, ou para aqueles que esperam que a Selic no período seja superior à taxa da LTN de vencimento equivalente.

Confira aqui o ranking das taxas cobradas pelos agentes de custódia disponibilizado pelo Tesouro Nacional.

Fonte: Invertia Invertia
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