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Concorrência e juros elevados: motivos que levaram a Ri Happy a pedir recuperação extrajudicial

O valor da dívida é de cerca de R$ 827,4 milhões; negociações acontecem fora do âmbito jurídico

21 out 2026 - 17h21
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Loja da Ri Happy: empresa é mais uma varejista a apelar para a recuperação extrajudicial
Loja da Ri Happy: empresa é mais uma varejista a apelar para a recuperação extrajudicial
Foto: Ri Happy/Divulgação / Estadão

O Grupo Ri Happy culpou os juros elevados, as mudanças no consumo, a intensificação da concorrência e os efeitos acumulados da pandemia pelo pedido para renegociar suas dívidas. No último domingo, 18, a varejista de brinquedos brasileira entrou com ação de recuperação extrajudicial. O valor da dívida é de cerca de R$ 827,4 milhões, segundo informações do Estadão/Broadcast. 

Em setembro, a Selic bateu 13,75%, mantendo-se entre 15% e 14% neste ano, aponta o Banco Central. Juros altos significam aumento do custo financeiro para as empresas, prejudicando empréstimos, capital de giro e refinanciamento das dívidas, e menor disposição de consumo para as famílias. Levantamento da Abrin deste ano mostra o comércio eletrônico como pilar estrutural do varejo. Em 2017, as vendas online representavam 22% do total. Em 2025, esse percentual chegou a 38%, há mudança clara na forma de consumir. 

O que leva a questão da intensificação da concorrência, com plataformas como Shopee, AliExpress e Shein. Em 2024, as importações brasileiras de brinquedos somaram US$ 334,4 milhões. Desse total, 75,14% dos produtos vieram da China, aponta a Abrinq. 

De acordo com o IBGE, a pandemia foi responsável pelo fechamento de 4 em cada 10 empresas com atividades encerradas. A Ri Happy destaca que as mudanças são para "reequilibrar a estrutura de capital, otimizar a eficiência, aprimorar o atendimento às crianças e garantir a sustentabilidade do negócio no longo prazo". O plano de recuperação prevê disciplina de custos, gestão de liquidez e reforço das relações com fornecedores, franqueados, administradoras de shopping centers e instituições financeiras

Como é o grupo Ri Happy

O Grupo Ri Happy inclui as empresas Ri Happy, Brincar Marcas e Participações, Drh Casa de Festa, New Toys Comércio, Distribuição e Importação, Partout Administração de Franquias e Bens e Pbkids Brinquedos. Mesmo com as negociações, a companhia garantiu que as lojas físicas e o e-commerce continuarão funcionando normalmente. 

Em agosto deste ano, a Ri Happy foi comprada pela BluSun Capital Partners, também dona da Divertudo. Com a compra, Héctor Núñez, CEO do grupo de 2012 a 2020, retornou à cadeira principal. O empresário também acumula passagens pelo Walmart, Coca-Cola e Novonor (antigo grupo Odebrecht).  

A companhia vem sendo reestruturada desde 2024. Há dois anos atrás, a varejista fechou seu centro de distribuição, reorganizou a operação digital e começou a transformar parte das lojas em espaços de entretenimento, como brinquedotecas e espaços para festas. 

Recuperação extrajudicial é o mesmo que falência? 

Recuperação extrajudicial e falência não são a mesma coisa. A extrajudicial permite que a empresa devedora negocie suas dívidas diretamente com seus credores, fora das vias judiciais, como explica a Fecomércio MG. O processo tende a ser mais rápido. 

Ao todo, 84 empresas varejistas entraram com pedido de recuperação extrajudicial em 2025, de acordo ‌com o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre). Além disso, setores como indústria, mineração, agronegócio e logística também apresentaram requerimentos. 

Fonte: Portal Terra
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