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Como Satya Nadella tornou a Microsoft a empresa líder do planeta

Seguindo anos turbulentos, o indiano de fala gentil comandou um crescimento de 1000% no valor da empresa

29 mai 2024 - 06h00
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Resumo
Satya Nadella, ex-executivo da Microsoft, assumiu a liderança da empresa a uma década atrás em meio a um período de estagnação. Desde então, aplicou uma política agressiva e de inovação, levando a companhia à sua posição de atual maior empresa do mundo.
Foto: Divulgação

Uma década atrás, a Microsoft era vista como antiquada, pesada e sem futuro. Seguindo anos turbulentos sob a direção do agressivo Steve Ballmer, a empresa tinha uma valor de mercado de 300 bilhões de dólares, exatos 10% do valor atual.

Naquela ocasião, ela nem era mais parte da discussão sobre quem era a empresa mais inovadora do mundo. Tanto que ficou de fora da expressão FAANG, que pretendia identificar as companhias que moldariam o futuro da tecnologia.

Entra Satya Nadella. Nascido de uma família de classe média na Índia, com mãe professora e pai funcionário público, Satya passou pelo bom sistema educacional do país, se formando em Engenharia Elétrica no Instituto de Tecnologia de Manipal.

A Índia é um país de extrema complexidade, mas a liderança do país em tecnologia se deve a existência de dezenas de Institutos de Tecnologia de qualidade global. Eles formam a elite técnica do país e exportam seus estudantes pro mundo todo.

Foi o caso de Satya, que se mudou para os Estados Unidos para perseguir um mestrado em Computação na Universidade de Milwaukee. Dali, teve apenas dois empregos. Dois anos na Sun Microsystems, e logo depois, em 1992, na  Microsoft, onde se seguiram 22 anos liderando áreas díspares da empresa, como Servidores e Ferramentas, Pesquisa e Desenvolvimento, Cloud e Infraestrutura e Busca.

Satya sempre foi visto internamente como um fazedor, ético, competente, eficiente e leal. O tipo de executivo perfeito que estabelece sua visão buscando consenso, mas tomando decisões rapidamente e com energia.

Quando chegou o momento de substituir Ballmer, conhecido por uma postura polêmica e pela estagnação no valor de mercado da companhia, o indiano se impôs como uma escolha lógica para mudar a imagem e a cultura da empresa. Foi exatamente o que se seguiu.

Em seu primeiro pronunciamento como líder da empresa, deixou claro que a Microsoft buscaria seus consumidores onde eles quisessem estar, e faria parcerias com empresas que antes eram vistas como rivais, como Apple e Google.

Também estimulou a colaboração entre times e a tomada de riscos, comerciais e técnicos, dando liberdade às muitas divisões da empresa para tomarem suas próprias decisões. Partiu para uma política agressiva de aquisições que trouxe para o portfólio da empresa grandes vencedores e futuros drivers de crescimento como Minecraft, LinkedIn, GitHub e Activision.

O portfólio de empresas e mercados da Microsoft é impressionante. Lidera ou é vice-líder em uma ampla gama de segmentos, como sistemas operacionais, software de produtividade, games, cloud, buscas, interfaces de desenvolvimento de software e, claro, Inteligência Artificial.

A ação energética do CEO no incipiente mercado da IA Generativa foi decisiva para a ampliação de uma curva de crescimento que já era agressiva. A Microsoft se moveu antes, com mais energia, decisão e dinheiro que qualquer outra empresa do planeta, incluindo o líder inconteste em pesquisa na área, o Google. E continua estruturando seus produtos ao redor da tecnologia, com Satya Nadella afirmando que ‘IA vai tocar em breve cada vida do planeta’.

Respeitado por concorrentes e subordinados, de sorriso fácil e generosidade conhecida, Satya não é um trabalhador obsessivo. Acorda todos os dias as 7 da manhã, medita por 15 minutos e corre por meia hora. Chega aos escritórios da empresa as 8 da manhã, e de maneira geral toma o caminho de casa as 17 horas, incentivando seus funcionários a fazerem a mesma coisa.

Também liderou a retomada do tratamento prioritário a parceiros da empresa, dizendo que ‘para cada dólar que gerarmos para a Microsoft, temos que gerar 10 para nossos parceiros’. O mesmo se deu com desenvolvedores, que encontram nas plataformas da empresa um porto seguro e apoio excepcional.

Tudo isso faz com a maior empresa do mundo se assente numa base de negócios segura, o que permite novos saltos, e novos riscos.

Sob sua liderança, a Microsoft pode até não continuar sendo a empresa mais valiosa do mundo. A concorrência é forte, claro. Mas que vai continuar sendo agressivamente eficiente e inovadora, você pode apostar.

(*) Alex Winetzki é CEO da Woopi e diretor de P&D do Grupo Stefanini, de soluções digitais.

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