Como Itaú descobriu baixa produtividade de funcionários em home office antes de demissão em massa?
O Sindicato dos Bancários de São Paulo afirma que os funcionários estavam sendo monitorados há cerca de seis meses
O Itaú realizou demissões em massa após monitorar a produtividade de funcionários em home office por seis meses, com críticas do sindicato sobre critérios usados e falta de diálogo.
Na última segunda-feira, 8, a notícia que agitou o mundo corporativo foi a demissão em massa realizada pelo banco Itaú, após "revisão criteriosa" de condutas relacionadas ao trabalho remoto. Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, as demissões atingiram cerca de mil pessoas, que estariam sendo monitoradas há mais de seis meses.
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“O banco afirma que os desligamentos se baseiam em registros de inatividade nas máquinas corporativas, em alguns casos, períodos de quatro horas ou mais de suposta ociosidade. No entanto, consideramos esse critério extremamente questionável, já que não leva em conta a complexidade do trabalho bancário remoto, possíveis falhas técnicas, contextos de saúde, sobrecarga ou mesmo a própria organização do trabalho pelas equipes”, critica o diretor do Sindicato e bancário do Itaú, Maikon Azzi.
Na nota em que falou sobre as demissões, o Itaú não informou como estava sendo feito o monitoramento da produtividade dos funcionários. Mas o jornal Folha de S. Paulo encontrou uma publicação da empresa Arctica Tecnologia, que comercializa o software de monitoramento xOne Cloud, na qual citava, em 8 de agosto, a experiência de uma funcionária do Itaú com o programa para ganhos de eficiência. A publicação, no entanto, foi editada nesta terça-feira, 9, e não cita mais o banco.
Há outros softwares do tipo no mercado e, como não houve manifestação do Itaú, não é possível cravar que este programa tenha sido o utilizado. Especificamente sobre ele, o xOne Cloud é comercializado como um programa que permite que as empresas "acompanhem a eficiência de cada equipe e otimize fluxos com relatórios detalhados de comportamento digital". Através dele, é possível monitorar pausas, jornadas e treinamentos.
O site do programa afirma que, estatisticamente, quem adota o xOne Cloud reduz em 25% os custos operacionais, decorrentes da redução de pessoal e "melhor alocação de recursos com dados precisos".
No caso das demissões realizadas pelo Itaú esta semana, o sindicato diz que o banco não realizou nenhuma tentativa de diálogo com os funcionários, nem mesmo ofereceu feedback nesses seis meses de monitoramento de atividade.
“O home office não pode ser uma desculpa para aprofundar o controle excessivo, a vigilância abusiva e o desrespeito às relações de trabalho. Exigimos mais respeito, mais diálogo e mais humanidade”, defende Maikon Azzi.