Como brasileira se tornou bilionária mais jovem do mundo a construir a própria fortuna
Luana Lopes Lara, de 29 anos, fundou a empresa de mercado de previsões Kalshi em 2018, com um amigo; fortuna da jovem é avaliada em US$ 1,3 bilhão
A brasileira Luana Lopes Lara, de 29 anos, tornou-se a bilionária "self-made" - termo usado para descrever aqueles que constroem a própria fortuna - mais jovem do mundo, segundo a revista Forbes. Luana conquistou o posto após sua empresa de mercado de previsões, a Kalshi, levantar US$ 1 bilhão em uma rodada de investimentos anunciada na terça-feira, 2, passando a ser avaliada em US$ 11 bilhões.
Com o crescimento da Kalshi, as fortunas de Luana e de seu sócio, Tarek Mansour - que detêm cerca de 12% da empresa cada um -, estão estimadas em US$ 1,3 bilhão cada. Com esse patrimônio, Luana tornou-se a bilionária mais jovem do mundo a ter alcançado sucesso financeiro por conta própria, superando a fundadora da Scale AI, Lucy Guo, de 31 anos, que havia tirado o posto da cantora Taylor Swift, de 35 anos, em abril.
Como ela conquistou US$ 1,3 bilhão?
Antes de empreender, Luana seguiu a carreira de bailarina. Ela estudou na Escola de Teatro Bolshoi em Joinville (SC) e, depois de concluir o ensino médio, mudou-se para a Áustria, onde atuou como bailarina profissional no Teatro Estatal de Salzburgo.
Nove meses depois, no entanto, ela decidiu mudar completamente de rota e cursar Ciências da Computação no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em Cambridge, nos Estados Unidos - uma das principais faculdades de tecnologia e ciências do mundo.
Foi lá que ela conheceu seu sócio, que também estudava Ciências da Computação. A amizade ficou mais forte quando eles estagiaram juntos na corretora Five Rings Capital, em Nova York, em 2018. Em entrevista à Forbes, Luana disse que a ideia de abrir um negócio no mercado de previsão surgiu durante o trajeto de volta do trabalho. "Percebemos que a maioria das negociações acontece quando as pessoas têm alguma visão sobre o futuro e tentam encontrar uma maneira de refletir isso nos mercados", afirmou.
Segundo a brasileira, o objetivo era permitir que investidores negociassem diretamente a probabilidade de eventos, como resultados de eleições ou fenômenos climáticos, em vez de negociá-los indiretamente por meio de mercados financeiros tradicionais.
Luana e Mansour se inscreveram na aceleradora de startups Y Combinator e foram aceitos em 2019, mas enfrentaram um obstáculo: o mercado de previsões ainda não era regulamentado nos EUA. A dupla, então, entrou em contato com mais de 40 advogados para entender como conseguir a aprovação federal, mas nenhum deles quis ajudar devido à pouca idade dos fundadores e ao tamanho da empresa.
"Logo depois da faculdade, estávamos assumindo uma quantidade insana de riscos. Foram dois anos sem um único produto - nada lançado - e, se não conseguíssemos a regulamentação, a empresa simplesmente iria à falência", disse Luana à Forbes. Na época, eles ainda precisavam lidar com a pandemia e a distância, já que ela estava em Londres e Mansour em Beirute.
No final, os sócios conseguiram o apoio do advogado Jeff Bandman, que já havia trabalhado para a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), órgão independente do governo americano que regula o mercado de futuros. Em novembro de 2020, a Kalshi recebeu autorização da CFTC para operar como Mercado de Contratos Designado (DCM), classificando seus mercados de previsão como um tipo de derivativo conhecido como contrato de eventos - instrumentos financeiros que permitem apostar no resultado de acontecimentos futuros, como eleições, jogos de futebol e premiações do mundo pop.
No entanto, no fim de 2023, a CFTC rejeitou os contratos eleitorais da empresa por considerá-los semelhantes a jogos de azar. Luana recorreu à Justiça e, em setembro do ano passado, a Kalshi conseguiu autorização para oferecer os primeiros contratos eleitorais legais nos EUA em mais de um século. Os usuários da plataforma apostaram mais de US$ 500 milhões em candidatos nas eleições americanas do ano passado e previram corretamente a vitória de Donald Trump.
A rodada de investimentos anunciada nesta terça-feira foi liderada pela empresa de capital de risco Paradigm, especializada em criptomoedas, com participação de investidores como Sequoia Capital, Andreessen Horowitz e Y Combinator. Antes desse aporte, a Kalshi já havia levantado US$ 185 milhões em junho, sendo avaliada em US$ 2 bilhões, e US$ 300 milhões em outubro, quando a avaliação atingiu US$ 5 bilhões.
Segundo a empresa, o novo aporte será usado para expandir a integração com corretoras e firmar novas parcerias com veículos de comunicação.
Atualmente, mais de 90% do volume de negociações da Kalshi vem de apostas esportivas, segundo a Forbes. A empresa afirma que seu volume de negociações cresceu 1000% desde o ano passado e agora ultrapassa US$ 1 bilhão por semana. Ainda de acordo com a Kalshi, desde julho, o volume nacional de negociações na plataforma aumentou oito vezes, atingindo US$ 5,8 bilhões em novembro.
Desde a última eleição presidencial americana, a Kalshi também investiu no mercado de criptomoedas. Em dezembro do ano passado, a empresa levou seus mercados para a plataforma blockchain Solana.