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Com o mercado de ETFs em ascensão, o que esperar daqui para frente?

19 out 2026 - 09h20
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Resumo
O mercado brasileiro de ETFs cresce em ritmo acelerado, impulsionado pela facilidade de diversificação com baixo custo e liquidez em Bolsa. Segundo especialistas, a expansão do setor deve continuar com a oferta de novos produtos, avanços na regulação e atrativos tributários, como a isenção de come-cotas em fundos de renda fixa. Contudo, para aproveitar esse potencial, os investidores precisam avaliar os riscos das classes de ativos subjacentes, a qualidade da gestão e a liquidez real dos papéis.
ETFs. Foto: Freepik
ETFs. Foto: Freepik
Foto: Suno

O mercado brasileiro de ETFs vem ampliando seu alcance com a chegada de novos produtos e o crescimento do número de investidores. Em agosto de 2026, por exemplo, o segmento se aproximou da marca de 1 milhão de participantes e alcançou R$ 142 bilhões em patrimônio, segundo dados da B3.

Para Danilo Gabriel, gestor responsável por ETFs na XP, a expansão reflete tanto a diversificação da oferta quanto o potencial desses fundos para facilitar o acesso a diferentes classes de ativos.

"Apesar de um número ainda aquém dos nossos sonhos e dos nossos paralelos do mercado americano, a gente vem com um momentum muito legal", afirma o gestor em entrevista à Suno.

Ele destaca que o ritmo de crescimento se intensificou nos últimos anos, com a indústria brasileira de ETFs dobrando de tamanho entre 2024 e 2025.

"A gente está bem animado com esse mercado e acreditamos que é um mercado que tende a atingir um tamanho muito relevante, assim como aconteceu lá fora", diz.

Por que os ETFs estão ganhando espaço?

Parte da atratividade dos ETFs, diz o gestor, está na combinação entre diversificação, custos e facilidade de negociação. Como são fundos listados em Bolsa, suas cotas podem ser compradas e vendidas durante o pregão, enquanto a estrutura aberta permite que o patrimônio do fundo aumente ou diminua conforme a demanda.

Gabriel também destaca a possibilidade de acessar diferentes mercados com valores relativamente baixos. Um ETF que acompanha um índice internacional, por exemplo, permite ao investidor obter exposição a uma cesta de ativos por meio de uma única aplicação, sem precisar comprar individualmente cada ação que compõe o índice.

"Com R$ 10 ou R$ 20 o investidor já tem essa exposição", afirma, ao citar como exemplo um fundo ligado ao Nasdaq 100, índice que reúne grandes empresas não financeiras listadas na Nasdaq.

O custo é outro fator relevante. Em comparação com a compra direta de diversos ativos, os ETFs podem oferecer uma forma mais simples de montar uma carteira diversificada. Mas Gabriel ressalta que a escolha deve partir do objetivo do investidor, e não apenas do formato do produto.

"Eu gosto de brincar que o ETF é um conduíte, ele é um conduíte que vai te levar para uma classe de ativos específica", diz. "Quando a gente fala de risco, o risco do ETF é relacionado ao risco da classe de ativos que eu estou me expondo."

Na prática, isso significa que um ETF de renda fixa atrelado à inflação tem riscos diferentes dos de um fundo de ações ou de criptomoedas. A facilidade de negociação não elimina a necessidade de avaliar a composição da carteira, o horizonte de investimento e as oscilações às quais o produto está sujeito.

Oferta de ETFs deve continuar aumentando

A expansão do mercado também está ligada à maior variedade de produtos disponíveis. Além dos fundos que acompanham índices conhecidos de ações, as gestoras vêm ampliando as alternativas em renda fixa, investimentos internacionais e ativos como ouro e criptomoedas.

Na XP, a meta é preencher diferentes segmentos do mercado. "Hoje, o objetivo é ter um ETF para cada classe de ativo", afirma Gabriel. A estratégia contempla investimentos locais e globais, distribuídos entre renda fixa, renda variável e ativos alternativos.

O gestor afirma que a prioridade é oferecer instrumentos para alocações de longo prazo, em vez de concentrar a oferta em produtos temáticos ou muito específicos. Isso não significa, porém, que novas estratégias estejam fora dos planos.

"Eu vejo o espaço da gente ter um pouquinho desses ETFs exóticos, mas não vai ser o nosso foco", diz.

Outro possível vetor de expansão está na regulação. Na entrevista, Gabriel cita os ETFs alavancados, inversos e de gestão ativa, que oferecem estratégias diferentes das tradicionais replicações de índices. Segundo ele, a evolução das regras pode ampliar o leque de produtos disponíveis no país.

O gestor vê utilidade potencial para esses instrumentos em estratégias táticas, mas ressalta que eles exigem cuidado. Em fundos alavancados, por exemplo, a volatilidade e o rebalanceamento diário podem prejudicar o retorno ao longo do tempo, tornando-os inadequados para determinados objetivos de longo prazo.

Tributação pode fazer diferença na escolha

A tributação é outro aspecto que, na avaliação de Gabriel, merece atenção na hora de comparar ETFs com outras opções de investimento, especialmente na renda fixa.

"Quando a gente fala das políticas de investimento, precisamos levar em consideração risco, liquidez, horizonte de investimento e também tributo", afirma.

Segundo o gestor, ETFs de renda fixa podem ter vantagens tributárias em relação a alguns produtos tradicionais. Em determinadas categorias, os ganhos são tributados à alíquota de 15%, sem incidência de IOF e sem o mecanismo de come-cotas presente em fundos tradicionais.

Há exceções, como ETFs compostos integralmente por títulos públicos indexados à Selic, que seguem tratamento tributário diferente, além de particularidades relacionadas a fundos de crédito.

A ausência de come-cotas pode ser relevante para o investidor de longo prazo porque evita a antecipação periódica do imposto sobre os rendimentos. Assim, o capital permanece investido até a venda das cotas, favorecendo o efeito dos juros compostos.

"Como o ETF não vence nunca, o investidor vai ter toda a base de capital dele rendendo juros compostos até ele realizar", explica Gabriel.

As regras variam conforme a classe de ativos e a estrutura do fundo. Nos ETFs de renda variável, por exemplo, a alíquota sobre os ganhos é geralmente de 15%, mas o investidor precisa apurar e recolher o imposto por meio de DARF.

Também há diferenças na compensação de prejuízos: segundo Gabriel, perdas em ações não podem ser abatidas diretamente de ganhos com ETFs, embora seja possível compensar resultados entre ETFs conforme as regras aplicáveis.

Por isso, a tributação deve ser considerada junto com os custos, a estratégia e os riscos do produto, e não como único critério para a escolha.

O que esperar para os próximos anos?

Para Gabriel, a tendência é que o mercado brasileiro continue ampliando tanto o número de investidores quanto a variedade de ETFs. A experiência internacional serve como referência para esse desenvolvimento, embora o gestor reconheça que o Brasil ainda está em um estágio menos maduro.

A expectativa é que a indústria avance à medida que as gestoras preencham lacunas na oferta, os investidores conheçam melhor as características desses fundos e a regulação permita novas estruturas. A evolução, porém, não elimina a necessidade de avaliar cada produto individualmente.

Além do risco da classe de ativos, Gabriel recomenda observar a qualidade da gestão e a liquidez. Nesse último ponto, ele faz uma ressalva: o volume negociado diariamente não conta toda a história, já que a liquidez dos ativos que compõem o fundo e a atuação dos formadores de mercado também influenciam a capacidade de comprar ou vender cotas.

"O investidor precisa olhar também a liquidez do produto. Um ponto importante não é necessariamente olhar a liquidez realizada", afirma.

O avanço do setor, portanto, não depende apenas do lançamento de novos fundos. Para o gestor, a combinação entre oferta mais completa, educação financeira e compreensão dos riscos será fundamental para consolidar os ETFs como uma alternativa de investimento no país.

Suno
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