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CNA projeta crescimento de 2,5% do PIB agropecuário em 2021; milho pode pressionar

3 mar 2021
14h07
atualizado às 14h27
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O PIB agropecuário, que mede a atividade dentro da porteira, deverá voltar a crescer este ano, com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) projetando aumento de 2,5% sobre 2020, caso o clima colabore com a segunda safra de milho, que terá boa parte plantada fora da janela climática ideal após um atraso da colheita de soja.

Colheita de soja em Tangará da Serra (MT) 
27/03/2012
REUTERS/Paulo Whitaker
Colheita de soja em Tangará da Serra (MT) 27/03/2012 REUTERS/Paulo Whitaker
Foto: Reuters

Segundo o coordenador do Núcleo Econômico da CNA, Renato Conchon, a estimativa ainda pode ter viés de alta, se a demanda internacional pelos produtos brasileiros ficar aquecida ou a economia interna melhorar; ou de baixa, na hipótese de algum problema de safra, notadamente de milho.

O cereal e a soja são duas das principais culturas do Brasil. No caso da oleaginosa, a safra está bem encaminhada para ter novo recorde, enquanto o país planta a maior parte do cereal na segunda safra, na sequência da colheita da verão, o que está ocorrendo agora.

"O que vimos foi um atraso de 40 dias (na soja), e isso no cômputo geral não vai ter grandes prejuízos. Mas um terço da safra do milho segunda safra será plantado fora da janela ideal de plantio (pelo atraso da soja). Isso sim, se der alguma estiagem mais severa, pode influenciar no milho segunda safra e outra culturas", disse ele.

"O clima é o fator que estamos olhando com mais preocupação, que pode fazer com que haja um recuo do PIB da agropecuária", acrescentou.

Em 2020, conforme informou nesta quarta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Agropecuária foi o único setor que cresceu, com 2%, ante queda de 3,5% na Indústria e recuo de 4,5% em Serviços.

O PIB do país, como um todo, caiu 4,1%, na maior retração em 24 anos sob impacto das medidas de contenção do coronavírus.

O aumento da Agropecuária foi impulsionado pela soja (7,1%) e café (24,4%), que tiveram produções recordes na série histórica.

Dessa forma, a participação da agropecuária no PIB nacional subiu de 6,7% em 2019 para 7,l% em 2020, disse o especialista da CNA.

"Se o PIB da agropecuária fosse zero, o PIB do Brasil teria caído 4,2 e não 4,1%", comentou, lembrando que algumas indústrias ligadas ao agronegócio também apresentaram crescimento, como os segmentos de alimentos e de papel e celulose.

"Ou seja, somado e subtraído, o PIB do Brasil teria caído mais, não fosse o agronegócio."

Ele destacou ainda que a evolução do PIB da agropecuária na última década foi de 25,4%, com ganhos de produtividade e forte demanda internacional pelos produtos nacionais, enquanto o PIB do Brasil recuou 1,2% no mesmo período.

A CNA tem um cálculo mais abrangente sobre o PIB, considerando também indústrias, incluindo de insumos, o que deixa o indicador ainda mais robusto, comparado com o índice da agropecuária.

Até dezembro, a CNA via um crescimento de 9% no chamado PIB do Agronegócio em 2020, estimativa que deve ser atualizada em breve.

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