Cimenteiras esperam crescimento "moderado" de vendas em 2026 após alta de 3,7% em 2025
Fabricantes de cimento encerraram o ano passado com vendas de 67 milhões de toneladas, o segundo ano consecutivo com expansão acima de 3% e esperam expansão moderada para o ano eleitoral de 2026, impulsionada em parte por programas habitacionais e investimentos em saneamento e rodovias.
"A visão é de que vamos ter crescimento, sim, mas mais modesto", disse o presidente da entidade que representa fabricantes de cimento, Snic, Paulo Camillo Penna.
"Modesto seja por essa incógnita do programa de reformas (Programa Reforma Casa Brasil), seja por outros fatores", acrescentou, citando os eventos previstos para o ano que incluem a Copa do Mundo, em que a atividade no país tende a se reduzir em dias de jogos da seleção, carga de feriados-ponte no calendário de 2026 e as eleições de outubro, que devem limitar licitações de obras a partir de meados do ano.
Como dois terços do consumo de cimento no Brasil acontece em pequenas obras residenciais e reformas, a expectativa é que o Programa Reforma Casa Brasil possa apoiar o consumo do material neste ano de forma semelhante como ocorreu com a concessão do Auxílio Emergencial, que impulsionou o setor durante a pandemia, comentou Penna. O governo federal lançou o programa em novembro, prometendo R$40 bilhões em crédito.
O Snic começou 2025 com expectativa de crescimento de vendas de cimento entre 1% e 1,5% no ano, mas o setor encerrou com expansão de 3,7% depois de ter avançado 3,9% em 2024. O recorde na comercialização do material ocorreu em 2014, com comercialização de 73 milhões de toneladas, segundo a entidade.
No quarto trimestre, a comercialização de cimento somou 16,7 milhões de toneladas ante 15,9 milhões no mesmo período de 2024.
Considerando apenas dezembro, as vendas subiram 4,7% sobre um ano antes, para 4,87 milhões de toneladas, mas recuaram 12% ante novembro, marcando o terceiro mês consecutivo de queda.
"Mas por dias úteis tivemos manutenção do consumo e não sentimos queda", disse Penna.
No mês passado, apenas o Centro-Oeste mostrou recuo de vendas (4,8%) na comparação anual, algo que o executivo atribuiu a problemas locais de produção que foram minimizados por fornecimento de outras regiões do país.
Já o Nordeste mostrou a maior expansão (9,1%) de vendas em dezembro entre todas as regiões do país, para 1,23 milhão de toneladas. "Os programas habitacionais têm promovido um crescimento muito significativo na região", disse o presidente do Snic.
Penna afastou a possibilidade de impacto no consumo de cimento neste ano por conta de reduções de lançamentos no ano passado em alguns segmentos do setor imobiliário.
"Em algum momento em que houve uma desaceleração quando os juros subiram, houve ação governamental para compensar com incentivos na moradia popular", disse o presidente do Snic. "A ação do governo foi sempre muito diligente", acrescentou citando a criação em abril passado da faixa 4 de financiamento do Minha Casa, Minha Vida.
"Cimento e aço claramente mantêm o consumo. Vemos com muita clareza isso."
Outros fatores que motivam o crescimento das vendas de cimento no país incluem uso de concreto em rodovias, um processo que tem sido liderado pelo Paraná e está avançando dentro de obras do governo federal e avanço de obras de saneamento.
Penna ainda mencionou eventual liberação de recursos adicionais para o consumo de cimento pela aprovação da isenção de imposto de renda para quem ganha até R$5 mil, algo, porém, que pode ser minimizado pelo "dreno das bets".