CES 2026: Chips cem vezes 'mais poderosos' para acompanhar evolução da IA é a previsão da AMD
A IA vai se tornar tão comum como a própria internet diz a executiva Lisa Su, em palestra na Consumer Electronic Show (CES), a maior feira de tecnologia do mundo
LAS VEGAS - O número de pessoas usando inteligência artificial (IA) ao redor do mundo deu um salto desde o lançamento dos primeiros aplicativos que popularizaram essa tecnologia, mas o avanço está apenas no começo. A IA vai se tornar tão comum como a própria internet e ganhar bilhões de novos usuários nos próximos anos, o que exigirá multiplicar o poder dos chips em ao menos cem vezes para dar conta dessas atividades nos próximos cinco anos.
Essas foram as principais previsões da executiva Lisa Su, presidente da americana Advanced Micro Devices (AMD), fundada há quase 60 anos no Vale do Silício. O negócio se transformou numa das multinacionais líderes do mercado global de chips, rivalizando com a Nvidia. Lisa foi a palestrante da abertura oficial da Consumer Electronic Show (CES), maior feira de tecnologia do mundo, em Las Vegas, Estados Unidos.
Ela lembrou que, desde o lançamento do ChatGPT, o número de usuários de IA passou de aproximadamente 1 milhão em 2022 para pouco mais de 1 bilhão em 2025.
A expectativa da AMD é de ver esse número passar de 5 bilhões até 2030, o equivalente a 62% de toda a população mundial. "Vemos a adoção da IA crescendo para mais de 5 bilhões de usuários ativos à medida que a IA realmente se torna indispensável para cada parte de nossas vidas, assim como o celular e a internet são hoje", projetou Lisa.
E boa parte disso dependerá da evolução da IA no segmento empresarial, com aplicações dentro dos ambientes corporativos, bem como nos produtos e serviços oferecidos aos consumidores. "A IA já está tocando todas as principais indústrias, como saúde, ciência, manufatura ou comércio. Estamos apenas na superfície. A IA vai estar em todos os lugares nos próximos anos", disse.
Segundo ela, o sucesso está nos casos de uso que têm demonstrado bons resultados em diversos setores. "A IA nos torna mais inteligentes. Ela nos torna mais capazes. Ela permite que cada um de nós seja uma versão mais produtiva de nós mesmos."
Exemplo disso foi a parceria entre a AMD e a OpenAI. As duas gigantes fecharam, ainda em 2025, um contrato de grande escala para desenvolver infraestrutura de inteligência artificial.
A partir deste ano, a colaboração se concentrará na implementação de centros de capacidade de computação de alto desempenho, o que servirá como uma grande vitrine para a AMD na sua disputa de mercado com a Nvidia.
O poder dos chips
Para esse avanço ficar de pé, será necessário multiplicar a capacidade de processamento de dados, o que depende de chips cada vez mais potentes. "A base da IA é a computação. Com o crescimento do número de usuários, vimos um enorme aumento na demanda na infraestrutura de computação global", afirmou a executiva, reforçando a necessidade de o setor acelerar seu desenvolvimento. "Ainda não temos computação suficiente para tudo o que podemos possivelmente fazer com a IA".
O salto foi de 1 zettaflop em 2022 para mais de 100 zettaflops em 2025. Essa escala mede a capacidade de cálculo dos chips. Cada zettaflop se refere a um sextilhão (1 mais 21 zeros) de operações por segundo. Apesar do salto, essa capacidade será apenas uma fração do que é esperado para o médio prazo, segundo a presidente da AMD.
"Para habilitar a IA em todos os lugares, precisamos aumentar a capacidade de computação do mundo em mais cem vezes nos próximos anos, para mais de 10 yottaflops nos próximos cinco anos", estimou Lisa. Um yottaflop equivale a 1 mais 24 zeros em capacidade de processamento de dados por segundo. "Então, 10 yottaflops é 10 mil vezes mais computação do que tínhamos em 2022", comparou.
Depois dessa introdução, a presidente da AMD fez seu papel de "vendedora". No palco, apresentou alguns dos principais lançamentos da multinacional para 2026. O principal deles é a plataforma chamada "Helios", um conjunto de racks para data centers, com capacidade de processar dados na escala de yottaflops. O equipamento usa placas e chips da própria AMD e passa de 3 toneladas. "Um monstro", declarou a própria presidente da companhia.
No evento, a AMD anunciou ainda novidades na sua linha de chips, como o AMD Instinct MI440X, projetado para implementações de IA corporativa, como supercomputadores para grandes corporações. Ela antecipou também que a companhia está trabalhando na próxima geração de chips da série MI500 para 2027, com uma capacidade de processamento 1 mil vezes acima da versão anterior, lançada em 2023.
O jornalista viajou a convite da Lenovo