Cadê os planos de governo? Cenário eleitoral tem sido tomado por miséria de ideias e propostas
Algum debate mais interessante poderá surgir, talvez, se outros políticos, além de Lula e Flávio Bolsonaro, buscarem maior presença no jogo eleitoral
O principal servidor de Donald Trump na América Latina, o argentino Javier Milei, falhou na tentativa de abrir um conflito com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Convidado para o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, dançou, gritou, deu um pequeno show e foi aplaudido por seus anfitriões, mas nada conseguiu além disso.
Teve destaque nos meios de comunicação, mas o noticiário poderia ter dado mais espaço a quem o convidou, deu oportunidade a suas baixarias e o apoiou com sorrisos e palmas. O evento, de toda forma, pode ter sido útil, por ter propiciado mais alguma informação a respeito do principal — até agora — candidato da direita.
Com o novo tropeço, o senador Flávio Bolsonaro pode ter proporcionado um duplo benefício a seu concorrente. Além de ter recorrido a mais um desastroso apoio estrangeiro, pode ter poupado o presidente Lula de um esforço maior de formulação e apresentação de planos para um novo mandato.
O candidato à reeleição tem prometido novidades, mas sem detalhar suas ideias para um próximo período. Esses planos, segundo se supõe, devem conter, como item obrigatório, um roteiro de arrumação das contas públicas sem aumento de tributos. Isto dependerá, é claro, de um esforço de austeridade até agora evitado em sua administração.
Com a disputa dominada, até agora, por Lula e Flávio Bolsonaro, o cenário tem sido caracterizado por notável miséria de ideias e de propostas.
Algum debate mais interessante poderá surgir, talvez, se outros políticos buscarem maior presença nesse jogo. Com experiência administrativa em seus Estados, alguns possíveis participantes talvez consigam enriquecer e animar a discussão com base em seu aprendizado.
Para oferecer alguma utilidade, qualquer proposta deverá conter, naturalmente, fórmulas para combinar equilíbrio fiscal sem aumento de tributos, controle da inflação, ampliação do investimento produtivo, expansão do emprego e modernização da mão de obra, tarefa impossível, é claro, sem muito cuidado com a educação.
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