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BTG está otimista com tendências para ações, mas vê mercado de dívida corporativa fraco no 2º tri

11 mai 2026 - 12h11
(atualizado às 16h45)
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O BTG Pactual está otimista com as tendências observadas no mercado de ações brasileiro, enquanto enxerga um mercado de ‌dívida corporativa ainda fraco no segundo trimestre, afirmou o presidente-executivo do maior banco de investimento da América Latina, Roberto Sallouti.

"Nós estamos bastante encorajados com o que estamos vendo nos mercados de capitais de ações. Tivemos fluxos significativos para a América Latina e, de forma geral, para mercados emergentes. Isso desacelerou um pouco recentemente, mas conseguimos realizar o primeiro IPO em cerca de cinco anos", afirmou o executivo em teleconferência de analistas nesta segunda-feira, após divulgar mais cedo o balanço do primeiro trimestre.

A Compass Gás e Energia, controlada pela Cosan, precificou na última quinta-feira oferta pública inicial de ações (IPO), movimentando R$3,2 bilhões e encerrando uma seca de IPOs de quase cinco anos na B3. O BTG foi o coordenador líder da operação.

"Tem uma série de empresas que estão preparadas para vir ao mercado", acrescentou o diretor ⁠financeiro do BTG, Renato Cohn, em entrevista a jornalistas, avaliando que o IPO da Compass abre a janela para novas empresas acessarem o mercado.

Questionado sobre a saída líquida de capital externo da bolsa mais recentemente, ‌ele ressaltou que o fluxo de estrangeiro tem sido forte desde o ano passado, então é natural um "freio de arrumação".

"Diminuiu de fato um pouco esse fluxo de estrangeiros, mas eu acho que o Brasil, geopoliticamente, ainda oferece uma oportunidade enorme de investimentos. Os múltiplos ainda são baixos, as empresas são de extrema qualidade. O Brasil é conectado com todas as partes do mundo, não tem conflito com ‌ninguém. O mercado brasileiro e as empresas brasileiras são muito convidativas para o investidor estrangeiro. Eu acho que isso ainda continua", ‌afirmou.

Em relação ao mercado de dívida corporativa (DCM), Sallouti afirmou que o segundo trimestre deve ser fraco, mas deve melhorar depois disso. "Esperamos que comece a melhorar no terceiro trimestre", acrescentou.

Na visão ⁠de Cohn, a eleição no Brasil não deve ser um grande fator de volatilidade para essas operações na segunda metade do ano. "O mercado está bastante acostumado e ciente de qualquer um dos cenários eleitorais que possam acontecer. Acho que o cenário eleitoral vai ter menos influência de volatilidade nos mercados", avaliou. "O que aconteceu foi uma piora dos spreads de crédito que subiram e aí o mercado precisa encontrar qual é o novo patamar para voltar nesse processo", acrescentou.

No primeiro trimestre, a divisão de banco de investimentos do BTG Pactual participou de 10 operações no mercado de ações (ECM), que movimentaram US$628 milhões. No quarto trimestre, foram 8 operações (US$369 milhões) e um ano antes, duas (US$175 milhões).

Em DCM, o BTG participou de 36 operações no primeiro trimestre, que totalizaram US$3,664 bilhões. No quarto trimestre, haviam sido 46 transações (US$4,584 bilhões) ‌e um ano antes, 29 (US$1,987 bilhão). Ainda assim, DCM permaneceu como o principal componente de receita da divisão de banco de investimento, que totalizou R$628 milhões, "apesar do aumento da volatilidade nos mercados secundários no final do ‌trimestre".

Na bolsa paulista, as units do banco reverteram os ganhos iniciais ⁠e recuavam 3,24%, a R$56,75 na tarde desta segunda-feira, acompanhando ⁠a piora no mercado como um todo, apesar do lucro acima do esperado por analistas.

"Embora os investidores estivessem preocupados com o potencial impacto do ambiente de mercado nas receitas do primeiro trimestre, o BTG Pactual ainda ⁠conseguiu apresentar mais um desempenho robusto", afirmaram analistas do Safra liderados por Daniel Vaz. "O trimestre recoloca no radar a meta de lucro ‌líquido de mais de R$20 bilhões em 2026 e deve ‌impulsionar um maior otimismo em relação às ações", afirmaram em relatório a clientes, reiterando recomendação "outperform" para os papéis.

CRÉDITO

De acordo com o Sallouti, a carteira de crédito do BTG está com uma performance melhor do que a instituição havia previsto inicialmente até o momento, tanto no segmento corporativo quanto no de financiamento ao consumidor. "Já vínhamos concedendo crédito considerando um cenário mais adverso", afirmou.

No segmento de pequenas e médias empresas (PMEs), o executivo citou que o banco ainda está principalmente em financiamento de cadeia de suprimentos e antecipação de recebíveis de cartão de crédito. "Temos alguma exposição ⁠a essas linhas com garantias governamentais, mas ainda é pequena, embora esteja crescendo", acrescentou, afirmando que, até agora, não há problemas relevantes.

No financiamento ao consumidor, Sallouti afirmou que talvez em algum momento se observe um aumento nas provisões. "No entanto, eu diria que isso deve ocorrer daqui a dois ou três trimestres, dado que as recentes medidas do governo continuam beneficiando o consumidor", estimou.

Questionado sobre mudanças recentes envolvendo o crédito consignado privado e o apetite do BTG ao segmento, Sallouti afirmou que elas afetam aproximadamente 15% da produção de financiamentos, principalmente nos segmentos de maior risco, o que provavelmente significa que o banco deixará de atuar nesses casos. "Mas, no geral, até agora isso não teve um impacto relevante no total — o efeito ‌está mais concentrado nesses diferentes níveis de risco."

No final de abril, foi implementada uma nova regra pelo governo federal que prevê punições para bancos que cobrarem taxas de juros "muito acima" da média praticada pelo mercado nos empréstimos com desconto em folha de trabalhadores privados. A decisão não define um teto de juros específico, mas uma taxa de referência "calculada com base no desvio padrão do ⁠volume financeiro das operações".

No primeiro trimestre, o portfólio de crédito ao consumidor do BTG alcançou R$73,6 bilhões, crescimento de 14,1% na base trimestral, impulsionado principalmente pela carteira de crédito consignado, que avançou de R$22,1 bilhões para R$28,8 bilhões. Em abril, o BTG concluiu a transação da Meu Tudo, que vê fortalecendo ainda mais o posicionamento no segmento.

Na entrevista a jornalistas, Cohn reforçou que o banco vem desenvolvendo o consignado privado. "É um produto novo no mercado, estamos otimistas e queremos avançar nisso...eu não acho que vamos crescer 14% todo trimestre, porque vai ser um crescimento super forte. Mas acho que pelos próximos 12 meses ou 18 meses, essa linha específica de consignado privado vai continuar crescendo."

Ao comentar sobre o Novo Desenrola, o presidente do BTG disse que enxerga um efeito de "neutro a levemente positivo" para o banco PAN.

ROE

Na teleconferência com analistas, Sallouti também afirmou que o retorno sobre patrimônio (ROE) do Banco PAN deve melhorar trimestre a trimestre. "Vamos atingir um ROE semelhante ao do BTG como um todo provavelmente em 2028, por volta do meio de 2028", afirmou.

Na entrevista a jornalistas, Cohn detalhou que parte dessa melhora deve vir de ganho de eficiência, com a migração para um único sistema bancário principal no banco. "Só nisso já tem um ganho relevante de eficiência, na parte de custo."

Do lado da receita, conseguindo fazer uma originação de melhor qualidade, que dê menos impacto de inadimplência, diminuindo o custo do crédito, há ganhos bastante relevantes também. E, no médio prazo, assim que migrar o sistema bancário para um sistema só, acrescentou, o banco avalia que consegue melhorar a experiência do cliente de uma maneira relevante. "Obviamente, isso leva um certo tempo", ponderou Cohn.

No primeiro trimestre, o retorno sobre patrimônio do BTG foi de 26,6% no trimestre, em comparação com 23,2% um ano antes e 27,6% no quarto trimestre de 2025.

Cohn reiterou a expectativa do banco de entregar um retorno sobre patrimônio acima de 25% de maneira sustentável.

(Edição Alberto Alerigi Jr. e Pedro Fonseca)

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