Braskem apresenta pedido de recuperação extrajudicial
A Braskem pediu recuperação extrajudicial em São Paulo para renegociar US$ 10,9 bilhões em dívidas, contando com adesão inicial de 39,6% dos credores e prazo de 90 dias para atingir o apoio mínimo de mais de 50%. O plano prevê possível capitalização de dívida e suporte de liquidez dos acionistas IG4 e Petrobras. O anúncio impactou o mercado financeiro e fez as ações da petroquímica caírem 6,7%, liderando as perdas do Ibovespa.
A Braskem anunciou nesta segunda-feira que apresentou um plano de recuperação extrajudicial à Justiça de São Paulo, citando dívidas de US$10,9 bilhões.
O plano tem adesão de 39,6% das dívidas elencadas, afirmou em fato relevante a maior petroquímica da América Latina, que agora tem 90 dias para obter o percentual de apoio mínimo necessário (mais da metade dos créditos) e assegurar a vinculação de todos os credores ao plano.
A companhia afirmou que é "possível" que o plano definitivo inclua uma capitalização de uma parte da dívida, e conta com previsão de "eventual suporte de liquidez dos acionistas principais" -- IG4 e Petrobras -- se for necessário.
As ações da Braskem encerraram o dia em queda de 6,7%, liderando a ponta negativa do Ibovespa, que subiu 0,51%. Enquanto isso, as ações da Petrobras registraram queda de mais de 2%.
"Entendemos que a notícia já era amplamente esperada, considerando o fim da liminar que garantia proteção por 60 dias" à empresa contra os credores", afirmaram analistas do Citi em relatório a clientes mais cedo, quando a empresa anunciou que faria o pedido de recuperação extrajudicial.
A Braskem também afirmou que faz parte do plano preliminar o compromisso dos principais acionistas da empresa de aportar capital se a companhia não conseguir cumprir métricas de desempenho a serem negociadas com os credores.
Na semana passada, a Braskem Idesa, uma joint venture entre a empresa brasileira e o grupo mexicano Idesa, fez pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, citando dívidas de US$2,5 bilhões.
CREDORES
Na lista de credores aderentes divulgada pela Braskem, a maior dívida, de US$734,8 milhões, refere-se a títulos de 4,5% com vencimento em 2030 emitidos em 2019 pela Braskem Netherlands Finance. Desses, 6,7% são listados como "crédito aderente".
Em seguida, aparecem cinco emissões de dívida do grupo com vencimentos entre 2028, 2031, 2033, 2034 e 2050.
O banco britânico Barclays é o sétimo maior credor aderente listado pela Braskem, com uma linha de crédito rotativo de 2021 no valor de US$213,6 milhões.
Completando a relação dos dez maiores credores aderentes da Braskem, aparecem títulos de dívida com vencimento em 2081 (US$171 milhões), uma linha de pré-pagamento de exportações (US$51 milhões) e dívida com prazo em 2041 (US$77,8 milhões).
Nos não aderentes, o principal credor listado é o BNY Mellon, com US$795,7 milhões em títulos de dívida com vencimento em 2030, segundo a listagem da Braskem.
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