'Brasileiro tem dois sonhos: o CEP, que é a casa própria, e o CNPJ, para empreender', diz Tarcísio
O governador de São Paulo afirmou, no Top Imobiliário 2025, que o setor gera muito emprego, mexe com a economia e, 'quando a gente provoca (com políticas públicas), ele responde'
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, exaltou a importância de combater o déficit habitacional, como "uma política de Estado", ao falar no Top Imobiliário 2025, que nesta segunda-feira, 30, Dia do Mercado Imobiliário Estadão, premiou as empresas mais ativas do setor no último ano.
Com boas políticas públicas, destacou, é possível oferecer moradia de qualidade, com padrão de classe média, mesmo para quem tem salário muito baixo, de até dois salários mínimos. "O brasileiro tem dois grandes sonhos: o primeiro é o CEP, que significa casa própria, e o segundo é o CNPJ, que é quando ele quer se tornar empreendedor", afirmou.
Promovido pelo Estadão em parceria com a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) e com apoio do Secovi-SP, o Top Imobiliário demonstrou a resiliência do setor mesmo em um cenário de juros altos.
Dados do Secovi-SP indicam que 119 mil unidades residenciais foram lançadas na cidade de São Paulo entre maio de 2024 e abril de 2025. Neste mesmo período, a cidade registrou a venda geral de mais de 110 mil unidades. Segundo o governador, esses resultados foram alcançados com o estímulo de políticas públicas voltadas para a habitação.
"É um setor que gera muito emprego, mexe com a economia e, quando a gente provoca o setor imobiliário, ele responde", comentou. Ele salientou a importância de ferramentas, como a carta de crédito associativo, a carta de crédito imobiliário e a produção habitacional via Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU).
Tarcísio afirmou que seu mandato tem como um dos objetivos estruturar o maior programa habitacional da história de São Paulo. "Estamos saindo de uma produção de 20 mil a 35 mil unidades a cada quatro anos com incentivo do Estado para cerca de 210 mil unidades", disse. "A gente tem praticamente 60 mil unidades entregues, 110 mil em produção e 42 mil unidades já autorizadas."
Novo centro administrativo
Durante o painel, Tarcísio também chamou atenção para a transferência da sede do governo estadual para o Centro de São Paulo. Na terça-feira, 24, o governador publicou um edital para a concessão administrativa do Centro Administrativo dos Campos Elíseos em um projeto que prevê mais de R$ 5,4 bilhões em investimentos.
Conforme noticiado pelo Estadão, a concessão será na modalidade de Parceria Público-Privada (PPP), com prazo de 30 anos. A sessão de entrega dos envelopes está marcada para o dia 6 de outubro, com abertura das propostas prevista para 10 de outubro, ambas na sede da B3, em São Paulo. O complexo prevê uma estrutura com capacidade para cerca de 22,7 mil servidores, que devem ser distribuídos em sete edifícios e dez torres.
Ao condensar sedes e órgãos públicos do governo em um só local, a expectativa é de que o projeto transforme cerca de 830 m² em 240 mil m². "É essa a eficiência que a gente quer. Fica mais barato para o Estado manter todos estes ativos", explicou. O projeto, desenvolvido a partir do retrofit, prevê a demolição de construções e a desapropriações na região.
A ideia desta mudança é atrair investimentos, impulsionar o comércio e criar novas oportunidades de investimento na região. "Estamos pensando em uma série de outros equipamentos para a área, como o VLT, que vai contribuir com a mobilidade urbana", antecipa. "Estamos muito empolgados com este projeto. É um exercício de pensar o futuro."
O Dia do Mercado Imobiliário Estadão tem patrocínio da AW Realty Incorporadora e do QuintoAndar e apoio da CDHU.