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Brasileiro já ‘nasce’ devendo R$ 40 mil da dívida pública, que chegou a R$ 8,6 tri e cresce sem freio

Avanço acelerado da dívida reacende debate sobre ajuste fiscal e reformas para evitar nova crise econômica

13 mar 2026 - 04h58
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Dados do Tesouro Nacional mostram que o endividamento avançou mais de R$ 1,3 trilhão no ano passado
Dados do Tesouro Nacional mostram que o endividamento avançou mais de R$ 1,3 trilhão no ano passado
Foto: Divulgação/Govbr

Se a dívida pública, soma do que a União, os Estados e os municípios devem no país e no exterior, fosse dividida igualmente entre os brasileiros, a conta para cada um ficaria em torno de R$ 40 mil. Esse é o valor "per capita" que o Terra chegou repartindo pelos 213,4 milhões de brasileiros a dívida de R$ 8,635 trilhões do setor público, segundo os números mais recentes divulgados pelo Banco Central (BC).

Em 2025, a renda domiciliar per capita mensal no Brasil foi estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em R$ 2.316, o que corresponde a R$ 27.792 por ano. Isso significa que, se todos os brasileiros tivessem exatamente a mesma renda e o Estado decidisse quitar em um único ano toda a sua dívida, nem mesmo a renda anual média de cada cidadão seria suficiente para cobrir a conta.

Na prática, cada brasileiro teria que entregar mais do que tudo o que ganha em um ano inteiro e ainda faltariam cerca de R$ 12 mil para completar o valor da dívida individual. Em outras palavras, mesmo abrindo mão de toda a renda anual, o brasileiro médio ainda ficaria devendo.

Marcos Mendes, economista e pesquisador associado do Insper, afirma que diante desse cenário assustador das contas públicas o Brasil precisa de ajuste fiscal para evitar uma crise. O especialista lembra que uma nova crise fiscal teria um custo muito grande para a sociedade.

“Entre 2014 e 2016, quando enfrentamos uma crise fiscal, o PIB caiu quase 7%, empobrecendo as famílias. O ajuste necessário é o reequilíbrio entre receitas e despesas, para interromper o ciclo vicioso em que o déficit aumenta os juros e os juros altos aceleram o crescimento da dívida”, afirma Mendes.

Dados do Tesouro Nacional mostram que o endividamento estava em R$ 7,316 trilhões em dezembro de 2024, mas avançou mais de R$ 1,3 trilhão no ano passado, impulsionado, segundo o governo, “principalmente pela apropriação de juros, refletindo, em grande medida, o patamar da taxa de juros da economia”. 

Marcos Piellusch, professor da FIA Business School, discorda em parte da justificativa do Tesouro. Ele explica que a expansão da dívida em 2025 foi resultado da combinação de três fatores principais: o déficit fiscal, o custo elevado dos juros e a própria dinâmica de financiamento do governo.

“O aumento da dívida em 2025 reflete uma combinação clássica da dinâmica fiscal: déficit público persistente, custo elevado de carregamento da dívida e necessidade contínua de emissão de títulos para financiar o governo e refinanciar obrigações existentes”, afirma Piellusch.

Marcos Mendes ressalta que é muito comum o argumento de resolver o problema fiscal reduzindo os juros. Segundo o economista, no entanto, o que o país precisa é resolver as fontes do crescimento da despesa, fazendo reformas que controlem o crescimento dessa despesa e a corrosão da receita.

“É necessário fazer a reforma da previdência social, mudando as regras de concessão de benefícios sociais, mudando a regra de reajuste anual dos benefícios sociais e previdenciários, acabando com os supersalários, reduzindo benefícios fiscais distribuídos, entre outras reformas”, enfatiza Mendes.

Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, afirma que o principal risco no momento é a manutenção de uma pressão elevada do setor público sobre a economia, o que tende a exigir juros médios mais altos ao longo do tempo para financiar o endividamento do governo.

Para Salto, embora a dívida brasileira seja majoritariamente interna e emitida em moeda nacional, o que reduz vulnerabilidades típicas de crises em países emergentes, o quadro fiscal segue frágil e demanda medidas estruturais para evitar a deterioração das contas públicas.

“O quadro deficitário persistente requer ajustes nos gastos obrigatórios, para que sua trajetória de crescimento seja mais adequada à capacidade de geração de receitas pelo Estado. Isso significa enfrentar a agenda de mudança nos supersalários, nas emendas parlamentares, nas renúncias tributárias, na indexação de gastos ao salário-mínimo e nos programas ineficientes sustentados há décadas sem avaliação e monitoramento”, afirma Salto.

Ainda segundo Salto, embora algumas medidas recentes do governo Lula tenham buscado aumentar a arrecadação -- com a tributação de fundos exclusivos, investimentos offshore, bets e fintechs -- e melhorar a gestão de programas sociais, falta um plano mais amplo de contenção de despesas.

“O que está faltando, a meu ver, é um programa mais amplo de contenção do gasto, capaz de reverter os déficits atuais e colocar o país em situação de superávit suficientemente alto para garantir as condições de sustentabilidade da dívida”, ressalta.

Projeção para o estoque da dívida em 2026 e 2027

Para 2026, o Tesouro projeta que o estoque da dívida pública federal deve ficar entre aproximadamente R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. Para 2027, a tendência é de continuidade do crescimento nominal da dívida, ainda que o ritmo possa variar dependendo do resultado fiscal e do comportamento dos juros.

“Mesmo em cenários de ajuste gradual, o governo ainda precisa financiar déficits e pagar juros sobre um estoque elevado de dívida. Assim, a dívida tende a continuar crescendo em termos nominais no curto prazo”, ressalta Marcos Piellusch.

Nas projeções de Felipe Salto, a dívida bruta do governo geral será da ordem de 83,7% do PIB (ou R$ 11,336 trilhões) e de 87,5% do PIB (ou R$ 12,593 trilhões) para 2026 e 2027, respectivamente.

Como é composta a dívida pública

A dívida é composta principalmente por títulos da dívida interna, que são vendidos aos poupadores diretamente. Qualquer pessoa pode comprar um título do governo através da plataforma Tesouro Direto ou por meio de instituições financeiras ou fundos de investimento. 

Há, também, títulos da dívida externa, vendidos a pessoas ou instituições financeiras e fundos no exterior, denominadas em moedas estrangeiras, e dívida bancária, principalmente de estatais, estados e municípios.  

O setor público também tem créditos a receber e saldos em contas bancárias, que são deduzidos da dívida bruta, para calcular a dívida líquida.  Os principais itens de abatimento da dívida são: 

  • o saldo da conta única do Tesouro Nacional; 
  • saldo bancário de estados, municípios e estatais; 
  • os créditos de empréstimos do governo a bancos públicos e empresas;
  • financiamentos concedidos pelo setor público (por exemplo, financiamentos agrícolas). 

“A dívida cresce pela incidência de juros sobre o saldo devedor e pelo déficit público [diferença entre despesa e receita]. Esses fatores se retroalimentam: se o déficit e a dívida são altos, aumenta o risco de emprestar para o governo, o que faz os emprestadores pedirem taxas de juros mais altas para fazer esse empréstimo”. explica Mendes.

Fonte: Portal Terra
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