Defasagem da gasolina ultrapassa 70% enquanto governo avalia medidas sobre tributos
Petrobras não mexe no preço da gasolina desde 27 de janeiro deste ano; diesel tem defasagem de 49% nas refinarias da estatal
RIO - A defasagem da gasolina vendida em algumas refinarias da Petrobras disparou para mais de 70% no fechamento de segunda-feira, 27, quando o petróleo tipo Brent ultrapassou os US$ 101 o barril. Na média, a gasolina da estatal está 68% abaixo do preço no mercado internacional, abrindo espaço para um aumento de R$ 1,70 por litro, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).
No polo de Paulínia, no Estado de São Paulo, a gasolina está 71% mais barata do que no exterior e, em Araucária, no Paraná, 72%.
Na semana passada, o governo enviou ao Congresso um projeto de lei complementar para permitir que as receitas extraordinárias com petróleo sejam usadas para reduzir tributos sobre combustíveis, como PIS/Cofins e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que incidem sobre diesel, etanol, gasolina e biodiesel. Mas, até o momento, nenhuma decisão foi anunciada.
A Petrobras não mexe no preço da gasolina desde 27 de janeiro deste ano, quando reduziu em média o preço do litro nas refinarias em R$ 0,14 o litro. Segundo a Abicom, a janela de importação está fechada há 62 dias.
O Brasil importa menos de 10% da gasolina que consome e a estatal tem aumentado o fator de utilização (Fut) das suas refinarias e adiado manutenções para garantir o abastecimento do mercado.
Na Bahia, a Refinaria de Mataripe também opera com preços mais baixos do que no exterior no caso da gasolina, mas com defasagem de 9% em relação ao mercado internacional. A unidade é responsável por 14% do refino no País e está na mira da Petrobras para uma possível recompra, após ter sido privatizada no governo de Jair Bolsonaro.
Diesel
O diesel também segue com o preço defasado no Brasil, da ordem de 39% na média e em 49%, levando em conta apenas as refinarias da Petrobras. A estatal poderia elevar o combustível em R$ 1,76 o litro para atingir a paridade de importação (PPI). Em Mataripe, o diesel está sendo negociado 9% acima do preço externo.
As defasagens calculadas pela Abicom não consideram os valores do diesel russo, que pode chegar aos portos brasileiros com descontos variáveis.
A Acelen, que controla Mataripe, pratica o PPI e tem feito reajustes semanais. Na semana passada, a refinaria baiana reduziu o preço da gasolina em R$ 0,05 o litro e o diesel em R$ 0,06 o litro.
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