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Brasil tem taxa de desemprego de 5,4% no tri até janeiro e aponta para estabilização

5 mar 2026 - 09h02
(atualizado às 09h57)
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A taxa de ‌desemprego no Brasil voltou a subir no início de 2026 depois de renovar as menores marcas da série histórica, apontando para uma estabilização em um mercado de trabalho ainda resiliente.

Pessoas avaliam vagas de emprego no centro de São Paulo
30/09/2020. REUTERS/Amanda Perobelli
Pessoas avaliam vagas de emprego no centro de São Paulo 30/09/2020. REUTERS/Amanda Perobelli
Foto: Reuters

Nos três meses até janeiro, a taxa de desemprego foi de 5,4%, com alta em relação aos 5,1% no quarto trimestre, mas estável na comparação com os três meses imediatamente anteriores, até outubro, mostraram os dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro ⁠de Geografia e Estatística (IBGE).

A leitura dos três meses até janeiro ficou em linha com a expectativa em pesquisa ‌da Reuters. No mesmo período do ano anterior a taxa havia sido de 6,5%.

"A sazonalidade é comum no começo de cada ano e a subida em janeiro era esperada", disse Adriana Beringuy, coordenadora do IBGE. "Os ‌resultados do trimestre encerrado em janeiro de 2026 apontam fundamentalmente para ‌a estabilidade dos indicadores de ocupação."

O dado divulgado nesta quinta-feira abrange dois meses do final de ⁠2025, mas tradicionalmente a taxa de desemprego sobe no início do ano devido à dispensa de funcionários temporários contratados no final do ano.

Analistas avaliam que o mercado de trabalho deve continuar forte em 2026, mas que a taxa de desemprego pode apresentar leves altas ao longo do ano em movimentos de correção diante dos níveis baixos atuais.

Por outro lado, o rendimento real chegou a R$3.652 nos três meses até janeiro, o mais ‌alto da série iniciada em 2012.

O desemprego baixo com renda elevada é um dos indicadores que são foco de ‌atenção do Banco Central, já que ⁠dificulta o controle da inflação. ⁠O BC volta a se reunir neste mês para decidir sobre a taxa básica de juros, com expectativa de corte ⁠na Selic, embora tenha entrado no radar agora a guerra ‌entre Estados Unidos e Israel contra ‌o Irã.

"Apesar da alta da desocupação em janeiro, o país atravessa um quadro de desemprego em mínimas históricas, crescimento real dos salários e elevado grau de formalização, combinação que favorece o avanço da renda e do consumo. Diante desse cenário, o Banco Central tende a conduzir um ciclo de ⁠cortes de juros mais cauteloso e gradual ao longo do ano", avaliou Rafael Perez, economista da Suno Research.

No trimestre até janeiro, o número de desempregados foi o menor da série, enquanto o de ocupados chegou ao nível mais alto.

No período, o número de desempregados caiu 1,0% em relação ao trimestre de agosto a outubro, chegando a 5,851 milhões, uma queda ainda de 17,1% ‌na comparação anual.

Já o total de ocupados avançou 0,1% na comparação trimestral e 1,7% na anual, atingindo 102,671 milhões de pessoas.

O IBGE considera essas variações trimestrais de ambos os indicadores como estabilidade.

"Não vemos espaço ⁠para uma melhora continuada do mercado de trabalho. Os principais indicadores se encontram próximos do topo e vemos sinais de perda de dinamismo, na margem, no mercado de trabalho, com os setores mais sensíveis ao ciclo encontrando maiores dificuldades", avaliou André Valério, economista sênior do Inter.

O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado aumentou 0,4% nos três até janeiro sobre o trimestre imediatamente anterior, enquanto os que não tinham carteira recuaram 1,3%.

A taxa de informalidade --proporção de trabalhadores informais na população ocupada-- foi de 37,5% no trimestre até janeiro, menor resultado desde julho de 2020, equivalente a 38,5 milhões de trabalhadores informais.

"Especificamente no atual trimestre, a retração da taxa esteve associada à tendência de queda do emprego sem carteira no setor privado e de expansão da cobertura de registro no CNPJ dos trabalhadores por conta própria", disse Beringuy.

Nesta semana, o Ministério do Trabalho e Emprego informou que o Brasil abriu 112.334 vagas formais de trabalho em janeiro, menor resultado para o mês desde 2023 mas acima da expectativa de economistas.

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