Brasil tem taxa de desemprego de 5,4% no tri até janeiro e aponta para estabilização
A taxa de desemprego no Brasil voltou a subir no início de 2026 depois de renovar as menores marcas da série histórica, apontando para uma estabilização em um mercado de trabalho ainda resiliente.
Nos três meses até janeiro, a taxa de desemprego foi de 5,4%, com alta em relação aos 5,1% no quarto trimestre, mas estável na comparação com os três meses imediatamente anteriores, até outubro, mostraram os dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A leitura dos três meses até janeiro ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters. No mesmo período do ano anterior a taxa havia sido de 6,5%.
"A sazonalidade é comum no começo de cada ano e a subida em janeiro era esperada", disse Adriana Beringuy, coordenadora do IBGE. "Os resultados do trimestre encerrado em janeiro de 2026 apontam fundamentalmente para a estabilidade dos indicadores de ocupação."
O dado divulgado nesta quinta-feira abrange dois meses do final de 2025, mas tradicionalmente a taxa de desemprego sobe no início do ano devido à dispensa de funcionários temporários contratados no final do ano.
Analistas avaliam que o mercado de trabalho deve continuar forte em 2026, mas que a taxa de desemprego pode apresentar leves altas ao longo do ano em movimentos de correção diante dos níveis baixos atuais.
Por outro lado, o rendimento real chegou a R$3.652 nos três meses até janeiro, o mais alto da série iniciada em 2012.
O desemprego baixo com renda elevada é um dos indicadores que são foco de atenção do Banco Central, já que dificulta o controle da inflação. O BC volta a se reunir neste mês para decidir sobre a taxa básica de juros, com expectativa de corte na Selic, embora tenha entrado no radar agora a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
"Apesar da alta da desocupação em janeiro, o país atravessa um quadro de desemprego em mínimas históricas, crescimento real dos salários e elevado grau de formalização, combinação que favorece o avanço da renda e do consumo. Diante desse cenário, o Banco Central tende a conduzir um ciclo de cortes de juros mais cauteloso e gradual ao longo do ano", avaliou Rafael Perez, economista da Suno Research.
No trimestre até janeiro, o número de desempregados foi o menor da série, enquanto o de ocupados chegou ao nível mais alto.
No período, o número de desempregados caiu 1,0% em relação ao trimestre de agosto a outubro, chegando a 5,851 milhões, uma queda ainda de 17,1% na comparação anual.
Já o total de ocupados avançou 0,1% na comparação trimestral e 1,7% na anual, atingindo 102,671 milhões de pessoas.
O IBGE considera essas variações trimestrais de ambos os indicadores como estabilidade.
"Não vemos espaço para uma melhora continuada do mercado de trabalho. Os principais indicadores se encontram próximos do topo e vemos sinais de perda de dinamismo, na margem, no mercado de trabalho, com os setores mais sensíveis ao ciclo encontrando maiores dificuldades", avaliou André Valério, economista sênior do Inter.
O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado aumentou 0,4% nos três até janeiro sobre o trimestre imediatamente anterior, enquanto os que não tinham carteira recuaram 1,3%.
A taxa de informalidade --proporção de trabalhadores informais na população ocupada-- foi de 37,5% no trimestre até janeiro, menor resultado desde julho de 2020, equivalente a 38,5 milhões de trabalhadores informais.
"Especificamente no atual trimestre, a retração da taxa esteve associada à tendência de queda do emprego sem carteira no setor privado e de expansão da cobertura de registro no CNPJ dos trabalhadores por conta própria", disse Beringuy.
Nesta semana, o Ministério do Trabalho e Emprego informou que o Brasil abriu 112.334 vagas formais de trabalho em janeiro, menor resultado para o mês desde 2023 mas acima da expectativa de economistas.