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Caixa vê carteira de crédito de R$1,5 tri ainda no 1º semestre

5 mar 2026 - 10h57
(atualizado às 12h31)
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A Caixa deve alcançar uma carteira de crédito de ‌R$1,5 trilhão ainda no primeiro semestre de 2026, estimou o presidente do banco estatal, Carlos Vieira, em conferência para comentar o desempenho da instituição no ano passado.

"Vai chegar a R$1,5 trilhão, vamos comemorar certamente ainda no primeiro semestre esse número", afirmou.

A Caixa encerrou 2025 com um portfólio de R$1,38 trilhão, crescimento de 11,5% em relação ao final de dezembro de 2024. Para 2026, conforme as projeções divulgadas ⁠na véspera, o banco estima expansão de 9% a 13% para sua carteira de crédito.

Em termos de ‌provisões para créditos de liquidação duvidosa, a previsão é de que fique ao redor de R$20 bilhões neste ano, de acordo com a vice-presidente de Riscos da Caixa, Henriete Sartori, após tais despesas ‌somarem R$16 bilhões no ano passado.

AGRO

O vice-presidente de Finanças e ‌Controladoria do banco, Marcos Brasiliano, ressaltou na coletiva a relevância do segmento rural para o ⁠banco, mas pontuou que o plano é de estabilidade do portfólio, que fechou 2025 em R$62,9 bilhões.

O índice de inadimplência nesse segmento, porém, saltou para 14,09% no último trimestre de 2025, de 3,73% um ano antes, com o banco destacando que operações de custeio sofreram com a queda dos preços das commodities e o aumento dos custos dos insumos, enquanto as operações de investimento também foram impactadas, ‌reflexo do cenário de juros e da desvalorização dos ativos.

Sartori destacou que o banco fez uso da medida ‌provisória 1.314, com as renegociações ⁠via esse mecanismo somando em ⁠torno de R$2 bilhões. "Tivemos um resultado mais efetivo agora no mês de janeiro nessas renegociações", acrescentou.

A MP 1.314, ⁠publicada no ano passado, estabelece regras especiais para produtores rurais ‌liquidarem e amortizarem operações de ‌custeio, investimento e CPR.

A executiva acrescentou que a expectativa é de um "platô" na inadimplência dessa carteira no primeiro trimestre e reforçou que a Caixa tem provisões que fazem frente às eventuais perdas e medidas de renegociação fortes para recuperar o máximo possível.

BRB

Questionado sobre interesse em ativos do ⁠BRB, o presidente da Caixa afirmou que "a Caixa olha para toda essa situação como um banco qualquer de mercado, que se tiver alguma carteira de interesse, vai discutir".

A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou na terça-feira projeto de capitalização do banco estatal de Brasília, incluindo a obtenção de um empréstimo de R$6,6 bilhões e a utilização de nove ‌imóveis públicos.

O objetivo da capitalização do banco estatal brasiliense é fazer frente ao prejuízo contraído pela instituição financeira com investimentos no Banco Master, alvo de liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro do ⁠ano passado.

A Caixa também não prevê efeito no seu balanço da determinação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) que seus participantes antecipem contribuições ordinárias mensais para assegurar a recomposição do patrimônio do fundo.

Brasiliano citou a decisão do BC nesta semana, que autorizou as instituições financeiras a deduzirem dos seus recolhimentos compulsórios sobre depósitos à vista e a prazo o valor a ser antecipado obrigatoriamente ao FGC.

"Nós estamos fazendo conta, mas nós não temos expectativas de que isso venha impactar balanço a partir dessa resolução do Banco Central que permitiu acessar os compulsórios", citou o vice-presidente de Finanças.

O FGC foi abalado por pagamentos bilionários a correntistas do banco Master após a instituição ser liquidada pelo BC. São 84 meses de antecipação até 2028.

"Se não houvesse isso, de fato, (a antecipação) teria um impacto principalmente pela antecipação das contribuições e pela contribuição extraordinária que o FGC também já tinha aprovado. Hoje, a expectativa é não impacto no balanço."

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