Ibovespa cai com continuidade da guerra no Irã; balanços no radar
O Ibovespa tinha queda firme na manhã desta quinta-feira, enquanto os investidores monitoravam os desdobramentos da guerra no Oriente Médio, ao mesmo tempo em que os agentes aguardam a publicação de balanços que saem após o fechamento, com destaque para a Petrobras.
Por volta de 11h35, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caía 1,83%, a 181.966,32 pontos. O volume financeiro somava R$4,23 bilhões.
As preocupações com a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que entrou no sexto dia, persistem, à medida que os bombardeios entre os países envolvidos seguem sem nenhuma previsão de trégua.
O Irã prometeu se vingar do ataque com torpedos dos Estados Unidos a um navio de guerra iraniano na costa do Sri Lanka, que matou mais de 80 marinheiros a milhares de quilômetros da zona de combate. O ministro das Relações Exteriores do Irã disse que o navio foi atingido sem aviso prévio em águas internacionais e que Washington "se arrependeria amargamente" do precedente que estabeleceu.
"Temos observado cada vez mais receios em relação ao estreito de Ormuz, já que tende a impactar o mundo como um todo", destacou Bruna Centeno, economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos.
Aproximadamente 300 petroleiros permanecem dentro do estreito, já que o tráfego de embarcações que entravam e saíam do estreito quase parou após o início da guerra, de acordo com dados de rastreamento de navios da Vortexa e da Kpler, que excluem alguns dos petroleiros menores.
Nesse contexto, os preços do petróleo seguem em alta, com o Brent subindo mais de 2% pela manhã, o que impulsionava algumas das ações do setor no Ibovespa.
Na agenda doméstica, o cenário corporativo tem como destaque os balanços de Petrobras, CPFL, Eneva, Fleury e Renner.
No campo macroeconômico, mais cedo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego subiu para 5,4% nos três meses até janeiro, ante 5,1% dos três meses até dezembro. A leitura veio em linha com a expectativa de economistas em pesquisa da Reuters. No mesmo período do ano anterior, a taxa havia sido de 6,5%.
DESTAQUES
- PETROBRAS PN caía 0,79%, enquanto os investidores aguardam o resultado do quarto trimestre do ano passado da estatal, que será divulgado após o fechamento do mercado.
- PRIO ON avançava 2,05% e PETRORECONCAVO subia 1,2%, puxadas pelos ganhos do petróleo.
- VALE ON recuava 1,55%, contrariando o avanço do minério de ferro no exterior.
- ITAÚ UNIBANCO PN caía 2%, BRADESCO PN recuava 1,85%, BANCO DO BRASIL ON perdia 1,73% e SANTANDER BRASIL UNIT caía 1,71%, em dia negativo para o setor.
- RAÍZEN PN subia 1,67%. Na quinta-feira, a companhia disse que está analisando uma proposta liderada pela Shell de capitalização de R$4 bilhões, ao mesmo tempo em que indicou que a solução para sua crise de endividamento pode ocorrer por meio de uma recuperação extrajudicial.
- LOCALIZA ON caía 4,41%, liderando as perdas do Ibovespa, após o UBS BB cortar a recomendação do papel para "neutra". O preço-alvo foi elevado de R$50 para R$55.