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Brasil tem déficit em conta corrente de 3,02% do PIB em 2025, coberto por investimento estrangeiro

26 jan 2026 - 08h49
(atualizado às 11h57)
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O déficit em conta corrente do Brasil fechou 2025 em relativa estabilidade em relação ao ano anterior, em resultado coberto com folga pelo ingresso de investimentos estrangeiros no país.

O saldo das contas externas ficou em 3,02% do Produto Interno Bruto em 2025, de 3,03% em 2024, de acordo com dados divulgados pelo ‌Banco Central nesta segunda-feira.

Os investimentos diretos no país somaram US$77,676 bilhões no ano passado, equivalente a 3,41% do PIB, contra US$74,091 bilhões em 2024, ou ‌3,39% do PIB.

"(O dado) reafirma uma situação de contas externas no país bastante sólidas e com o déficit de transações correntes inteiramente financiado pelos fluxos de investimento direto no país, que são a mais relevante fonte de financiamento do balanço de pagamentos", disse o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha.

Para o economista do ASA Leonardo Costa, apesar da estabilidade do déficit em proporção do PIB no ano, a composição recente é "mais construtiva", com ‍desempenho mais favorável da balança comercial e redução do déficit em serviços.

"Para 2026, a projeção é de leve melhora do déficit externo, ancorada na continuidade do ajuste da balança comercial e em serviços menos pressionados, mantendo o quadro externo relativamente confortável", afirmou.

O rombo nas contas externas do país vinha crescendo até fevereiro de 2025 e transcorreu o ano em relativa estabilidade, até registrar uma melhora mais firme em ‌dezembro.

No último mês do ano passado, o país teve déficit em transações correntes de US$3,363 bilhões, bem ‌menor do que a expectativa em pesquisa da Reuters de um saldo negativo de US$5,3 bilhões, e abaixo do rombo de US$10,237 bilhões de dezembro de 2024. O dado é o melhor para meses de dezembro desde 2015.

Em termos nominais, o Brasil fechou 2025 com um saldo negativo acumulado de US$68,791 bilhões nas transações correntes, contra déficit de US$66,168 bilhões em 2024.

Em dezembro, os investimentos diretos no país ficaram negativos em US$5,248 bilhões, contra resultado positivo de US$1,0 bilhão esperado na pesquisa da Reuters e ante entrada de US$160 milhões em dezembro de 2024. O valor foi o mais baixo para meses de dezembro da série histórica do BC.

De acordo com Rocha, o valor negativo é explicado por uma sazonalidade que concentra no fim do ano remessas de lucros ao exterior por empresas multinacionais que operam no país.

A partir de janeiro deste ano passou a valer uma retenção de 10% de Imposto de Renda na fonte sobre todas as remessas de lucros enviadas para o exterior, taxação proposta pelo governo e aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado que também pode ter levado empresas a anteciparem remessas.

Em dezembro, saídas líquidas em participação no capital somaram US$7,3 bilhões, resultado de ingressos de US$4,1 bilhões em participação no capital exceto lucros reinvestidos, e saídas de US$11,4 bilhões em lucros reinvestidos, explicou o BC, dizendo que o valor negativo denota que, no mês, a distribuição de lucros superou os lucros auferidos. As operações intercompanhia somaram ingressos líquidos de US$2,1 bilhões.

No mês, a conta de renda primária apresentou déficit de US$9,224 bilhões, ante rombo de US$10,075 bilhões no mesmo período ‌do ano anterior e fechou 2025 com um saldo negativo acumulado de US$81,347 bilhões.

Em dezembro, a balança comercial de bens teve superávit de US$8,814 bilhões, contra US$4,122 bilhões no mesmo mês de 2024, encerrando o ano passado com saldo positivo de US$59,952 bilhões.

Já o rombo na conta de serviços ficou em US$3,816 bilhões em dezembro, contra déficit de US$4,971 bilhões em dezembro do ano anterior, acumulando em 2025 saldo negativo de US$52,940 bilhões.

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