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Brasil pode avançar em carne kosher, mas novas normas exigem atenção, diz consultor

27 dez 2017 - 18h29
(atualizado às 19h08)
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Maior exportador global de carne bovina, o Brasil tem espaço para se fortalecer no mercado mundial de carne kosher, de maior valor agregado, mas precisará se adequar a novas normas de Israel, que incluem mudanças no abate dos bovinos, disse um especialista nesta quarta-feira.

Funcionários preparam carne salgada que passará por secagem e embalagem em planta da JBS em Santana de Parnaíba, no Brasil
19/12/2017
REUTERS/Paulo Whitaker
Funcionários preparam carne salgada que passará por secagem e embalagem em planta da JBS em Santana de Parnaíba, no Brasil 19/12/2017 REUTERS/Paulo Whitaker
Foto: Reuters

Até junho de 2018, os frigoríficos do Brasil e Mercosul habilitados para o abate kosher precisão instalar boxes rotativos para imobilização e outros procedimentos ligados ao abate humanitário e bem-estar animal.

As novas exigências para o produto kosher, que obedecem a uma série de leis da tradição judaica, representam uma oportunidade para o Brasil voltar a atuar com protagonismo neste mercado mundial, avalia Felipe Kleiman, consultor e especialista em abate Kosher.

Há alguns anos, as vendas de produtos kosher do Brasil atingiam 140 milhões de dólares ao ano. Atualmente, os frigoríficos vendem cerca de 70 milhões de dólares ao ano, segundo Kleiman.

"A demanda é crescente, o Brasil tem deixado de atender o mercado de Israel. Perdeu lugar para o Paraguai, que há menos de 15 anos não exportava nada para Israel" disse Kleiman.

Embora o custo de produção da carne kosher seja mais elevado, o retorno também é maior, explicou o consultor.

Para se adequar às novas leis determinadas por Israel, com a instalação de dois boxes rotativos, por exemplo, um frigorífico que já tem estrutura de abate kosher precisará desembolsar cerca de 1 milhão de reais, segundo Kleiman.

O valor de faturamento de um mês de produção kosher pode chegar a 5 milhões de reais, disse ele, compensando o investimento.

Segundo o consultor, o Egito, por exemplo, paga de 3,2 mil a 3,3 mil dólares a tonelada de dianteiro. Já Israel paga 4,9 mil dólares/tonelada pela mesma parte do boi.

"Ainda há um enorme espaço a explorar com a produção de carnes com valor agregado. Hoje o modelo de exportação é commodity. O valor agregado ocorre em Israel", explicou Kleiman.

Segundo ele, entre as empresas habilitadas a exportar o produto estão JBS, Marfrig, Minerva, Frisa e Frigoastra.

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