Brasil e emergentes resistem à desaceleração global, aponta relatório da OCDE
O Brasil deve crescer 2,4% em 2025, segundo projeções da OCDE divulgadas nesta terça-feira (2), mantendo um ritmo acima da média global, apesar do impacto das taxas de juros sobre os investimentos. A maior economia da América Latina deve desacelerar para 1,7% em 2026, mas continua entre os emergentes que surpreendem pela resiliência.
A OCDE destaca que, entre os emergentes, o crescimento do PIB "resistiu surpreendentemente bem", mesmo diante das incertezas políticas e comerciais. A China, por exemplo, terá expansão de 5% em 2025 (+0,1 ponto em relação à previsão anterior) e 4,4% em 2026, sustentada por investimentos em inteligência artificial e políticas fiscais de estímulo.
Na América Latina, o México teve projeções revisadas para baixo: 0,7% este ano e 1,2% em 2026. A Argentina também sofreu cortes: 4,2% em 2025 (-0,3 ponto) e 3% em 2026 (-1,3 ponto), reflexo das pressões sobre a taxa de câmbio e da instabilidade política, apesar da queda da inflação e de um ambiente mais favorável aos negócios.
Após avançar 3,3% em 2024, o PIB mundial deve registrar 3,2% em 2025 e 2,9% em 2026, sem alterações em relação às previsões de setembro. Em 2027, a taxa deve subir levemente para 3,1%. A OCDE atribui essa resiliência à antecipação do aumento das tarifas, aos investimentos em tecnologia e à redução das taxas de juros pelos bancos centrais.
EUA e Europa: impacto das tarifas
Nos Estados Unidos, as previsões melhoraram para 2% em 2025 e 1,7% em 2026, apesar da inflação persistente e da fragilidade do mercado de trabalho. A maior economia mundial resiste ao impacto das tarifas e à queda da imigração líquida, compensados por investimentos em software e equipamentos de processamento de informação, além do bom desempenho do mercado de ações.
Na zona do euro, o crescimento será de 1,3% em 2025 e 1% em 2026, com destaque para a Espanha, que lidera entre as grandes economias europeias: 2,9% este ano e 2,2% em 2026. A França deve crescer 0,8% em 2025 e 1% em 2026, impulsionada pelas exportações aeronáuticas. A Alemanha, maior economia do bloco, permanece em crise, com um crescimento de 0,3% (sem mudanças) em 2025 e 1% em 2026 (-0,1 ponto).
Alertas da OCDE
Apesar do cenário positivo, a organização alerta para "fragilidades" ligadas a novas tarifas e restrições às exportações de produtos críticos, como terras raras. "A economia mundial foi resiliente este ano, apesar dos temores de uma desaceleração mais acentuada devido ao aumento dos obstáculos ao comércio e à forte incerteza relacionada à ação pública", conclui o relatório.