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Bets aumentaram faturamento anual em 44,4% em janeiro, aponta pesquisa

Empresas de apostas online faturaram R$ 2,2 bilhões no período, segundo estudo da FecomercioSP; 25,2 milhões de CPFs únicos apostaram nas plataformas autorizadas no ano passado

29 abr 2026 - 15h11
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As empresas de apostas online faturaram R$ 2,2 bilhões em janeiro, crescimento de 44,4% ante janeiro de 2025, a segunda maior alta já registrada pela Pesquisa Conjuntural do Setor de Serviços (PCSS), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), à qual o Estadão/Broadcast teve acesso.

Os dados do estudo, de acordo com a entidade, evidenciam a velocidade da expansão das apostas na economia digital. Em janeiro de 2025, as empresas de apostas online registravam faturamento de R$ 1,5 bilhão. De acordo com a FecomercioSP, mais do que um nicho específico, o segmento se consolidou como um mercado relevante, com reflexos econômicos, regulatórios e sociais crescentes.

Diante disso, a partir deste ano, a entidade passa a fazer um acompanhamento da atividade dentro da PCSS, permitindo uma leitura mais precisa do crescimento e dos possíveis efeitos sobre o varejo e os serviços tradicionais.

Parte das apostas ainda se dá por meio de plataformas não regulamentadas, muitas vezes sediadas no exterior
Parte das apostas ainda se dá por meio de plataformas não regulamentadas, muitas vezes sediadas no exterior
Foto: Werther Santana/Estadão / Estadão

BC e as bets

O estudo da FecomercioSP cita estimativas do Banco Central, com base em transações via Pix, mostrando que os fluxos mensais direcionados às plataformas de apostas oscilaram entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões ao longo de 2024. Embora esses valores representem o volume financeiro bruto — e não a receita líquida do setor —, evidenciam a elevada capacidade de absorção da renda familiar.

Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda apontam que, no ano passado, houve 25,2 milhões de CPFs únicos apostando nas plataformas autorizadas, com 100,8 milhões de contas ativas nas marcas/bets. No mesmo período, o Gross Gaming Revenue (GGR) do mercado regulado somou R$ 36,96 bilhões, com R$ 4,53 bilhões em destinações legais.

Na avaliação da FecomercioSP, os números apontam para duas tendências principais: por um lado, o segmento está ampliando as receitas do setor de serviços e movimentando plataformas digitais. Por outro, pode estar levando ao deslocamento de renda, pressionando o orçamento das famílias e reduzindo a demanda por bens e serviços em segmentos mais tradicionais, especialmente frente a juros elevados, crédito restrito e endividamento alto.

"Além desses efeitos econômicos, a expansão do segmento ocorre em paralelo a entraves relevantes. Parte das operações ainda se dá por meio de plataformas não regulamentadas, muitas vezes sediadas no exterior, o que amplia os riscos ao consumidor. Nesses casos, não há garantias adequadas de proteção de dados, mecanismos eficazes de resolução de conflitos ou segurança na recuperação de valores", alerta a pesquisa da FecomercioSP.

A atuação irregular, diz a entidade, também dificulta a fiscalização estatal, compromete a arrecadação e amplia perigos associados à lavagem de dinheiro e à evasão regulatória. Por isso, o marco regulatório tem avançado no País.

As apostas de cota fixa passaram a exigir autorização prévia da SPA e, desde janeiro de 2025, apenas empresas autorizadas podem operar nacionalmente. Entre as exigências, destaca-se a utilização do domínio bet.br, medida que contribui para diferenciar operadores regulares de plataformas ilegais. Como parte do esforço de fiscalização, o governo federal já promoveu o bloqueio de milhares de sites irregulares, reforçando a atuação no controle do mercado.

Ainda, como pontua a FecomercioSP, a Agenda Regulatória da SPA 2025-2026 também prevê aprimoramento do ambiente regulatório, com foco no fortalecimento da fiscalização, na revisão do regime sancionador e na ampliação de instrumentos de proteção ao consumidor, incluindo mecanismos de impedimento de apostadores e atendimento a familiares em situação de dependência (ludopatia).

Paralelamente, continua a FecomercioSP, medidas específicas voltadas para a redução de riscos sociais e financeiros têm sido adotadas, como o Sistema Centralizado de Autoexclusão, que permite ao usuário bloquear voluntariamente seu acesso às apostas. Além disso, há iniciativas de educação financeira conduzidas em parceria com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Universidade de Brasília (UnB), com foco na prevenção do endividamento e no uso responsável.

"Além desses avanços institucionais, há evidências cada vez mais consistentes de que as apostas digitais estão associadas a endividamento, ansiedade, depressão e ruptura de vínculos familiares. Nesse contexto, o Ministério da Saúde lançou um guia nacional voltado para a conscientização e o enfrentamento desses impactos, enfatizando que o tema extrapola a dimensão econômica e demanda uma abordagem integrada de política pública", avalia a entidade.

Estadão
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