Vale vê impacto neutro da guerra no Irã para oferta global de minério de ferro
Por Marta Nogueira
RIO DE JANEIRO, 29 Abr - A mineradora Vale avalia que a guerra do Irã teve um impacto neutro sobre a oferta global de minério de ferro, uma vez que a produção de aço permanece estável, afirmou o vice-presidente executivo Comercial e Desenvolvimento da Vale, Rogério Nogueira, durante conferência com investidores nesta quarta-feira.
"No Oriente Médio, especificamente, a produção de aço também está estável, porque eles estão mantendo a produção com base nos estoques de sucata e de pelotas. Isso ocorre apesar de uma contração na produção de aço bruto do Irã", disse o executivo, ressaltando que a produção de aço naquele país foi interrompida.
"Mas o restante dos nossos clientes na região continua produzindo", acrescentou.
O executivo explicou ainda que no Bahrein, uma importante planta de pelotização foi desativada diante de uma dificuldade para receber pellet feed, com a matéria-prima sendo desviada para outros mercados, principalmente China e Ásia em geral. Mas essa oferta adicional, disse Nogueira, foi compensada pela ausência de exportações do Irã de minério de ferro.
"Portanto, nossa visão sobre o mercado, especificamente em decorrência do conflito, é neutra. Houve um impacto neutro sobre a oferta global de minério de ferro por causa do conflito no Irã", afirmou.
Nogueira disse ainda que, com o conflito e a alta dos preços do petróleo, a curva de custos foi deslocada para cima, entre US$5 e US$10 por tonelada, com algumas empresas menos competitivas sendo impactadas, o que acaba dando algum suporte aos preços atuais do minério de ferro.
A Vale espera ainda que o mercado de pelotas permaneça estável, considerando o saldo líquido entre oferta e demanda por pellet feed de alto teor. "Assim, no próximo trimestre, esperamos que os prêmios das pelotas fiquem estáveis ou apresentem até uma leve alta", afirmou.
Na China, Nogueira afirmou que a produção de aço bruto está estável, de acordo com dados de institutos independentes. A utilização dos altos-fornos, segundo o executivo, está em cerca de 90%, o que a Vale considera "extremamente positivo e elevado", disse ele.
"Ainda acreditamos e vemos a continuidade das exportações anualizadas de aço (pela China) em um nível de 100 milhões de toneladas em 2026. Infraestrutura e manufatura compensam um setor imobiliário fraco, que continua sendo, de fato, um setor desafiador para a China", afirmou.
Fora da China, Nogueira acrescentou que a Vale vê um mercado geral estável, apesar de variações por região. "No geral, vemos equilíbrio entre oferta e demanda, e a perspectiva de preços também é equilibrada", concluiu.
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