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Bento é o 16º ministro demitido do governo Bolsonaro

Bolsonaro não gostou de saber que técnicos do Ministério de Minas e Energia discutiram na Casa Civil edição de uma MP para bancar com recursos do Tesouro o 'Centrãoduto'

11 mai 2022 12h18
| atualizado às 19h39
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BRASÍLIA - O ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque é o 16ª demitido pelo presidente Jair Bolsonaro. A decisão ocorre após o Estadão revelar a manobra dentro do Congresso para destinar R$ 100 bilhões de recursos públicos para o 'Centrãoduto', uma espécie de fundo para a construção de uma rede de gasodutos que beneficia o empresário Carlos Suarez e seus sócios, únicos a deter quatro autorizações para a construção e oito distribuidoras espalhadas pelo País.

O ministro era contra a proposta de bancar com recursos do Tesouro Nacional os gasodutos, mas sua aproximação com políticos do Centrão que defendem o gasto público gerou desconfiança no Palácio do Planalto de que ele acabaria cedendo ao plano. Como o Estadão revelou, a Casa Civil, do ministro Ciro Nogueira, presidente do Progressistas, chegou a discutir a edição de uma Medida Provisória (MP) para viabilizar o "Centrãoduto" caso o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), não conseguisse aprovar um jabuti (medida estranha ao projeto original) com essa finalidade.

Segundo o Estadão apurou, Bolsonaro não gostou de saber pelo jornal que essa operação estava sendo montada por Ciro Nogueira com aval de técnicos do ministério de Bento. Técnicos de Minas e Energia e da Economia se reuniram na Casa Civil há duas semanas para discutir como viabilizar o negócio. Na ocasião, os técnicos da Economia foram contrários. Esse episódio foi a gota d'água para a demissão do ministro. Em resposta ao seu estilo "quem manda sou eu", Bolsonaro colocou um quadro da Economia, aliado de Paulo Guedes, que é contra o subsídio para o "Centrãoduto". O destino da rede de gasodutos agora é incerto.

Em abril de 2020, Bolsonaro se assumiu como membro do Centrão e recentemente entrou no PL, um dos principais partidos do grupo fisiológico. Desde então, o presidente tem compartilhado seu governo com indicações que atendem a seus aliados. Ele chegou a indicar o economista Adriano Pires e o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, para o comando da Petrobras, nomes que tinham aprovação de partidos do Centrão, mas que tiveram que desistir dos cargos por conflitos de interesse.

Com a saída de Bento, a Marinha fica sem nenhum almirante no alto escalão do governo. O Exército tem três ministros: Augusto Heleno (GSI), Luiz Eduardo Ramos (Secretária-Geral da Presidência) e Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira (Defesa).

Estadão
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