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BCE mantém taxas de juros e encara fraqueza do dólar com tranquilidade

5 fev 2026 - 10h29
(atualizado às 11h58)
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O Banco Central Europeu manteve as taxas de juros como esperado nesta quinta-feira, minimizando o impacto das flutuações do dólar nas suas futuras decisões e salientando que as perspectivas para a inflação permaneceram praticamente inalteradas.

O banco ‌central da zona do euro têm mantido os juros desde que encerrou uma série de cortes em junho, e o ‌crescimento surpreendentemente resiliente, aliado à diminuição das pressões sobre os preços, tirou quase toda a pressão das autoridades para fornecer qualquer suporte adicional.

Em comunicado, o BCE reconheceu as contínuas incertezas em torno da política comercial global e das tensões geopolíticas, mas afirmou que uma avaliação atualizada ainda prevê a estabilização da inflação na meta de 2% no ‍médio prazo.

"Estamos em uma situação amplamente equilibrada no momento", disse a presidente do BCE, Christine Lagarde, em uma coletiva de imprensa sobre os riscos positivos e negativos para essa perspectiva, reafirmando que a política monetária permanece em uma "boa posição".

Questionada sobre o impacto que a queda e a recuperação do dólar na semana ‌passada poderiam ter nas suas perspectivas, Lagarde afirmou que o Conselho do BCE ‌discutiu o assunto, mas salientou que a depreciação do dólar não é nova e remonta a março de 2025.

"Nas últimas semanas, na verdade desde o verão, ele tem flutuado dentro de uma faixa", disse ela, acrescentando que as autoridades concluíram, portanto, que os movimentos da taxa de câmbio desde o ano passado foram "incorporados em nosso cenário básico".

Um euro forte em relação ao dólar reduz os custos de importação, especialmente de energia, e refreia a inflação num momento em que esta já está abaixo da meta, embora temporariamente.

Lagarde repetiu a linha oficial do banco de que a política monetária será dependente dos dados e que não havia uma trajetória determinada previamente para os juros.

A inflação, o foco principal do BCE, caiu para 1,7% em toda a zona do euro no mês passado devido aos custos mais baixos da energia, e pode cair ainda mais antes de uma recuperação prevista para o próximo ano, reavivando memórias da luta do BCE para reacender o aumento dos preços na década anterior à pandemia de Covid.

Mas as expectativas de inflação de longo prazo têm subido, e não caído, devido aos dados sólidos de atividade e aos aumentos dos preços da energia.

A zona do euro tem se mostrado surpreendentemente ‌resiliente às disputas comerciais, já que o consumo interno parece estar compensando a queda nas exportações e a fraqueza da produção industrial.

Dadas as poupanças internas excepcionalmente elevadas e um mercado de trabalho forte, economistas esperam que o consumo mantenha o crescimento do bloco, com os gastos fiscais previstos pelo governo alemão em defesa e infraestrutura impulsionando ainda mais a expansão.

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