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BCE eleva juros para conter inflação provocada pela guerra

11 jun 2026 - 09h29
(atualizado às 11h14)
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O Banco Central ‌Europeu elevou as taxas de juros pela primeira vez em quase três anos nesta quinta-feira, na esperança de conter a inflação antes que o aumento nos custos da energia, provocado pela guerra no Irã, se espalhe mais amplamente pela economia da zona do euro.

Foi o primeiro aumento por parte de um dos principais bancos centrais globais em ⁠resposta ao choque energético e ocorre uma semana antes de o Federal Reserve, o Banco ‌do Japão, o Banco da Inglaterra e várias outras instituições decidirem sobre a política monetária.

O movimento, amplamente telegrafado, ocorre em um momento em que a inflação no bloco ‌monetário de 21 países já está acima de ‌3%, bem acima da meta de 2% do BCE, e o crescimento econômico ⁠é muito fraco — um cenário que tem dividido os economistas quanto à necessidade de uma política monetária mais restritiva.

As autoridades do BCE, algumas das quais já haviam pressionado por um movimento em abril, seguiram adiante com a decisão unânime, que foi acompanhada por projeções mais altas para a inflação neste ano e no próximo.

"A guerra no Oriente Médio ‌está gerando pressões inflacionárias, e a decisão de elevar os juros é sólida em uma ‌série de cenários que ⁠mapeiam como o choque ⁠pode evoluir", afirmou o BCE em comunicado.

O aumento desta quinta-feira é o primeiro desde setembro de ⁠2023 e eleva a taxa de depósito de ‌referência do BCE de 2,0% ‌para 2,25%.

Economistas esperavam amplamente o movimento, afirmando que ele foi projetada principalmente para conter as expectativas de inflação e salvaguardar a credibilidade do BCE, após sua lentidão em reagir ao pico de inflação pós-pandemia em 2022. Vários observadores do BCE ⁠a caracterizaram como um "aumento preventivo" — uma medida de precaução que pode ser revertida caso as pressões sobre os preços diminuírem.

Mas a presidente do BCE, Christine Lagarde, rejeitou essa caracterização.

"Não foi de forma alguma assim que conduzimos nossa discussão", disse ela em uma coletiva de imprensa. "Vamos monitorar atentamente quaisquer consequências adicionais ‌desse grande choque de energia", afirmou, reiterando que as decisões dependerão dos dados que forem surgindo.

Os mercados financeiros esperam mais dois aumentos nos juros, com o próximo previsto ⁠já para setembro, enquanto outros veem um aperto monetário mais limitado.

"Há risco de alta para a inflação, mas também há risco de queda para o crescimento", disse Mark Wall, economista-chefe para a Europa do Deutsche Bank. "Mais um aumento em setembro e pronto."

PROJEÇÕES DE INFLAÇÃO

As novas projeções básicas do BCE para a inflação apontam para 3,0% neste ano, 2,3% em 2027 e 2,0% em 2028, aproximando-as de um cenário "adverso" que o banco publicou em março.

As previsões de crescimento para 2026 e 2027 foram reduzidas em 10 pontos-base, e os números para 2028 foram revisados para cima na mesma proporção.

Consumidores, empresas e investidores financeiros revisaram suas próprias perspectivas sobre os aumentos de preços, embora as expectativas de médio prazo permaneçam próximas da meta do BCE e distantes dos níveis registrados após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

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