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BC do Japão indica aumento de juros no curto prazo e rendimento de títulos sobem

5 abr 2024 - 08h12
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O presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, disse que a inflação provavelmente acelerará do "verão para o outono" à medida que os grandes aumentos salariais elevarem os preços, informou o jornal Asahi na sexta-feira, sua mais forte sugestão de que outro aumento da taxa de juros é possível nos próximos meses.

A rara menção de um cronograma explícito fez com que os rendimentos dos títulos japoneses de dois anos atingissem o valor mais alto em mais de uma década, ajudando o iene a se distanciar ainda mais da mínima de 34 anos atingida na semana passada e dando uma certa trégua às autoridades preocupadas com os efeitos econômicos da fraqueza da moeda.

Em uma entrevista ao Asahi, Ueda disse que o banco central poderia "responder com a política monetária" se os movimentos do câmbio impulsionarem significativamente a inflação e os salários, sugerindo que quedas acentuadas do iene poderiam afetar o momento do próximo aumento dos juros.

"Encerramos nosso programa de estímulo maciço porque vimos que as perspectivas de que a tendência da inflação se aproximar de 2% estava à vista. Se ficarmos mais confiantes em relação a essas perspectivas, esse será um dos motivos para alterar as taxas de juros", disse Ueda.

"O alcance sustentável e estável de nossa meta de inflação de 2% está à vista. Espera-se que a possibilidade de atingi-la aumente cada vez mais", disse ele, de acordo com a entrevista realizada na quarta-feira.

Nesta sexta-feira, o ministro das Finanças do Japão, Shunichi Suzuki, também fez novos alertas sobre o câmbio, dizendo aos repórteres que as autoridades não descartarão nenhuma opção para lidar com as quedas excessivas do iene.

O iene atingiu a máxima de duas semanas e o rendimento dos títulos públicos japoneses de dois anos subiu para 0,21%, maior nível em 13 anos, já que os mercados precificaram a chance de um aumento mais cedo do que o esperado nos custos de empréstimos do Japão.

Ueda disse ao Asahi que espera que a inflação acelere "do verão para o outono", já que os aumentos salariais começam a dar poder de compra às famílias.

Os comentários destacam a convicção do banco central de que o aumento dos salários e da inflação ajudará a justificar a elevação das taxas de curto prazo do atual nível de 0%-0,1% já em julho.

"Conforme precificado pelos mercados, outro aumento das taxas por volta do outono está se tornando um cenário realista", disse Naoya Hasegawa, estrategista-chefe de títulos da Okasan Securities.

"Um aumento adicional dos juros em outubro-dezembro está sendo cogitado. Mas, considerando que Ueda mencionou que as perspectivas de se atingir uma inflação de 2% 'aumentarão cada vez mais', pode haver uma chance de aumento em julho-setembro", escreveram os analistas da SMBC Nikko Securities em uma nota.

Quando questionado se o Banco do Japão poderia aumentar as taxas de juros este ano, Ueda disse que isso "depende dos dados" e de quanto progresso o Japão faz para atingir de forma sustentável a meta de inflação de 2% do banco, de acordo com a Asahi.

O Banco do Japão divulgará novas previsões trimestrais de crescimento e inflação em sua próxima reunião em 25 e 26 de abril. O banco central também terá reuniões de política monetária em junho, julho, outubro e dezembro.

O Banco do Japão encerrou oito anos de taxas de juros negativas e outros resquícios de sua política monetária pouco ortodoxa no mês passado, fazendo uma mudança histórica em relação ao seu foco de reflacionar o crescimento com décadas de estímulo monetário maciço.

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