Balanços de big techs e risco na oferta de petróleo pressiona mercados
Índices futuros caem após Meta e Tesla divulgarem números
Em Nova York, os índices futuros caem após os balanços de Tesla e Meta, enquanto, no Brasil, a indefinição sobre os planos de ajuste fiscal dos candidatos à Presidência mantém os riscos das contas públicas no radar.
Os mercados globais recuam nesta quinta-feira (22), pressionados pela escalada das tensões no Oriente Médio, pela disparada do petróleo e pelas dúvidas sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial (IA). Em Nova York, os índices futuros caem após os balanços de Tesla e Meta, enquanto, no Brasil, a indefinição sobre os planos de ajuste fiscal dos candidatos à Presidência mantém os riscos das contas públicas no radar.
O petróleo avançou mais de 3% durante a madrugada, após novos ataques na Arábia Saudita e no Golfo Pérsico reacenderem os temores de interrupção do abastecimento. O Brent chegou a superar US$ 112 por barril. Às 8h30, o WTI para dezembro subia 1,86%, a US$ 98,96, enquanto o Brent para dezembro avançava 2,65%, a US$ 111,70. Apesar da recuperação das exportações pelo Estreito de Ormuz, o envio de derivados segue restrito.
No setor de tecnologia, a Tesla reduziu sua meta de investimentos em capital (capex) para 2026, reforçando as dúvidas dos investidores sobre os retornos esperados com IA. Já a Meta reportou que a receita cresceu 26%, para US$ 64,6 bilhões, acima dos US$ 63 bilhões projetados pelos analistas, mas o lucro operacional caiu 37%.
Com reflexo sobre os mercados globais, na Ásia, as bolsas fecharam em queda generalizada, com o Kospi, da Coreia do Sul, liderando as perdas em baixa de 3,52%, pressionado pelas ações da Samsung Electronics (-4%) e da SK Hynix (-5,5%). Na Europa, os mercados também operam no vermelho. A Hermès tombava 7,7% em Paris após desacelerar o crescimento das vendas no terceiro trimestre, enquanto o Barclays recuava depois de divulgar lucro e receita abaixo das expectativas.
No Brasil, a disputa presidencial e a ausência de propostas claras de ajuste fiscal mantêm a dívida pública no centro das preocupações. Goldman Sachs e Barclays avaliam que nem o atual presidente, nem Flávio Bolsonaro apresentaram planos definidos para reequilibrar as contas públicas às vésperas do segundo turno.
O Goldman Sachs avalia que o próximo presidente herdará uma trajetória de endividamento considerada insustentável, após quatro anos de déficits orçamentários superiores a 8% do Produto Interno Bruto (PIB) e dívida pública acima de 82% do PIB.
Para o banco, a apresentação de um plano fiscal crível poderia melhorar a percepção dos investidores e abrir espaço para uma redução sustentada dos juros. O Goldman também vê diferenças entre os candidatos: um eventual governo Flávio Bolsonaro tenderia a adotar uma agenda mais orientada ao mercado, enquanto um quarto mandato de Lula provavelmente manteria maior participação do Estado na economia.
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