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Ataque a siderúrgicas golpeia setor-chave da economia do Irã

2 abr 2026 - 08h31
(atualizado às 08h42)
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Especialistas vêem risco a longo prazo para exportação de aço, que gera empregos e receita estatal. Produção persa chega perto da brasileira, superando 30 milhões de toneladas em 2025.O bombardeio de duas das maiores siderúrgicas do Irã, a Mobarakeh Steel, em Isfahan, e a Khuzestan Steel, em Ahvaz, provocou forte reação dentro do país.

Enquanto alguns argumentam que elas são alvos militares legítimos na guerra no Oriente Médio, por direta ou indiretamente sustentarem a República Islâmica, outros criticam os ataques à infraestrutura industrial civil, que aumentam a pressão num país sob pressão dos bombardeios de Estados Unidos e Israel.

Existe, ainda, o risco de enfraquecimento a longo prazo da produção de aço do Irã, um dos setores industriais mais importantes do país.

Embora a economia iraniana dependa fortemente do petróleo, o país também esteve entre os maiores produtores de aço bruto em 2025. A Associação Mundial do Aço estimou a produção anual do Irã em cerca de 31,8 milhões de toneladas.

Em comparação, o Brasil produziu 33,3 milhões de toneladas no mesmo período, sendo o nono maior produtor mundial.

Golpe na capacidade de exportação

Só a Mobarakeh Steel gerou 860 milhões de dólares (R$ 4,5 bilhões) em receita de exportação entre março de 2025 e janeiro de 2026, segundo relatórios ligados à empresa.

Um ataque aéreo a uma planta deste porte afeta mais do que as forças militares iranianas. Trata-se também de um golpe nas cadeias de suprimento, nos empregos do setor industrial, nas exportações e em um dos poucos setores da economia iraniana que ainda têm peso real.

A extensão total dos danos ainda não foi esclarecida de forma independente. Veículos iranianos ou especializados em commodities descrevem um quadro de prejuízos significativos.

A Argus Media, organização focada nos mercados globais de energia e commodities, reportou que os ataques danificaram instalações de armazenamento e infraestrutura elétrica tanto da Khuzestan Steel quanto da Mobarakeh. Os ataques devem reduzir a produção do Irã e sua capacidade de exportação, na sua previsão.

O Wall Street Journal, por sua vez, reportou que a Khuzestan Steel havia interrompido as operações, enquanto a Mobarakeh permanecia em funcionamento, apesar dos danos.

Um representante da Khuzestan Steel declarou a um veículo iraniano ligado ao Judiciário que a retomada das operações da siderúrgica levaria de seis meses a um ano.

Danos bilionários

Relatos sobre os ataques indicam que unidades de geração de energia, partes das oficinas de ferro e aço e linhas de produção de aço-liga foram atingidas, disse à DW o economista Hassan Mansour.

Ele estimou perdas diretas da ordem de 5 bilhões a 6 bilhões de dólares (R$ 25 bilhões a 30 bilhões), mas o dano mais amplo à economia nacional pode ser muito maior. Ele prevê que a disrupção possa se espalhar para a construção civil, a manufatura e uma ampla gama de setores que dependem das commodities.

A avaliação é compatível com a importância estratégica mais ampla do setor metalúrgico para Teerã. Além disso, o Irã há anos depende do aço e de outros metais como uma de suas mais importantes fontes não petrolíferas de moeda estrangeira.

O Tesouro dos Estados Unidos há muito considera o aço iraniano uma importante fonte de receita estatal. Em 2020, o governo americano sancionou entidades ligadas à Mobarakeh Steel e destacou que a indústria metalúrgica do Irã gerava bilhões de dólares em receitas de exportação.

Sem caminho de volta?

O analista econômico Alireza Salavati acredita que algumas unidades danificadas poderiam, tecnicamente, ser reparadas em poucos meses, caso a destruição não seja muito extensa.

Mas partes da indústria do aço operam com margens apertadas. Se os danos forem graves demais, reconstruir as usinas pode deixar de fazer sentido do ponto de vista econômico.

Nesses casos, afirmou o analista, pode se tornar mais barato importar aço do que restaurar algumas unidades atingidas. Os efeitos mais duradouros, portanto, podem incluir a queda na produção e o enfraquecimento das cadeias de suprimento.

As consequências sociais também podem ser substanciais. Segundo o Wall Street Journal, a Khuzestan Steel emprega cerca de 10 mil trabalhadores, muitos deles terceirizados com pouca segurança no emprego.

Uma suspensão prolongada da produção afetaria não apenas os trabalhadores da planta, mas também subcontratados e indústrias dependentes.

Dependência de eletricidade

A produção de aço também depende fortemente de um fornecimento contínuo de eletricidade. Se subestações, usinas próprias de energia ou linhas de produção forem atingidas, os efeitos tendem a se espalhar muito além das unidades diretamente danificadas.

Quanto mais a guerra continuar, mais capital e recursos estatais serão desviados para o conflito e deixarão de ser usados para administrar a economia iraniana, já atingida por sucessivas crises, disse à DW um economista no Irã.

O economista, que pediu para não ser identificado, também afirmou que os efeitos mais profundos talvez só fiquem claros após a guerra.

Mesmo agora, o Irã já lida com danos de guerra somados a sanções, inflação e décadas de má gestão econômica. Se o conflito cessar sem mudança política e com as sanções ainda em vigor, muitos trabalhadores qualificados podem optar por deixar o país, tornando a recuperação econômica do Irã ainda mais difícil, alertou a fonte.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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