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Antes do G7 e com presença da China, Macron faz reunião focada nos desequilíbrios globais

A poucos dias da cúpula do G7 na França, o presidente Emmanuel Macron, realizou uma reunião preparatória em formato alargado com americanos, chineses e europeus nesta quinta-feira (11), sobre a redução dos desequilíbrios globais da economia, um dos focos do encontro das potências industrializadas a partir de segunda-feira (15). A China não faz parte do G7, mas contribui para essas disparidades entre os países.

11 jun 2026 - 14h09
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O líder francês exortou os Estados Unidos, a China e a União Europeia a promoverem a "coordenação" de suas políticas econômicas e a evitarem ajustes "brutais". "Um consenso internacional está se formando" em vários pontos, disse Macron, incluindo "uma necessidade urgente de agir".

Presidente francês, Emmanuel Macron, comanda videoconferência com parceiros do G7 e a China. (11/06/2026)
Presidente francês, Emmanuel Macron, comanda videoconferência com parceiros do G7 e a China. (11/06/2026)
Foto: © Simon Wohlfahrt / Pool/AFP / RFI

"Os desequilíbrios globais são persistentes e agravaram-se nos últimos anos, pondo em perigo o crescimento econômico e a estabilidade financeira", declarou o presidente francês na abertura de uma videoconferência dedicada a essa "convergência".

"A correção dos desequilíbrios globais é uma responsabilidade compartilhada, tanto pelas economias com excedentes quanto pelas deficitárias", frisou.

Sem essa coordenação, o planeta corre o risco de "ajustes econômicos e financeiros brutais", alertou. "Um reequilíbrio bem calibrado seria um motor de crescimento estável", sugeriu.

A reunião incluiu os países do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido), que se encontrarão a partir de segunda-feira em Évian-les-Bains (Evian), nos Alpes franceses, mas também a China, representada pelo vice-primeiro-ministro Zhang Guoqing.

"Pela primeira vez desde pelo menos a formação do G20 em 2008, a China e os países parceiros do G7 trocaram ideias com o G7 sobre a redução dos desequilíbrios globais", saudou a Presidência francesa.

Brasil participa 

Na videoconferência, participaram também a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e representantes dos países convidados para a cúpula: Brasil, Coreia do Sul, Índia, Quênia e Egito.

Além do chanceler alemão, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro canadense, os outros países estiveram representados em nível ministerial, incluindo o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e o de Comércio, Jamieson Greer.

O tema dos desequilíbrios estará na agenda do G7 e, na sequência, deverá ser abordado na cúpula do G20, marcada para o final do ano nos Estados Unidos, com a presença da China. Convidado a participar do encontro em Évian, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, terá agenda nos dias 16 e 17 de junho, data do encerramento do encontro.

Primeiro G7 desde a guerra contra o Irã 

Esta será a primeira reunião dos líderes do G7 desde que os Estados Unidos e Israel lançaram uma guerra contra o Irã, no final de fevereiro. O clima entre europeus e americanos esfriou devido às ambições americanas na Groenlândia e à guerra comercial de Washington contra seus parceiros.

Europeus, canadenses e japoneses não apoiaram o conflito no Irã e insistirão na rápida reabertura do Estreito de Ormuz, cujo bloqueio custa caro para a economia mundial, fazendo disparar os preços dos combustíveis. É necessário "garantir que possamos, com o presidente Trump, definir objetivos comuns e, em primeiro lugar, a reabertura de Ormuz", sublinhou o Palácio do Eliseu na quinta-feira, à medida que cresce novamente o risco de escalada entre o Irã e os Estados Unidos.

Os presidentes egípcios Abdel Fattah al-Sissi, dos emirados Mohammed Ben Zayed e o emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad Al-Thani, estarão envolvidos nas discussões sobre este tema, previstas para a terça-feira (16).

Apoio à Ucrânia 

Os europeus também esperam que o presidente americano, absorvido pelas negociações com Teerã, seja convencido a apoiar o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, esperado na manhã de terça-feira, depois que o líder de Kiev ofereceu um diálogo direto com Vladimir Putin. A expectativa é que Trump não insista em pedir para a Ucrânia abandonar toda a região do Donbas, no leste ucraniano, exigida pela Rússia para encerrar o conflito.

"Não há concessões a serem feitas aos russos à primeira vista, nem há hoje qualquer razão para levantar as sanções contra a Rússia", insistiu o Eliseu.

Tudo na organização da reunião nas margens do lago de Genebra foi feito para acomodar o presidente americano, que em 2018 retirou seu apoio ao comunicado final do G7 e que, no ano passado, abandonou prematuramente a cúpula no Canadá.

Os anfitriões franceses esperam que o presidente americano chegue na segunda-feira e fique três dias. Trump foi o único a ser convidado para um jantar com Macron na noite de quarta-feira, em Paris ou no suntuoso Palácio de Versalhes.

Originalmente prevista para começar em 14 de junho, aniversário de 80 anos do bilionário republicano, a cúpula foi adiada para permitir que ele participasse de uma luta de MMA na Casa Branca

Esquema de segurança reforçado

Esta será a segunda vez que a cidade receberá a cúpula. Na primeira, há mais de 20 anos, quando o grupo ainda incluía a Rússia, o encontro levou a uma onda de violências na França e também na vizinha Suíça.

Agora, as autoridades dos dois países planejaram um sistema de segurança máxima. O primeiro teste será uma manifestação em Genebra, marcada para o domingo.

Localizada às margens do lago de Genebra, a cidade termal apresenta um desafio particular para a segurança, com a maioria dos participantes desembarcando no aeroporto de Genebra, principal ponto de chegada na região de Haute-Savoie. Quase 16 mil policiais, soldados, bombeiros e guardas de fronteira estarão destacados, com barcos, motos e drones, além da cavalaria e cães farejadores.

De acordo com a autoridade local de segurança, o objetivo é lidar com "o risco ligado ao contexto internacional extremamente tenso, a ameaça terrorista ainda significativa na França, o risco de sabotagem e ataques cibernéticos e perturbações da ordem pública".

O general Marc Le Bouil, responsável pelas operações de segurança da cúpula, anunciou à AFP que cerca de 300 militares da Força Aérea e Espacial Francesa serão mobilizados para estabelecer uma "bolha" de proteção contra qualquer ameaça aérea. "Aeronaves francesas e suíças, sistemas de radar, sistemas de defesa aérea terrestre e sistemas antidrone" serão posicionados em ambos os lados da fronteira, especificou ele.

Em 2003, dezenas de milhares de manifestantes antiglobalização se reuniram na região. Grupos violentos provocaram tumultos, saques e confrontos com as forças de segurança em Genebra e Lausanne, com prejuízos estimados entre 5 e 6 milhões de francos suíços na época.

O trauma ainda assombra os genebrinos, e muitos lojistas fecharam suas vitrines com tábuas, por medo de distúrbios, em toda a cidade, inclusive em bairros distantes do trajeto da manifestação de domingo.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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