Amil aposta em plano de saúde individual mais enxuto para reverter perdas bilionárias
Nova proposta é diferente dos planos individuais e familiares que a companhia tinha em sua prateleira
Na tentativa de recuperar a sustentabilidade da sua operação, a Amil pretende se apoiar em um novo modelo de planos individuais e familiares, entre outras estratégias, para encontrar uma rota de crescimento no País. A empresa vinha amargando anos de prejuízos e virou centro de rumores de venda da companhia pela sua dono, a gestora de planos de saúde norte-americana UnitedHealth Group (UHG). O grupo trouxe Aline Schellhas, que ocupou o cargo de CFO da UHG Brasil e da Amil nos últimos três anos, para ser a presidente da Amil e promover mudanças.
"Como meta primordial, temos o foco no crescimento, olhando para as grades de produtos que melhor representam as necessidades da saúde no Brasil", disse Schellhas, em conversa com o Estadão/Broadcast. Por isso, a Amil está investindo em um novo plano individual e familiar, que foi desenvolvido por 14 meses, com o objetivo de atender um público que não tem plano empresarial ou pode recorrer a entidades de classe para adquirir um plano.
Compromisso com Brasil
Com 350 mil usuários, a carteira legada de planos individuais da Amil foi alvo de intensos rumores de venda e chegou a ser passada, no final de 2021, para a APS, empresa do grupo UHG, mas a transação foi cancelada pela ANS. Não faltaram rumores nos últimos anos quanto à venda pela UHG de toda a operação da Amil no Brasil. O grupo americano adquiriu a brasileira da família fundadora em 2012.
"Estamos reafirmando nosso compromisso no Brasil", diz Schellhas, acrescentando que o lançamento do plano representa um reforço por parte da UHG de que não sairá de nenhum segmento no País. Nesse sentido, a executiva nota ainda que os esforços estão na reversão de um prejuízo que superou os R$ 2 bilhões em 2022.
No ano passado, a Amil investiu R$ 500 milhões em tecnologia e nos hospitais. Além dos planos individuais, outros projetos estão em evolução, como o desenvolvimento de uma ferramenta que facilita o engajamento dos corretores e dos beneficiários com a operadora, disse Schellhas, sem revelar mais detalhes.
Resposta à sinistralidade
Com a preocupação geral das operadoras e seguradoras de saúde em relação à sinistralidade, que tem dificuldade de sair de patamares elevados desde a pandemia, Schellhas diz que a aposta no novo plano individual e familiar é uma resposta à preocupação da Amil com o índice, que mostra a relação entre as despesas e a utilização dos serviços, já que seria um plano mais sustentável.
Mesmo assim, oferece planos com opção sem coparticipação, mecanismo de controle de frequência usado para promover um uso mais racional por parte dos beneficiários. "Estamos confortáveis em dar as duas opções. Há um risco diferente, e as mensalidades refletem esse risco", explicou a presidente. Os valores dos planos da nova carteira variam entre R$ 600 a R$ 1400.
O diferencial, segundo a empresa, é apresentar o valor limite da coparticipação (para aqueles que a possuem) em reais, e não em percentual, o que facilitaria o entendimento do beneficiário.