Amazon lança serviço que promete entregas em 15 minutos; veja quais são as primeiras cidades
Iniciativa marca entrada do marketplace no segmento de produtos frescos, hortifrutigranjeiros e congelados; frete é grátis para clientes Amazon Prime
A Amazon começa nesta terça-feira, 3, a fazer entregas para cerca de 5 mil produtos em 15 minutos. Batizado de Amazon Now, o serviço de entregas ultrarrápidas contempla inicialmente oito cidades:
- São Paulo
- Rio de Janeiro
- Campinas
- Curitiba
- Fortaleza
- Porto Alegre
- Recife
- Belo Horizonte.
Segundo Fernanda Grumach, diretora de Shopping Experience da Amazon, a implantação do novo serviço será gradual. Começa nesta terça-feira pela cidade de São Paulo e atinge as outras sete até a próxima segunda-feira, 9. "Vamos continuar trabalhando para expandir a área de cobertura", afirma.
Ela pondera que as entregas no prazo de 15 minutos a partir do pagamento da compra serão feitas para endereços "elegíveis". Isto é, aqueles que ficam num raio de dois quilômetros de distância, em média, de microcentros de distribuição.
O frete é grátis para os clientes do Amazon Prime. Os demais pagarão R$ 5,49 por pedido.
São 38 microcentros de distribuição que vão dar suporte a esse serviço de entregas ultrarrápidas, além dos parceiros. O Rappi, delivery de comida e itens de supermercados, é o primeiro parceiro da empresa nesse serviço.
Depois de efetuada a compra no site do marketplace, que tem um carrinho dedicado, o cliente recebe um link que permite monitorar o pedido em tempo real, saber o nome do entregador e onde ele está no momento. "Pode parecer simples, mas envolve muita tecnologia."
A empresa, o terceiro marketplace do País em volume de vendas, atrás do líder Mercado Livre e da Shopee, não revela os investimentos específicos para esse projeto nem quanto pretende ampliar as vendas com esse novo serviço.
Desde 2012 no Brasil, a companhia americana já investiu no Brasil R$ 55 bilhões e, desta cifra, 25% foram nos últimos 18 meses. "Aceleramos porque o Brasil se tornou prioridade para a Amazon em relação aos demais países onde a empresa está", diz a CEO da Amazon Brasil, Juliana Sztrajtman.
No ano passado, foram abertos cem centros de distribuição (CD). Hoje a companhia tem 250 CDs em funcionamento espalhados pelo País. "Entregamos em todo o Brasil, em todos os CEPs (código de endereçamento postal)", diz a executiva.
Essa infraestrutura acelerada no último ano e meio criou a base para a implantação do projeto de entregas ultrarrápidas, que já existe em outros países.
O serviço está em funcionamento nos Emirados Árabes Unidos, México e Índia. E está em fase de teste nos Estados Unidos, no Reino Unido e Japão.
Além da experiência acumulada em outros mercados, Juliana conta que a empresa procurou, por meio de pesquisas, saber quais são as demandas dos brasileiros.
Identificou, por exemplo, que nove de cada dez consumidores querem receber rápido os produtos e não pagar pelo frete. "Receber rápido é uma obsessão do cliente", observa.
Nesse sentido, o marketplace tem evoluído. Quando chegou ao País, em 2012, entrega rápida significava colocar o produto na casa do cliente em quatro dias. Depois, passou para um dia, horas e agora 15 minutos.
No ano passado, a companhia entregou 50 milhões de produtos, a maioria de gêneros de primeira necessidade e no mesmo dia ou no dia seguinte do pedido para os clientes Prime. "O ano passado foi o ano mais rápido da empresa."
Feira expressa
A iniciativa do serviço de entregas ultrarrápidas também marca a entrada do marketplace no segmento de produtos frescos, hortifrutigranjeiros, congelados e até cerveja gelada. A maioria dos 5 mil itens que terão entregas ultrarrápidas é de produtos do dia a dia vendidos em supermercados.
A intenção é ampliar o número de produtos entregues em 15 minutos a partir das demandas dos clientes. "Vamos olhar os produtos mais procurados para expandir a base, que poderá ir além dos produtos de mercado", diz Fernanda.
Apesar de os itens perecíveis serem de baixo valor unitário, Juliana explica que o interesse da companhia em apostar nesse segmento é para ter a recorrência de compra do cliente e conquistar a sua fidelidade à loja. "O cliente volta para comprar o produto e na semana seguinte pode ser para comprar um item de valor maior."
Concorrência acirrada
Ao combinar a entrega rápida, de no máximo em 15 minutos, com produtos perecíveis, a Amazon cria um grande diferencial em relação aos demais marketplaces que enfrentam hoje um ambiente de concorrência acirrada, na avaliação do consultor de varejo Eugênio Foganholo, sócio da Mixxer Desenvolvimento Empresarial.
Ele observa que a última fronteira dos marketplaces, em que o Mercado Livre de alguma forma já entrou, mas os outros ainda não de forma efetiva, é exatamente o varejo alimentar.
Na hora que o alimento, especialmente o perecível, passa a fazer parte do mix de produtos da empresa, criam-se recorrência de compras e o vínculo de lealdade do consumidor à empresa. "É um posicionamento superdiferenciado que vai tornar a Amazon ainda mais competitiva, com condições de criar atratividade para aqueles que ainda não são seus clientes e retenção para aqueles que já são."
Riscos
Entre os pontos de atenção da estratégia — segundo Foganholo, bem desenhada por atender endereços num raio de dois quilômetros dos microcentros —, ele aponta dois a serem observados.
Um deles é respeitar rigorosamente a entrega em até 15 minutos, com uma estrutura ágil, especialmente nos horários de pico de demanda.
O outro é estabelecer uma relação confiável com os fornecedores de perecíveis, que normalmente envolvem uma cadeia refrigerada na conservação e no transporte os produtos. "É preciso contar com fornecedores que sejam confiáveis na capacidade de entrega e de reabastecimento."
Já em relação a preços, o consultor acredita que esse não deve ser um ponto crítico do segmento de negócio. Isso porque quem está recebendo em casa um perecível, de consumo imediato e em 15 minutos, está disposto a desembolsar um pouco mais.