‘Adeus CLT’: como este empresário transformou dinheiro de rescisão em uma rede de açaí milionária
Rodrigo Cardoso iniciou a vida profissional fazendo 'bico' e hoje lidera negócio com mais de 100 unidades e presença em 12 Estados
Aos 21 anos, Rodrigo Cardoso decidiu dar adeus ao emprego CLT e apostar o dinheiro da rescisão em um pequeno negócio. Sem experiência em gestão e movido pelo desejo de conquistar liberdade financeira, ele transformou a decisão em uma rede de açaí com mais de 100 unidades, presença em 12 estados e faturamento superior a R$ 80 milhões.
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Casado há uma década com Kamilla Cardoso e pai de quatro filhos, Rodrigo construiu sua trajetória a partir de uma ruptura com o caminho mais tradicional. Natural de Teresina, no Piauí, e criado em Araguaína, no Tocantins, ele iniciou a vida profissional fazendo 'bico', depois passou quase quatro anos no regime CLT até perceber que dificilmente alcançaria o crescimento financeiro que buscava.
“Eu enxergava ali um teto que eu não ia passar”, relembra. A frustração com essa limitação, somada ao desejo de oferecer uma vida melhor à família, foi determinante para empreender. “O foco mesmo era ter liberdade financeira, dar uma condição melhor para minha esposa.”
Rodrigo pediu demissão aos 21 anos, reuniu cerca de R$ 35 mil da rescisão, somou recursos da esposa, contraiu empréstimos e vendeu bens pessoais até atingir cerca de R$ 70 mil. O dinheiro foi o suficiente para tirar do papel a ideia que havia chamado sua atenção: o modelo de açaí self-service, ainda pouco explorado em cidades menores.
Sem recursos para competir em grandes centros, Rodrigo optou por uma estratégia arriscada: buscar oportunidades fora. “Eu não tinha investimento, só tinha a fé que ia conseguir". Foi assim que chegou a Bacabal, no Maranhão, uma cidade que até então ele sequer conhecia. “Chegar lá sozinho com a minha esposa, sem saber nem se existia no mapa direito, foi o maior medo.”
O medo, aliás, foi um dos principais companheiros no início da jornada de Rodrigo. “Eu não sabia absolutamente de nada: gestão financeira, horário de funcionamento, como lidar com pessoas”, conta. Durante os primeiros meses, ele e a esposa assumiram todas as funções do negócio, da limpeza ao atendimento, passando pela produção. “A gente viveu o processo.”
A primeira loja, ainda sob uma marca genérica, deu origem a um movimento de expansão orgânica. Rodrigo abriu uma segunda unidade, depois uma terceira e estruturou uma pequena fábrica para abastecer a operação. O crescimento foi acontecendo de forma gradual, impulsionado por uma inquietação constante. “Quando o negócio estava estável, eu já queria outro objetivo.”
Em 2022, diante da procura de interessados em replicar o modelo, Rodrigo estruturou a Bengô Açaí como franqueadora. A expectativa inicial era modesta. “Eu imaginava vender 20, 30 lojas no máximo”, diz. Mas o resultado superou qualquer projeção: foram mais de 30 franquias vendidas em seis meses e mais de 100 unidades comercializadas em menos de um ano.
Hoje, a Bengô Açaí opera dentro de um ecossistema que vai além das lojas. A empresa integra fábrica, distribuição, logística, projetos e até marketing próprio, o que ajuda a explicar o crescimento acelerado. “Criamos vários modelos de negócio dentro do nosso negócio”, explica Rodrigo.
Em 2025, o faturamento da Bengô ultrapassou R$ 80 milhões e deve chegar a cerca de R$ 140 milhões este ano. O sucesso, segundo Rodrigo, está na qualidade do produto. “A gente é reconhecido pelo melhor açaí, com maior concentração da fruta”, afirma.
Além da qualidade do produto, outro fator que Rodrigo destaca como essencial para o sucesso do negócio é o modelo de franquia, que busca facilitar a vida do investidor, com taxas fixas e sem cobrança de royalties sobre faturamento, estratégia pensada para garantir a rentabilidade dos franqueados.
“O grande segredo é fazer o franqueado ganhar dinheiro”, explica Rodrigo, que antecipou que a rede tem como meta alcançar 500 unidades em funcionamento até o final de 2027.
Apesar do crescimento expressivo, o empresário mantém a memória viva das dificuldades iniciais e também dos erros. Um dos principais, segundo ele, foi tentar crescer sozinho por muito tempo.
“Demorei muito para procurar um mentor, e isso atrasa o crescimento de qualquer empresário”. Hoje, esse é justamente o conselho que ele oferece a quem deseja empreender: buscar orientação para encurtar caminhos e evitar erros já conhecidos.