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‘Adeus CLT’: como este empresário transformou dinheiro de rescisão em uma rede de açaí milionária

Rodrigo Cardoso iniciou a vida profissional fazendo 'bico' e hoje lidera negócio com mais de 100 unidades e presença em 12 Estados

8 abr 2026 - 07h14
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Rodrigo Cardoso, os 21 anos,  decidiu pedir demissão e mudar de estado para investir o valor das rescisões no próprio negócio, dando os primeiros passos no empreendedorismo
Rodrigo Cardoso, os 21 anos, decidiu pedir demissão e mudar de estado para investir o valor das rescisões no próprio negócio, dando os primeiros passos no empreendedorismo
Foto: Divulgação

Aos 21 anos, Rodrigo Cardoso decidiu dar adeus ao emprego CLT e apostar o dinheiro da rescisão em um pequeno negócio. Sem experiência em gestão e movido pelo desejo de conquistar liberdade financeira, ele transformou a decisão em uma rede de açaí com mais de 100 unidades, presença em 12 estados e faturamento superior a R$ 80 milhões.

Casado há uma década com Kamilla Cardoso e pai de quatro filhos, Rodrigo construiu sua trajetória a partir de uma ruptura com o caminho mais tradicional. Natural de Teresina, no Piauí, e criado em Araguaína, no Tocantins, ele iniciou a vida profissional fazendo 'bico', depois passou quase quatro anos no regime CLT até perceber que dificilmente alcançaria o crescimento financeiro que buscava. 

“Eu enxergava ali um teto que eu não ia passar”, relembra. A frustração com essa limitação, somada ao desejo de oferecer uma vida melhor à família, foi determinante para empreender. “O foco mesmo era ter liberdade financeira, dar uma condição melhor para minha esposa.”

Rodrigo pediu demissão aos 21 anos, reuniu cerca de R$ 35 mil da rescisão, somou recursos da esposa, contraiu empréstimos e vendeu bens pessoais até atingir cerca de R$ 70 mil.  O dinheiro foi o suficiente para tirar do papel a ideia que havia chamado sua atenção: o modelo de açaí self-service, ainda pouco explorado em cidades menores.

Sem recursos para competir em grandes centros, Rodrigo optou por uma estratégia arriscada: buscar oportunidades fora. “Eu não tinha investimento, só tinha a fé que ia conseguir". Foi assim que chegou a Bacabal, no Maranhão, uma cidade que até então ele sequer conhecia. “Chegar lá sozinho com a minha esposa, sem saber nem se existia no mapa direito, foi o maior medo.”

O medo, aliás, foi um dos principais companheiros no início da jornada de Rodrigo. “Eu não sabia absolutamente de nada: gestão financeira, horário de funcionamento, como lidar com pessoas”, conta. Durante os primeiros meses, ele e a esposa assumiram todas as funções do negócio, da limpeza ao atendimento, passando pela produção. “A gente viveu o processo.”

A primeira loja, ainda sob uma marca genérica, deu origem a um movimento de expansão orgânica. Rodrigo abriu uma segunda unidade, depois uma terceira e estruturou uma pequena fábrica para abastecer a operação. O crescimento foi acontecendo de forma gradual, impulsionado por uma inquietação constante. “Quando o negócio estava estável, eu já queria outro objetivo.”

Em 2022, diante da procura de interessados em replicar o modelo, Rodrigo estruturou a Bengô Açaí como franqueadora. A expectativa inicial era modesta. “Eu imaginava vender 20, 30 lojas no máximo”, diz. Mas o resultado superou qualquer projeção: foram mais de 30 franquias vendidas em seis meses e mais de 100 unidades comercializadas em menos de um ano.

Bengô Açaí, unidade de João Câmara, município brasileiro no interior do Rio Grande do Norte
Bengô Açaí, unidade de João Câmara, município brasileiro no interior do Rio Grande do Norte
Foto: Divulgação

Hoje, a Bengô Açaí opera dentro de um ecossistema que vai além das lojas. A empresa integra fábrica, distribuição, logística, projetos e até marketing próprio, o que ajuda a explicar o crescimento acelerado. “Criamos vários modelos de negócio dentro do nosso negócio”, explica Rodrigo. 

Em 2025, o faturamento da Bengô ultrapassou R$ 80 milhões e deve chegar a cerca de R$ 140 milhões este ano. O sucesso, segundo Rodrigo, está na qualidade do produto. “A gente é reconhecido pelo melhor açaí, com maior concentração da fruta”, afirma. 

Além da qualidade do produto, outro fator que Rodrigo destaca como essencial para o sucesso do negócio é o modelo de franquia, que busca facilitar a vida do investidor, com taxas fixas e sem cobrança de royalties sobre faturamento, estratégia pensada para garantir a rentabilidade dos franqueados. 

“O grande segredo é fazer o franqueado ganhar dinheiro”, explica Rodrigo, que antecipou que a rede tem como meta alcançar 500 unidades em funcionamento até o final de 2027.

Apesar do crescimento expressivo, o empresário mantém a memória viva das dificuldades iniciais e também dos erros. Um dos principais, segundo ele, foi tentar crescer sozinho por muito tempo. 

“Demorei muito para procurar um mentor, e isso atrasa o crescimento de qualquer empresário”. Hoje, esse é justamente o conselho que ele oferece a quem deseja empreender: buscar orientação para encurtar caminhos e evitar erros já conhecidos.

Fonte: Portal Terra
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