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Sem referência dos Treasuries, taxas dos DIs caem com esperança de acordo entre EUA e Irã

25 mai 2026 - 16h51
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Sem a referência dos Treasuries em dia de feriado ‌nos EUA, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam a segunda-feira em baixa, em meio à expectativa de que possa haver um acordo de paz no Oriente Médio, que incluiria a reabertura do Estreito de Ormuz.

Com o dólar e o petróleo em queda, no fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,695%, em baixa de 14 pontos-base ante o ajuste de 13,836% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI ⁠para janeiro de 2035 estava em 13,9%, com recuo de 16 pontos-base ante o ajuste de 14,064%.

Após o presidente dos EUA, ‌Donald Trump, afirmar no sábado que os negociadores estão "chegando muito mais perto" de finalizar um acordo, nesta segunda-feira o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse que há uma "coisa bastante sólida sobre a mesa em termos de capacidade de abrir ‌o estreito (de Ormuz)".

Durante a tarde, o jornal Nikkei informou que EUA e Irã ‌estão discutindo um plano para abrir o Estreito de Ormuz cerca de 30 dias depois que os dois ⁠países chegarem a um acordo para encerrar as hostilidades. Neste período, o Irã removeria as minas colocadas na hidrovia.

O otimismo de que possa haver um acordo levou o petróleo Brent a ser cotado abaixo de US$100 o barril, enquanto o dólar cedeu ante quase todas as demais divisas, incluindo o real. O mercado de Treasuries esteve fechado em função do feriado do Memorial Day nos EUA.

Neste cenário, às 14h01 a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a mínima de 13,670% (-17 ‌pontos-base) e a taxa do DI para janeiro de 2025 marcou a mínima de 13,885% (-18 pontos-base).

Durante entrevista sobre o Relatório de Estabilidade ‌Financeira, em Brasília, o presidente do ⁠Banco Central, Gabriel Galípolo, ponderou pela ⁠manhã que choques de curto prazo, como a guerra no Irã e o El Niño, geram impacto sobre as projeções de mercado ⁠para a inflação. Segundo ele, o BC busca separar em suas análises ‌as pressões geradas por esses choques daquelas ‌produzidas pela resiliência da economia brasileira.

No boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, a mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação no fim deste ano subiu de 4,92% para 5,04% e no final do próximo ano foi de 4,00% para 4,01% -- em ambos os casos acima da meta de inflação perseguida pelo BC, de 3%.

Com a ⁠inflação pressionada, a mediana dos economistas, conforme o Focus, indica uma taxa básica Selic de 13,25% no fim de 2026 e de 11,25% no encerramento de 2027. Atualmente a Selic está em 14,50% ao ano.

Cauteloso, o diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, informou nesta segunda-feira que a instituição projeta apenas mais dois cortes de 25 pontos-base da Selic este ano, para 14,00%. Anteriormente, o banco já havia revisado ‌para cima suas projeções de inflação em função dos choques de preços.

"O impacto sobre a condução da política monetária é direto: o espaço para calibração da taxa de juros tornou-se mais limitado", disse Oliveira.

"Mesmo um eventual arrefecimento das tensões geopolíticas ⁠dificilmente seria suficiente para reverter a reprecificação estrutural observada nas curvas globais de juros. A combinação entre inflação mais persistente, deterioração fiscal e elevação dos prêmios de risco sugere um ambiente de juros reais mais elevados por período prolongado, inclusive no Brasil", acrescentou.

No mercado brasileiro, uma das dúvidas é se haveria espaço, após um corte de 25 pontos-base da Selic em junho, para mais uma redução em agosto.

Na última quinta-feira -- dado consolidado mais recente -- as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 75% de probabilidade de novo corte de 25 pontos-base da Selic em junho, contra 17,5% de chance de manutenção da taxa básica em 14,50% e 6% de possibilidade de redução de 50 pontos-base.

Para a decisão seguinte, em agosto, os percentuais eram de 45% para novo corte de 25 pontos-base, 38,5% para manutenção da Selic e 10% para corte de 50 pontos-base.

Em evento de lançamento do 5º Leilão do Eco Invest Brasil, em São Paulo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu pela manhã que a guerra no Oriente Médio tem afetado os preços dos combustíveis e a inflação no Brasil, mas disse que os impactos são menores do que os registrados em outros países.

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