Acordo entre EUA e Irã reduz tensão geopolítica e impulsiona mercados globais
Memorando foi assinado nesta quarta-feira (17) após quatro meses
Nos mercados globais, o acordo entre EUA e Irã impulsionou o apetite por risco na Ásia. O Nikkei avançou 1,65% e renovou máximas históricas, enquanto ações ligadas a semicondutores e inteligência artificial sustentaram novos recordes no mercado sul-coreano.
Os mercados iniciam esta quinta-feira (18) com o alívio geopolítico provocado pelo acordo entre Estados Unidos e Irã, que reduz os riscos para o abastecimento global de energia e derruba os preços do petróleo.
O memorando assinado por Washington e Teerã nesta quarta-feira (17) encerra oficialmente quatro meses de conflito no Oriente Médio e estabelece um cessar-fogo imediato, a reabertura gradual do Estreito de Ormuz e o início de negociações sobre o programa nuclear iraniano. O acordo também prevê a suspensão de sanções ao petróleo iraniano e a criação de um fundo de US$ 300 bilhões para reconstrução da economia do país.
A implementação do entendimento será discutida nesta sexta-feira (19), em encontro na Suíça que reunirá representantes dos Estados Unidos, Irã, Paquistão e Catar. Para os mercados, o principal efeito imediato é a perspectiva de aumento da oferta global de petróleo e redução das pressões sobre os preços da energia.
Nos mercados globais, o acordo entre EUA e Irã impulsionou o apetite por risco na Ásia. O Nikkei avançou 1,65% e renovou máximas históricas, enquanto ações ligadas a semicondutores e inteligência artificial sustentaram novos recordes no mercado sul-coreano. Na Europa, o sentimento é mais cauteloso. As bolsas operam em queda após o Banco da Inglaterra manter os juros em 3,75% e em meio à repercussão do tom mais duro adotado pelo Fed.
No mercado de commodities, os contratos futuros do petróleo operam em queda, refletindo a perspectiva de normalização dos fluxos de exportação da região e o retorno gradual do petróleo iraniano ao mercado internacional. O Brent/agosto cede 1,33%, cotado a US$ 78,46 e o WTI/julho cai 1,90%, a US$ 75,33.
No Brasil, o ambiente político também permanece no radar. A reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump durante a cúpula do G7 terminou em troca pública de críticas, ampliando o desgaste diplomático entre Brasília e Washington em um momento sensível para as negociações comerciais entre os dois países.
Em contrapartida, o governo brasileiro avançou em uma agenda estratégica ao anunciar o início das negociações para um acordo comercial entre Japão e Mercosul. A iniciativa busca ampliar investimentos e o fluxo de comércio em setores estratégicos, além de fortalecer a cooperação em áreas consideradas essenciais para a transição energética, como minerais críticos e petróleo.
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