Dia de Copom: Selic deve cair para 14% e BC pode sinalizar pausa no ciclo de cortes de juros
Mercado espera redução de 0,25 ponto percentual na reunião desta quarta-feira, 5
Analistas do mercado financeiro acreditam que o Banco Central (BC) reduzirá a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira, 5. Se a expectativa se confirmar, a taxa básica de juros passará de 14,25% para 14% ao ano.
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Embora a redução seja considerada praticamente consenso entre economistas e instituições financeiras, o foco do mercado estará no comunicado que acompanhará a decisão. A avaliação é de que o Copom deverá manter um discurso cauteloso e sinalizar que poderá interromper o ciclo de cortes.
A expectativa é que o BC preserve flexibilidade para conduzir a política monetária de acordo com a evolução dos indicadores. Dessa forma, novas reduções da Selic dependerão do comportamento da inflação, das expectativas para horizontes mais longos e da confiança do mercado na trajetória das contas públicas.
Para o diretor de Economia, Regulação e Produtos da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Everton Gonçalves, o corte esperado de 0,25 ponto percentual está alinhado às projeções do próprio Banco Central e não deve provocar instabilidade nos mercados.
"O corte residual é compatível com o alongamento do horizonte relevante da política monetária para o primeiro trimestre de 2028 e com as projeções apresentadas pelo Banco Central no Relatório de Política Monetária. A medida não deve provocar volatilidade na precificação dos ativos financeiros", afirma.
Na mesma linha, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, avalia que a autoridade monetária deverá reforçar a estratégia de cautela, deixando claro que as próximas decisões continuarão sendo tomadas com base na evolução dos dados econômicos.
"A tendência é que o Copom preserve uma postura cautelosa, reforçando que cada decisão continuará condicionada aos dados, especialmente à inflação de serviços, às expectativas para horizontes mais longos e ao risco fiscal, fatores que podem reduzir ou até interromper esse processo caso voltem a pressionar o balanço de riscos", projeta.
O que é a taxa Selic e como ela funciona?
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e é o principal instrumento do BC para controlar a inflação. Na prática, funciona assim: quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial de inflação do Brasil, está em um nível muito alto, o BC sobe os juros para que a inflação fique dentro dos limites de um alvo pré-definido, chamado de meta de inflação.
Com a subida dos juros, o crédito fica mais caro e desincentiva o consumo. Com menos pessoas consumindo, a tendência é que os preços se acomodem. No cenário oposto, se a inflação estiver em níveis baixos, o BC reduz os juros para estimular o consumo e, consequentemente, a economia.
Como a taxa Selic é definida?
A taxa Selic é determinada a cada 45 dias em encontros a portas fechadas do Comitê de Política Monetária, a reunião do Copom, do Banco Central, desde 1996. Fazem parte do Copom o presidente e os oito diretores do BC.
A definição da taxa leva em conta principalmente a inflação, mas também fatores como taxa de câmbio, importações e exportações, e a atividade e a perspectiva de crescimento econômico do País. Os membros do colegiado utilizam modelos matemáticos específicos para estabelecer os rumos da taxa.

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