A má notícia do PIB do segundo trimestre para o presidente Lula
O longo período de uma taxa básica de juros elevada parece ter mitigado todo o impulso que o presidente Lula esperava ver na economia
Apesar da alta de 0,5% do PIB no segundo trimestre, a queda de 0,4% no consumo das famílias frustrou a estratégia eleitoral de Lula. Os estímulos do governo foram neutralizados pelos juros altos, sustentados pelo Banco Central devido à piora fiscal e ao endividamento público. Com o orçamento familiar comprimido pela inadimplência, a recuperação da economia e a flexibilização monetária passam a depender de um compromisso fiscal concreto para viabilizar novos cortes na taxa Selic.
O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre trouxe uma má notícia para o presidente Lula, que busca o quarto mandato num cenário eleitoral bastante apertado. Mesmo com todos os incentivos e estímulos concedidos pelo governo, o consumo das famílias caiu 0,4% na comparação com os três meses anteriores.
Foi uma frustração importante, embora a economia brasileira tenha registrado crescimento de 0,5% entre abril e junho, um pouco acima do que os analistas esperavam - alta de 0,4%.
Ao longo dos últimos meses, o governo Lula apostou num cardápio de estímulos para ter a economia a seu favor na eleição deste ano. A estratégia deu certo nos seus dois primeiros mandatos, quando o petista surfava em altos índices de popularidade e milhões de brasileiros puderam passar a consumir. Mas, agora, parece ter envelhecido.
É verdade que o petista pode se valer de números positivos na economia: o desemprego está na mínima histórica, a renda do trabalhador cresceu, o País saiu do mapa da fome, mas os juros altos cobraram - e vão cobrar - o seu preço. O longo período de uma taxa básica de juros elevada parece ter mitigado todo o impulso que o presidente Lula esperava ver na economia.
As medidas de estímulo podem ter saído mais como um tiro no pé, como os economistas chamam a atenção. Com mais gastos e uma piora na dinâmica da dívida, os juros altos são a arma que o Banco Central tem para manter as expectativas de inflação ancoradas, dada a deterioração das contas públicas e a falta de perspectiva com um ajuste fiscal convincente.
Os juros altos inibem o consumo e jogam milhões de brasileiros na inadimplência. Hoje, portanto, sobra pouco dinheiro no bolso das famílias brasileiras para consumir.
Desde março, quando a taxa básica de juros estava em 15% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) tem conseguido levar adiante apenas cortes modestos na Selic, atualmente em 14% ao ano. E é provável que o cenário não mude tão cedo. Na reunião deste mês, a maioria dos analistas prevê que o Copom vai promover mais um corte de 0,25 ponto percentual. E o cenário - ao menos por ora - é de que os juros ficarão em 13,75% até o fim do ano.
O Banco Central só terá uma clareza maior para seguir ou não com o corte de juros depois do resultado da eleição presidencial. Se for reeleito para um quarto mandato, estará nas mãos do próprio petista pavimentar esse caminho e indicar como pretende conduzir a agenda fiscal a partir de 2027.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já aumentou a sua interlocução com a chamada Faria Lima. O presidente Lula se reuniu na segunda-feira, 31, com banqueiros e empresários. Mas é certo que o preço do ajuste fiscal ficou mais alto num eventual novo governo petista em 2027, porque a dívida bruta terá crescimento mais de 10 pontos porcentuais desde 2023.
Apenas o discurso não será mais suficiente. Lula terá de mostrar concretamente que há preocupação com as contas públicas, o que poderá, enfim, permitir uma queda dos juros, aliviando o bolso de milhões de brasileiros inadimplentes.
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