Ibovespa flerta com máxima desde maio com impulso de blue chips e PIB no radar
O Ibovespa operava em forte alta rumo aos 181 mil pontos, caminhando para a décima valorização consecutiva. O avanço foi sustentado pelo forte desempenho de blue chips como Petrobras, Vale e grandes bancos, além da divulgação do PIB brasileiro, que cresceu 0,5% no segundo trimestre. O dado confirmou a desaceleração gradual da economia e reforçou as apostas do mercado em um corte na taxa Selic em setembro, mesmo diante de um cenário de cautela nos mercados internacionais.
O Ibovespa orbitava 181 mil pontos nesta terça-feira, sustentado pelo desempenho robusto de blue chips, particularmente Petrobras, enquanto dados sobre a atividade econômica brasileira no segundo trimestre corroboravam apostas de queda da Selic em setembro.
Por volta de 11h30, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subia 1,91%, a 180.815,59 pontos, caminhando para décima alta seguida. No melhor momento, marcou 180.928,68 pontos, máxima intradia desde 12 de maio. O volume financeiro somava R$7,7 bilhões.
De acordo com o IBGE, o PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre ante os três meses anteriores em dados com ajuste sazonal, após expansão de 1,1% no primeiro trimestre, em resultado afetado principalmente pela retração do consumo das famílias e da perda de dinamismo da indústria.
"O resultado confirma a leitura de desaceleração gradual da atividade ao longo do ano, e não de uma freada brusca, à medida que os efeitos defasados dos juros elevados e a redução do impulso fiscal seguem se manifestando", afirmou o economista sênior Vitor Kayo, da Nomad.
"Para o Banco Central, o dado tende a ser recebido com certo alívio, pois reforça a tese de que a política monetária restritiva já opera sobre a atividade, ainda que a inflação siga distante da meta", acrescentou.
No exterior, setembro começou com viés negativo nos mercados acionários, em meio a preocupações sobre o movimento de juros nos Estados Unidos. O S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, cedia 0,35%.
Dados atualizado da B3 mostraram saída de capital externo das ações brasileiras no último dia 28, de R$130 milhões, após cinco sessões seguidas com entrada líquida, que trouxe algum alento após fortes saídas desde o começo de agosto. Até o dia 28, o saldo no mês passado estava negativo em quase R$18,6 bilhões.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN avançava 3,04% e PETROBRAS ON subia 2,49%, com o setor como um todo favorecido pela alta dos preços do petróleo no mercado internacional. A Petrobras também anunciou que aumentará em 13,9% o preço médio de venda de querosene de aviação (QAV) para as distribuidoras. Ainda no radar, a produção de petróleo do Brasil somou um recorde de 4,5 milhões de barris por dia em julho, segundo a ANP, e o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região que derrubou liminar que suspendia a cobrança do imposto de 12% sobre a exportação de petróleo.
• VALE ON era negociada em alta de 1,16%, descolada da fraqueza de ações de mineradoras no exterior. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian fechou o pregão diurno com alta de 0,14%, a 726,50 iuans (US$108,10) por tonelada.
• BANCO DO BRASIL ON subia 3,09%, em pregão positivo para os bancos do Ibovespa. BTG PACTUAL UNIT avançava 2,69%, ITAÚ UNIBANCO PN valorizava-se 1,96%, BRADESCO PN subia 1,34% e SANTANDER BRASIL UNIT ganhava 0,17%. O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou nesta terça-feira que são esperadas para os próximos meses medidas relevantes para ajudar o sistema financeiro a lidar com endividamento em linhas de crédito de custo mais alto.
• NATURA ON valorizava-se 4,12%, com investidores ainda repercutindo mudanças no comando da fabricante de cosméticos, enquanto analistas ainda veem uma perspectiva desafiadora para a companhia. Na véspera, quando a empresa divulgou a eleição de novo presidente-executivo e novo presidente do conselho de administração, o papel chegou a disparar 9%, mas fechou estável.
• WEG ON recuava 0,16%, entre as poucas quedas da sessão. A queda vem após a ação acumular alta de mais de 6% em agosto.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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