Erros do governo mantêm País preso à 'maldição dos 2%'
Executivo federal segue fiel à identificação petista entre governo e gastança, minando o potencial de crescimento equilibrado e sustentável
A economia brasileira segue estagnada na chamada "maldição dos 2%", com projeções de baixo crescimento contínuo para os próximos anos. O desarranjo fiscal e a gastança pública mantêm as taxas de juros elevadas, encarecendo o crédito e restringindo o consumo. Paralelamente, o baixo investimento produtivo, de apenas 16,5% do PIB — bem inferior à média de outros países emergentes —, compromete a modernização estrutural e impede um avanço econômico mais robusto e sustentável.
Com muita gastança em Brasília, juros altos, baixo investimento produtivo e consumo contido pelo aperto das famílias, a economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre e apenas 1,9% no período de um ano até junho. O País continuou preso à condição já descrita como "maldição dos 2%", a marca da estagnação econômica na maior parte deste século.
Sem sinais de melhora no futuro próximo, os economistas do mercado continuam projetando mais estagnação neste ano e nos próximo. O Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer em torno de 1,9% em 2026, 1,50% em 2027 e cerca de 2% anuais a partir daí, segundo estimativas coletadas pelo Banco Central (BC) e resumidas no boletim Focus. Os juros continuarão entre os mais altos do mundo, restringindo a aplicação de capitais em meios de produção.
O investimento em meios físicos produtivos - máquinas, equipamentos e obras - cresceu 1,2% em relação ao trimestre anterior e 1,4% sobre igual período de um ano antes, mas diminuiu 0,2% em quatro trimestres comparados com os precedentes. Com isso, a taxa de investimento produtivo correspondeu a apenas 16,5% do PIB no período de abril a junho. Continuou, portanto, muito abaixo da necessária para sustentar um avanço econômico anual superior a 2%.
Vários outros emergentes, como indicam levantamentos de entidades internacionais, investem cerca de 20% do PIB, anualmente, para se modernizar e aumentar seu potencial físico de produção. Seus governos, de modo geral, são menos gastadores que o brasileiro e preservam mais espaço para a aplicação de recursos públicos e privados no fortalecimento da capacidade produtiva.
Com mais prudência e menos inflação gerada pelo poder público, esses países podem operar com juros menores e maior espaço para investimento. No Brasil, o desarranjo constante das contas federais - sem compromisso claro do governo com o conserto de suas finanças - dificulta o afrouxamento da política de moeda e crédito pelo BC. Iniciada no primeiro trimestre, a redução de juros oficiais tem sido vagarosa. A taxa básica, atualmente fixada em 14%, pouco recuou desde o começo do ano, quando estava em 15%.
Descontada a inflação, a taxa real permanece entre as mais altas do mundo, complicando o crédito, alimentando a inadimplência, encarecendo a manutenção de estoques empresariais, atrapalhando o consumo e freando o investimento em meios de produção. Mas o Executivo federal segue fiel à identificação petista entre governo e gastança, minando o potencial de crescimento equilibrado e sustentável.
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