Hägeen-Dazs, Walmart, Forever 21 e mais: por que grandes marcas deixam o Brasil?
Para economistas, há questões em comum nas evasões, mas, em geral, é preciso analisar as particularidades de cada caso
Depois de quase 30 anos nos supermercados brasileiros, a marca de sorvete Häagen-Dazs não será mais vendida no País. Somada a casos anteriores, a notícia parece até indicar a existência de um fenômeno em que grandes marcas internacionais não conseguem se manter no Brasil. Mas chegar a tal conclusão não pode ser tão simples assim, segundo indicam economistas.
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Existem, de fato, questões em comum na evasão de algumas grandes marcas, mas, em geral, é preciso analisar as particularidades de cada caso. Para o professor Gesner Oliveira, da Faculdade de Economia e Administração da USP, e sócio da GO Associados, há um padrão comum, mas não uma causa única.
"Multinacionais deixam o Brasil quando a operação deixa de oferecer retorno suficiente sobre o capital empregado, e isso pode resultar de escala insuficiente, modelo de negócio inadequado, custos operacionais e tributários elevados, mudanças competitivas ou simplesmente uma decisão global de alocação de capital. A saída do Brasil é resultado de uma decisão microeconômica de otimização de portfólio, na qual as condições brasileiras são apenas uma das variáveis", afirma.
No caso da Häagen-Dazs, por exemplo, a venda dos sorvetes foi encerrada após venda das operações da General Mills, que controlava a marca, para o grupo 3corações no Brasil. Na transação, foram incluídas as marcas Yoki e Kitano, mas não o sorvete.
A companhia não detalhou o motivo do Häagen-Dazs ficar de fora e disse apenas que a saída ocorreu por causa de "um plano de reformulação de portfólio". Na avaliação de economistas, a decisão pode estar relacionada à ampliação do mercado de sorvetes de linha premium no Brasil, o que teria aumentado a concorrência.
"Eu me lembro que há cerca de 10 anos, a Häagen-Dazs tinha praticamente uma geladeira só para eles nos supermercados. Hoje, tem muito mais marcas consideradas premium que tentaram se equiparar. Tem marcas brasileiras, marcas internacionais", avalia Gustavo Spinola, estrategista-chefe na RB Investimentos.
Em números concretos, o professor Gesner Oliveira destaca que, enquanto a venda de sorvetes no Brasil aumentou 38% em quatro anos, a Häagen-Dazs se manteve com 2% de participação no ramo. "O mercado cresceu e a marca não capturou esse crescimento em termos relativos", diz.
E os casos Walmart, Forever 21 e mais?
Para os economistas, é inegável que alguns fatores tornam desafiador para que empresas se estabeleçam no Brasil, como o sistema tributário ainda complexo e o alto custo de capital, principalmente com a taxa Selic elevada.
Os especialistas avaliam que a reforma tributária deve simplificar o sistema, mas o processo de transição também deve requer investimentos.
"Somam-se a isso as características logísticas de um país continental e a predominância do transporte rodoviário, que penalizam particularmente produtos de baixa relação valor/peso", acrescenta o professor Gesner Oliveira.
Com relação a casos específicos, como o do Walmart, Oliveira ressalta que o capital produtivo não deixou o País, apenas foi transferido com a compra sucessiva pelo Grupo Big e pelo Carrefour Brasil. "Isso é distinto de encerramento puro", afirma.
No caso da Forever 21, o encerramento da operação no Brasil aconteceu em 2022 e precedeu a declaração de falência da marca nos Estados Unidos. Hoje, a varejista que fez tanto sucesso entre jovens e adolescentes, não possui mais lojas físicas e mantém apenas vendas online.
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