Viviane Araújo e Belo formarem casal na Globo parece amor à arte, mas também marketing barato
Há o risco de que o passado dos atores atrapalhe a maneira como o público vai enxergar seus personagens
Viviane Araújo deve surgir em ‘Três Graças’ em janeiro. Será Consuelo, um amor do passado de Misael, interpretado por Belo.
Todo mundo sabe que os dois não ficaram amigos após o término do relacionamento em 2007. Pelo contrário: ainda paira no ar um clima de mágoa.
Ambos demonstram elogiável profissionalismo ao aceitar formar um casal romântico na novela, deixando de lado as feridas emocionais.
Mas uni-los em cena parece ser um marketing manjado, criado tão somente para repercutir na imprensa e nas redes sociais.
Afinal, todo mundo vai monitorar e julgar a interação deles em cada cena. Por sua história pregressa, os atores poderão — involuntariamente — ofuscar os personagens.
As manchetes pejorativas são previsíveis: ‘O primeiro beijo de Belo e Viviane na novela’, ‘O beijo foi técnico?’, ‘Clima esquenta entre os ex-namorados’.
A estratégia dos autores e da direção de ‘Três Graças’ confirma que a teledramaturgia atual flerta cada vez mais com a lógica do entretenimento instantâneo, em que a vida real dos atores tende a se sobrepor à ficção.
O público já não acompanha apenas a narrativa da novela, mas também o que se desenrola paralelamente fora da tela.
Reaproximar Viviane e Belo vai gerar engajamento interessante à emissora, porém, pode comprometer a complexidade da trama. Em vez de permitir que Consuelo e Misael se afirmem como personagens independentes, existe o risco de que sejam reduzidos a uma projeção dramatizada de seus intérpretes.
Por outro lado, caso consigam transcender o passado e entregar atuações sólidas, os dois artistas poderão transformar o que hoje parece uma manobra publicitária em um momento de virada artística.