O novo plano de Globo, Record, SBT e Band para enfrentar o streaming
As quatro maiores redes de TV aberta do país, como Globo, SBT, Record e Band, trabalham juntas em uma frente pouco visível ao telespectador, mas decisiva: garantir espaço obrigatório no controle remoto. A articulação quer transformar em obrigação o botão de acesso direto à TV aberta nos aparelhos vendidos no Brasil. O alvo declarado é […]
As quatro maiores redes de TV aberta do país, como Globo, SBT, Record e Band, trabalham juntas em uma frente pouco visível ao telespectador, mas decisiva:
- garantir espaço obrigatório no controle remoto.
A articulação quer transformar em obrigação o botão de acesso direto à TV aberta nos aparelhos vendidos no Brasil.
O alvo declarado é o streaming e, por trás dele, as fabricantes de televisores que organizam a tela inicial dos aparelhos.
O problema que uniu as rivais, incluindo a Globo
Nos controles remotos dos aparelhos modernos, os atalhos apontam apenas para plataformas como YouTube, Disney, Netflix e Amazon.
Nenhum leva à TV aberta.
As redes alegam que os fabricantes privilegiam o streaming ao definir esses botões, deixando a radiodifusão sem qualquer indicação física no aparelho.
Executivos das emissoras já falavam publicamente do risco de a TV aberta se tornar um app entre centenas.
O argumento central é jurídico: TV aberta é concessão pública e gratuita, e por isso deveria ter posição privilegiada no acesso.
A disputa deixou de ser entre Globo, Record, SBT e Band e passou a ser das quatro contra as big techs que controlam esse espaço.
Globo: a queixa do público que sustenta a TV aberta
O segundo argumento é de uso.
Segundo as emissoras, o telespectador pouco familiarizado com os comandos das televisões conectadas tem dificuldade real para localizar os sinais da TV aberta, como a Globo.
Pesquisas feitas pelas próprias redes apontam concentração de queixas no público mais velho da classe C, hoje considerado o alvo principal da televisão aberta.
É a fatia que cresceu trocando de canal por número e que não recebeu nenhuma pista visual do novo caminho até a programação.
O que já está garantido
Parte da batalha foi vencida em agosto de 2025, quando o decreto que regulamentou a TV 3.0 foi assinado.
O texto determina que os receptores do novo padrão tenham botão dedicado no controle remoto para acessar o catálogo de aplicativos da DTV+.
Outro botão fica reservado à troca rápida entre aplicativos, para preservar a cultura do zapeamento.
O catálogo pode reunir até 40 ícones visíveis, com posição preservada para os canais públicos.
Por que isso ainda não basta
A regra vale só para aparelhos e conversores compatíveis com a TV 3.0, tecnologia que começou a chegar às capitais neste ano.
A implantação completa pode levar até 15 anos, e o parque instalado de televisores segue sem qualquer obrigação semelhante.
É essa lacuna que as emissoras querem fechar.
A conta que motiva a pressa
A modernização exigida pela TV 3.0 é caríssima: estimativas do setor apontam entre R$ 9 bilhões e R$ 11 bilhões em 15 anos.
Investir nessa escala só se justifica se o telespectador continuar encontrando a TV aberta com facilidade no aparelho.
| PANORAMA E REGULAMENTAÇÃO DA IMPLANTAÇÃO DA TV 3.0 | ||
|---|---|---|
| FRENTE | SITUAÇÃO | STATUS |
| Botão nos aparelhos de TV 3.0 | Já previsto em decreto de agosto de 2025 | REGULAMENTADO |
| Botão em todos os controles remotos | Em articulação pelas emissoras | EM NEGOCIAÇÃO |
| Prazo de implantação da TV 3.0 | Até 15 anos | CRONOGRAMA |
| Investimento estimado no setor Volume total de aportes previstos para a transição | R$ 9 bi a R$ 11 bi | DESTAQUE |
| Aporte Financeiro do Setor | Estimativa de investimentos entre R$ 9 bilhões e R$ 11 bilhões ao longo do período de implantação de até 15 anos | |
| Fonte: Ministério das Comunicações e Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital | Sujeito a alterações | ||
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.