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Vilões causam admiração ao atropelar condutas éticas

13 mar 2009 - 11h13
(atualizado às 11h45)
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Os vilões se humanizaram. Enquanto há tempos os malvados das telenovelas tiveram um comportamento maniqueísta, repleto de maldades, atualmente eles podem se tornar sedutores diante de uma ética social cada vez mais distorcida. Como, por exemplo, passar por cima de valores morais e prejudicar pessoas para conseguir dinheiro, extorquir ou chantagear para obter vantagens. E alguns deles se tornam os preferidos do público nas tramas, muitos são até perdoados.

Caso da inesquecível Bia Falcão de Fernanda Montenegro, em Belíssima, do ambicioso Antenor de Tony Ramos, em Paraíso Tropical, ou mesmo do ganancioso empresário Ramiro de Humberto Martins, em Caminho das Índias. "Essa megalomania do Ramiro o classifica como um dos doentes mentais da história. Esse poder de sedução que esses papéis têm hoje em dia merece mais atenção. Estamos vivendo num mundo estranho, onde as vilanias têm sido aceitas", analisa Humberto.

Grande parte dos personagens mais atraentes costuma ser de vilões, o que faz com que eles exerçam um fascínio quase hipnótico junto aos telespectadores. É o caso da bela Yvone de Letícia Sabatella, em Caminho das Índias. A personagem se aproximou de Raul, de Alexandre Borges, e traiu sua amiga de infância Silvia, mulher do personagem, vivida por Débora Bloch, por puro interesse. "Ela é materialista, competitiva, busca o poder", ressalta Letícia.

Outro forma de humanizar os vilões tem sido justificar a maldade através da busca pela sobrevivência, como acontece com o personagem Nando, de Ângelo Paes Leme, no seriado A Lei e o Crime.

A história de Marcílio Moraes suaviza o assassinato do sogro que Nando cometeu num rompante por ter sido humilhado por ele. Além disso, glorifica o papel de grande chefão do morro em cenas tão críveis como as estampadas em manchetes de jornais, onde os foras-da-lei são muitas vezes vistos como heróis.

"Não é uma característica especial de vilania ou heroísmo. São personagens complexos, que erram e acertam, fazem coisas boas e más", defende Ângelo.

"A novela espelha o mundo de hoje, que está mais flexível, mais compreensivo", argumenta o autor Walcyr Carrasco, que criou a divertida vilã Jezebel, de Elizabeth Savalla em Chocolate Com Pimenta. "O público a adorava", lembra Walcyr.

Mas normalmente são os malvados mais ricos e poderosos que costumam despertar maior admiração. Foi o caso da altiva e cruel Bia Falcão, de Fernanda Montenegro, em Belíssima. "A maldade tem um certo encanto e faz com que o espectador, que nem sempre é certinho, algumas vezes se identifique com o horror", avalia Fernanda. O mesmo ocorreu com o bem-sucedido Marconi Ferraço em Duas Caras.

Humanizado ao longo da história através de seu envolvimento com o filho, o comportamento cada vez mais dúbio do personagem de Dalton Vigh chamou a atenção através da redenção de sua vilania na trama. A ponto de terminar a novela casando com a mocinha que ele abandonou no início da história, depois de roubar todos os seus bens.

"Esses personagens nos fornecem instrumentos mais prazerosos no trabalho, como os desvios de comportamento e os problemas psicológicos. São sempre mais gostosos e fáceis que o herói romântico", compara Dalton.

"Sem dúvida, os vilões que têm poder são mais sedutores. Hoje em dia, podemos brincar, fazer desses personagens pessoas engraçadas, simpáticas e cada vez mais humanizadas. O maniqueísmo ganhou tons e subtons", ressalta o autor Tiago Santiago.

Tom de brincadeira

Muitas das cenas mais divertidas das novelas são protagonizadas por vilões. Nem sempre atrozes, mas sempre espirituosos, alguns malvados são mais animados que os personagens dos núcleos cômicos. É o caso de Violeta, por exemplo, de Vera Holtz em Três Irmãs.

A princípio inspirada na personagem Cruela Cruel, do longa de animação 101 Dálmatas, e agora transformada numa espécie de Evita Perón tupiniquim, a perversa faz parte do rol de vilões bem-humorados que se distanciam da verossimilhança dos demais, quase humanizados.

Estrategista e até lúdico, o papel de Vera é típico dos folhetins mais juvenis e se assemelha às antigas vilãs de contos-de-fadas. "Ela é quase um parque de diversões. Me sinto numa história em quadrinhos", diverte-se Vera.

Quanto mais se aproxima do universo infantil, mais os vilões estereotipados conquistam popularidade. Foi o caso de Tuca Andrada na pele do cruel Éric em Os Mutantes, por exemplo.

O personagem iniciou a trama de Tiago Santiago com apetite sádico para devorar criancinhas e acabou virando ídolo do público infantil. "Foi o papel de maior popularidade da minha carreira. Até hoje sou assediado por ele. O humor negro o aproximava das pessoas", lembra.

Instantâneas

# Segundo Manoel Carlos, um de seus vilões mais sedutores foi o Marcos, interpretado por Dan Stulbach, em Mulheres Apaixonadas. Na trama, recém-reprisada na Globo, Maneco fez questão que ele fosse sofisticado, charmoso e atraente.

# Uma vilã humanizada foi a infeliz Marta, interpretada por Lilian Cabral em Páginas da Vida. Amargurada por não ter a vida economicamente bem-sucedida da irmã, a personagem também foi rejeitada pelo pai na infância. "As pessoas ficavam indignadas com ela, como ela tratava o neto, mas não a odiavam", recorda Marcos Caruso, que interpretou Alex, marido de Marta na história de Manoel Carlos.

# Na pele do ganancioso Olavo, em Paraíso Tropical, Wagner Moura interpretou um vilão que mostrava um lado sutilmente humanizado ao se apaixonar pela garota de programa Bebel, de Camila Pitanga.

# "Vale tudo por amor". Essa era a justificativa da vilã Bárbara, de Giovanna Antonelli, em Da Cor do Pecado. Com louros cabelos curtos, a personagem infernizava a vida de Paco, de Reynaldo Gianecchini. "Foi a personagem que mais amei fazer", assume Giovanna.

letícia sabatella, posada, 301x401, 89x67, 195x146
letícia sabatella, posada, 301x401, 89x67, 195x146
Foto: TV Globo / Divulgação
Fonte: TV Press
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