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Tammy Di Calafiori fala de sua personagem, Fani, em 'Orgulho e Paixão'

Atriz também fala sobre trabalho voluntário e como recarrega suas energias

26 ago 2018 - 06h12
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Parece que o tempo realmente não passou para Tammy Di Calafiori. A atriz, que surgiu na telinha da tevê em 2005, na novela Alma Gêmea, era ainda bem novinha, mas visualmente não mudou tanto de lá para cá. Ela participou de outras novelas e fez também alguns trabalhos no cinema, como Meu Nome Não É Johnny. Além desses trabalhos, Tammy arruma tempo para praticar esportes radicais como o paraquedismo, relaxar com sua ioga e ainda fazer serviço voluntário.

Atualmente ela está na novela de época Orgulho e Paixão, de Marcos Bernstein, sucesso do horário das 18h, da Globo, que tem inspiração na obra de Jane Austen. Na trama, Tammy vive a governanta Fani Pricelli, uma mulher amargurada e vingativa, que por um bom tempo deixou o público transtornado com sua crueldade, mas que agora segue um novo rumo.

Após aprontar muitas maldades, a rancorosa Fani passará por uma mudança significativa, que explica o real motivo para ela ser essa mulher sombria e cheia de mistério. Eis que é revelado que sua personalidade distorcida vem de um amor mal resolvido. E foi exatamente seu reencontro com Edmundo Tibúrcio, interpretado por Nando Rodrigues, que a fez rever a vida e modificar seu modo de encarar o mundo.

Você se inspirou em alguém ou algum personagem em especial para compor a sua Fani?

A Fani tem como inspiração o romance Mansfield Park. Também bebi nas fontes dos filmes Casa dos Espíritos, Vestígios do Dia, Albert Nobbis e O Piano para compor a personagem. Além disso, estudei muito sobre o universo de Jane Austen. Eu já havia lido a obra Orgulho e Preconceito, mas com a novela tive a chance de me aprofundar mais e entender os meandros dessa grande autora. Foi um desafio para mim, mas um sonho realizado: minha primeira vilã na televisão.

Como vê a mudança da personagem, acha possível alguém que é mau passar a ser bom?

Eu acredito no ser humano e na possibilidade de ele se reinventar e melhorar suas atitudes, seus pensamentos, seus gestos. Todos nós temos essa chance todos os dias. A Fani é um exemplo disso, ela teve um passado complicado, ligado ao abandono, a um amor interrompido, ficou amargurada dentro de si. Mas Fani teve a chance de redescobrir a vida, a felicidade das pequenas coisas, a leveza. Tudo isso veio muito em parte por conta do reencontro dela com o Edmundo e o esclarecimento dos conflitos do passado.

Qual a importância de se ter uma novela com tantas personagens femininas fortes?

Uma importância extremamente grande. Hoje, em pleno século 21, vivemos em uma sociedade ainda muito arcaica, com desigualdades dilacerantes e um machismo pungente. Trazer uma história de mulheres fortes, decididas, à frente de seu tempo, ajuda no debate e na reflexão sobre a nossa condição hoje, passados mais de 100 anos. O que mudou de lá para cá? O que permaneceu? Essencial pensarmos nisso. A novela cumpre muito seu papel social, através da teledramaturgia.

A escritora Jane Austen é uma autora de época, acha que seus temas são atuais?

Sim, com toda certeza. Jane tinha um olhar humano preciso, muito aguçado e percebia coisas que a maioria não enxergava naquela época. Muitos de seus textos conversam com a atualidade, pois infelizmente as mudanças de lá para cá foram poucas e os textos dela se mantêm fidedignos, modernos e reflexivos.

Na vida pessoal, você gosta de aventuras radicais e de ioga, são coisas que servem de base para sua vida?

Muito! São atividades que fazem bem para o meu corpo e para minha mente. Momentos que eu vivo e que estão identificados comigo. É especial, muito mais do que paixões, são combustíveis para mim.

Seus trabalhos voluntários, ao ter contato com histórias humanas, fazem bem a você? Como é lidar com essa realidade?

É enriquecedor demais. Você tem contato com realidades adversas às suas, sai da sua zona de conforto e entende mais os contextos e as histórias de vida de tantas pessoas. Deixa de lado um senso comum cristalizado e se informa, entende as circunstâncias, as mazelas sociais, reflete e tenta mudar. O voluntariado é um ato de suma importância, precisamos incentivar essa prática, as pessoas precisam ajudar outras tantas que estão em condições tão delicadas. Altruísmo e sororidade são de extrema necessidade. Colocar-se no lugar do outro, sem preconceitos e receios, ter empatia, tudo isso é fundamental.

Estadão
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