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Sucesso nos anos de 1980, 'Sassaricando' completa 25 anos

3 nov 2012
11h40
GERALDO BESSA

Silvio de Abreu foi um dos responsáveis por criar no imaginário coletivo o conceito de novela das sete: aquela mistura de leveza, comicidade anárquica e apelo popular. A façanha foi conquistada pelo êxito de tramas como Sassaricando, que no próximo dia 9 de novembro, completa 25 anos de sua estreia. "Eu escrevo pensando nos atores. E, em Sassaricando, tive a oportunidade de ter como protagonistas Paulo Autran, Irene Ravache, Tônia Carrero e Eva Wilma. Foi uma delícia criar diálogos que eu sabia que seriam bem interpretados", valoriza o autor.

Na história, livremente inspirada no longa Como Agarrar um Milionário, de 1953, Paulo Autran era Aparício Varella, um homem de 60 anos que, depois da morte da mulher - a mandona Teodora, de Jandira Martini -, decide curtir a viuvez em sua plenitude. Para isso, trata logo de se envolver amorosamente com o trio de amigas formado por Rebeca, Leonora e Penélope, personagens de Tônia, Irene e Eva, respectivamente. "Era quase final dos anos 80. Abordar um quadrado amoroso era bem ousado para a época. O Silvio conduziu a situação de um jeito bem divertido, improvisávamos muito no estúdio, com uma atuação acima do tom, quase teatral", rememora Eva Wilma.

O grande obstáculo para a plena felicidade do viúvo era sua filha, a exótica e mimada Fedora, interpretada por Cristina Pereira. Na trama, a atriz fez uma dobradinha bem sucedida com Diogo Vilela, que viveu o atrapalhado Leozinho. "Eu lembro muito das cenas hilárias com o Diogo e do figurino todo especial da personagem. Sassaricando foi um trabalho importante para solidificar minha relação com a TV", conta Cristina, que atualmente, vive a divertida Josefina de Balacobaco, da Record.

No meio da trama, além do núcleo de Fedora, outra história roubou a atenção do telespectador. Até hoje, quando se pensa em Sassaricando, uma das principais referências na cabeça do público é a voluptuosidade de Tancinha, a escandalosa personagem vivida por Cláudia Raia. "Guardo esse trabalho com carinho. Me senti nos braços do público. Ela era bem paulistana, de origem italiana, uma mulher extremamente sensual e muito barraqueira. As pessoas adoravam aquele português cheio de erros dela", diverte-se Claudia.

Tancinha tinha uma relação especial com a mãe, a corajosa Aldonza, vivida por Lolita Rodrigues, que criou sozinha a menina e seus irmãos. Era Aldonza a principal conselheira da personagem nos assuntos de amor. "Tancinha era disputadíssima", relembra Cláudia, sobre o triângulo amoroso envolvendo Apolo e Beto, de Alexandre Frota e Marcos Frota. As direção de elenco e os detalhes técnicos de Sassaricando seguiram a mesma linha de outros trabalhos assinados por Silvio de Abreu em parceria com o diretor Jorge Fernando - que, atualmente, trabalham juntos no remake de Guerra dos Sexos.

No entanto, envolvido em outras produções, Jorge Fernando não pode fazer Sassaricando e a direção ficou a cargo de Cecil Thiré, Lucas Bueno e Miguel Falabella. "Foi uma responsabilidade substituir o Jorge. Ele e Silvio já tinham uma relação profissional desenvolvida. Por sorte, estava entre amigos e com um bom texto nas mãos", analisa Cecil. O tom bem-humorado e a alegria da novela eram explicitados já na sua música de abertura: uma versão de Rita Lee e Roberto de Carvalho para a clássica marchinha de carnaval homônima, composta por Candeias Junior.

A música tema, inclusive, já estava decidida desde que a novela foi encomendada por Daniel Filho, na época, o todo-poderoso diretor artístico da Globo. "Em uma conversa, Daniel me falou que a palavra Sassaricando daria um bom título de novela. A partir daí, fiquei com a marchinha na cabeça", confidencia Silvio de Abreu.

Paulo Autran e Tônia Carrero brilharam em 'Sassaricando'
Paulo Autran e Tônia Carrero brilharam em 'Sassaricando'
Foto: Divulgação
Fonte: TV Press
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