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"Sexo e consideração": submundo carioca volta à TV em 'Mandrake'

7 nov 2012 - 17h53
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Juliana Prado
Direto de São Paulo

"No fundo todos querem a mesma coisa: amor, sexo e consideração. Se rolar um dinheiro, melhor ainda." É assim, em plena forma e mais soturno do que nunca, que o conturbado detetive Mandrake, vivido pelo ator Marcos Palmeira e autor da frase, volta às telas brasileiras no próximo sábado (10). Após cinco anos, os espectadores do canal HBO poderão matar saudade da produção que leva o nome do impagável personagem de Palmeira, exibida entre 2005 e 2007.

Mas agora o detetive Mandrake, o homem afeito ao submundo carioca e sempre "de costas" para o que chama de "burguesia nojenta", chega ao assinante da HBO com roupagem nova. A produção, em formato de telefilme, será exibida em dois capítulos, de 90 minutos cada, nos próximos dias 10 e 17 de novembro. A ideia é sondar a receptividade do público e ver o fôlego que ainda resta à produção, um grande sucesso no passado.

A apresentação do novo projeto foi feita nesta quarta-feira (7) com a presença de parte do elenco, do diretor José Henrique Fonseca e do representante da HBO latina, Luis Peraza. Não há nada firmado ainda, mas Peraza admite que, se tudo for bem nesta nova empreitada, a série pode voltar à grade do canal a cabo em médio prazo.

Nesta nova produção, cercada de expectativas, volta à cena o universo noir do detetive e do escritório de seu parceiro Leon Wexler, um canastrão vivido pelo carismático e boa praça Luiz Carlos Miéle. Mandrake vive envolvido com mulheres e os pequenos vícios do submundo carioca, mas tem que se prestar a salvar os ricos da classe alta carioca de enrascadas e golpes do mais baixo teor.

No telefilme, que teve sua primeira parte exibida à imprensa nesta quarta-feira, os personagens retornam mais maduros, como o próprio Mandrake, que passa por uma espécie de crise existencial. Outros personagens estão de volta e vividos pelos mesmos atores, como Raul (Marcelo Serrado) e bebel (Érika Mader). Também há gente nova em cena, como Carlos Alberto Riccelli e Claudia Ohana.

Na coletiva de imprensa sobre a produção, o diretor José Henrique Fonseca era só elogios à atuação de Marcos Palmeira. "Não existiria todo esse glamour e essa sedução em torno da série se não fosse o Marcos. O Mandrake é ele". O diretor reforçou o que já tinha dito em outras circunstâncias: o escritor Rubem Fonseca, seu pai, adorou a série e aprovou o Mandrake construído por Palmeira. O recluso Rubem é autor dos livros Lucia McCartney, A Grande Arte e Mandrake, a Bíblia e a Bengala, que inspiraram a montagem para TV. Sem dúvida, era a avaliação mais temida e, para além das questões de ibope e sucesso, a que mais pesa.

Espírito de guerrilha

O novo Mandrake está mais velho, mais maduro, mas não menos irritado com a hipocrisia da alta sociedade carioca. Vivendo em Copacabana, no coração da zona sul, ele transita pela noite da cidade, em busca de aventuras com prostitutas e de ajudar os mais necessitados. Não é à toa que, a certa altura do primeiro episódio do telefilme, o personagem de Mièle diz algo como: "podemos conceder ao nosso escritório título de entidade filantrópica". Ele acabara de assistir a uma reunião entre Mandrake e um cliente sem recursos, que busca ajuda do "Robin Hood de Copacabana" para resolver um problema financeiro.

Em troca e para poder manter suas próprias benfeitorias, o respeitado detetive aceita pegar causas obscuras, mas muito bem pagas, como a do empresário milionário João Birman, vivido por Riccelli. Em cena, o clima de sempre: traições, subornos, hipocrisias e suspense. Desta vez, há muito o que ser desvendado, como um assassinato inesperado. Para Marcos Palmeira, tudo na série ¿ e agora no telefilme ¿ converge para dar certo. "O Zé tinha o personagem na cabeça. Ele foi me conduzindo. Não fiquei preocupado em ser o Mandrake do Rubem Fonseca. Teve uma coisa de 'espírito de guerrilha' entre nós, tudo ajudou a dar vida ao personagem."

Palmeira já chegou a ser chamado de Mandrake nas ruas ¿ um orgulho para ele, em se tratando de um canal fechado, nada popular - e diz que tem pontos em comum com seu personagem. "Sou curioso, adoro o submundo carioca, moro em Copacabana. Mas, se eu fosse o Mandrake, eu faria terapia, sem dúvida", brincou.

Investimento sob sigilo

Enquanto a HBO faz as contas, reflete e planeja se há formas de colocar Mandrake em cena novamente, a Goritza Filmes, produtora de José Henrique Fonseca, não para de pensar no assunto. Segundo o diretor, existe um "banco de ideias" pronto para um futuro projeto de maior duração.

O diretor do canal para a América Latina faz suspense quanto aos investimentos do telefilme. "Não revelamos os valores, mas posso dizer que foi um investimento importante", se restringiu a dizer Luis Peraza. O representante da HBO no País admite que está em jogo exportar a nova produção, como aconteceu com a série, mas minimiza esse projeto. "A primeira série foi exportada com muito sucesso, mas isso é um extra, não é nosso objetivo. A ideia é levar satisfação a nós mesmos."

Mandrake estreia às 20h de sábado, quando acontece a exibição dos primeiros 90 min de telefilme. O primeiro episódio termina com um clima de suspense estrategicamente pensado para atrair o público para o sábado seguinte, dia 17, quando serão exibidos os outros 90 minutos da produção.

Foto: Fábio Martins / AgNews
Fonte: Terra
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