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Séries americanas ganham novo tratamento na tevê brasileira

3 fev 2010 - 17h49
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Arcânegla Mota
Direto do Rio

As séries Made in USA estão em alta. Se há pouco tempo, os seriados eram vistos apenas como curingas na programação - usados para cobrir buracos na grade -, hoje ganharam novo espaço e audiência. Com uma dinâmica que muitas vezes se assemelha à de uma novela, as séries receberam tratamento digno das mesmas. Pelo menos na tevê aberta, com a decisão do SBT e da Record de colocar seriados diariamente no horário nobre. Na tevê fechada também ocorreram mudanças. Com isso, séries que antes demoravam quase um ano para chegar ao Brasil passaram a ser exibidas em intervalos cada vez mais curtos. E os "enlatados" ganharam um destaque até então inédito.

A ideia de transmitir séries no mesmo ritmo de novelas começou em 2006, quando a Globo passou a exibir Lost todos os dias na madrugada, para preencher as férias do Programa do Jô. Mas, em setembro do ano passado, o SBT ousou ao criar uma faixa de seriados no horário nobre. Com Hapers's Island ¿ O Mistério da Ilha exibida diariamente no lugar do telejornal SBT Brasil, a emissora pulou dos três para os sete pontos de audiência. Os índices renderam a vice-liderança e garantiram a exibição de outras produções, como Sobrenatural, que chegou a bater 12 pontos, e Gossip Girl. Amargando o terceiro lugar, a Record recentemente decidiu contra-atacar. E a saída foi tirar CSI Las Vegas da madrugada das sextas-feiras para exibi-la diariamente, desde a primeira temporada, às 21h. "A decisão foi baseada na disponibilidade do horário com o fim de A Fazenda e em uma estratégia de programação. Queremos acostumar o público com a faixa antes do término do reality", esclarece Mafran Dutra, presidente do comitê artístico da Record.

Se, há pouco tempo o horário nobre era tradicionalmente ocupado por novelas e telejornais, a ideia agora é apostar nos fãs de séries, fatia de mercado ainda pouco explorada na tevê aberta brasileira. "Considerando que temos o direito de exibição de algumas das melhores séries do mundo, queremos dar opção ao telespectador deste horário", explica Mafran.

O que aconteceu em duas das maiores emissoras brasileiras, também se repetiu na tevê fechada. Nos canais por assinatura, a disputa pela audiência ganhou um concorrente de peso: a internet. Com a popularização da banda larga e a facilidade dos downloads, séries que demoram meses para chegar ao Brasil são disponibilizadas na rede em questão de horas. E, talvez por causa disso, os canais têm tentado diminuir os intervalos de exibição em relação aos Estados Unidos. Este ano, por exemplo, a AXN exibe a sexta e última temporada de Lost com apenas uma semana de atraso em relação aos americanos. "O canal não quer matar os fãs de ansiedade. Uma semana é o tempo ideal para a legendagem da série", afirma Stefania Granito, gerente de marketing do AXN no Brasil.

Já o Universal Channel, que exibe as séries Heroes e House no Brasil, conseguiu diminuir os intervalos de exibição para um mês este ano. Segundo Paulo Barata, diretor do canal, a redução do atraso, que antes era de três meses, foi parte de um longo processo que ainda está em andamento. "A diminuição desse espaço é uma meta a ser trabalhada continuamente. Principalmente em relação às séries que já contam com uma legião de fãs no Brasil, ávidos por acompanhar os próximos episódios", explica.

Mas nem todas as emissoras seguem esse raciocínio. A Globo, detentora dos direitos de exibição de sucessos como Lost, 24 Horas e Prison Break, reserva às séries estrangeiras apenas um lugar na madrugada durante sua programação especial de férias. Em nota, Central Globo de Comunicação explica que os programas nacionais têm prioridade na grade da emissora. "São séries de qualidade, mas que não concorrem com os programas aqui produzidos. A Globo é comprometida com a produção nacional, tanto que mais de 90% da programação do horário nobre é ocupada por programas brasileiros". Mesmo que nas madrugadas globais as séries e filmes importados sejam a maioria.

Independência na rede

A demora com que as séries estrangeiras chegam ao Brasil faz com que muitos grupos de fãs se mobilizem para encontrar alternativas. Na internet, proliferam-se equipes de internautas que traduzem, legendam e disponibilizam gratuitamente os episódios na rede horas depois de eles serem exibidos nos Estados Unidos. A maior dessas equipes, conhecida como InSUBs, existe há mais de dois anos e legenda cerca de 40 séries por ano, entre elas House, Heroes, Grey1s Anatomy e Smallville. "A demora da tevê é um importante fator que nos motiva a legendar as séries, pois algumas demoram até um ano para chegar ao Brasil", reclama o administrador da InSUBs, um universitário de 19 anos que prefere ser identificado como Guga.

Mas o trabalho dos internautas, apesar de pressionar os canais, não chega ter impacto significativo na audiência. Paulo Barata, diretor do Universal Channel, garante que a internet é uma aliada do canal, que exibe a série mais assistida da tevê por assinatura brasileira, o drama médico House. "A internet não interfere negativamente. Pelo contrário. Ela agrega conteúdo", afirma.

Instantâneas

# Nas décadas de 50 e 60, a TV Tupi exibia alguns dos seriados de maior sucesso da tevê americana, entre eles: Túnel do Tempo, Rin-Tin-Tin e Bonanza.

# Os "enlatados" americanos também faziam sucesso na Globo na década de 60. As principais produções exibidas pela emissora eram A Feiticeira, A Família Buscapé e Os Monstros.

# A legenda do quarto episódio da quinta temporada de Lost é uma das recordistas de downloads no site Legendas.tv, o portal mais popular de legendas de séries e filmes no Brasil. O episódio, que foi ao ar no dia 5 de fevereiro de 2009, registrou mais de 100 mil downloads de sua legenda em português.

# Enquanto alguns canais da tevê fechada se esforçam para diminuir o intervalo de exibição das séries, outros parecem não ter muita pressa. É o caso do Sony, que só estreia em fevereiro as novas temporadas de Desperate Housewives e Grey's Anatomy, que começaram em setembro nos Estados Unidos. A assessoria do canal alega que o objetivo é exibir as séries sem pausas.

ilustração séries americanas
ilustração séries americanas
Foto: Reprodução
Fonte: TV Press
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