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Record TV demite diretor da Record News após revista revelar denúncia de assédio sexual

Advogado do ex-diretor disse ao 'Estadão' que o inquérito policial está arquivado e que não pode comentar mais por segredo de Justiça. Rhiza Castro, que fez a denúncia divulgada pela 'Piauí', não retornou as tentativas de contato

1 dez 2023 - 19h26
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A Record TV confirmou ao Estadão nesta sexta-feira, 1º, que demitiu o diretor da Record News, Thiago Feitosa. A decisão da emissora ocorreu uma semana após uma reportagem da revista Piauí revelar que o jornalista foi alvo de uma denúncia de assédio sexual feito pela apresentadora Rhiza Castro.

O advogado de Feitosa disse ao Estadão que o inquérito policial está arquivado e que não pode dar mais informações por causa de segredo de Justiça (leia íntegra abaixo). A jornalista não retornou as tentativas de contato. A emissora também não se pronunciou além de confirmar a demissão.

Conforme a revista Piauí, Feitosa convidou Rhiza para ser apresentadora do Record News, o canal de notícias da Record TV, quando ela trabalhava como em uma filial do SBT em Belo Horizonte. Ao se mudar para São Paulo em janeiro de 2022, a jornalista passou a comandar os programas Hora News e o Esporte Record News.

Ainda segundo a reportagem, Rhiza teria começado a receber mensagens de Feitosa, porém nenhuma delas seria de cunho profissional. O diretor da Record News elogiava sua aparência, perguntava quando ela estaria sozinha em casa e a convidava para sair. Feitosa, segundo a denúcnia, teria mudado a estação de trabalho de Rhiza para ficar mais próximo dela. O ex-diretor enviava à jornalista, segundo ela, fotos do rosto e do busto dela que fazia durante o trabalho. Ela não respondeu aos convites para sair com ele.

Nove meses após sua estreia na Record, Rhiza foi informada ao vivo de que seria retirada do ar. A apresentadora afirma na denúncia que desenvolveu bruxismo, síndrome do pânico e insônia. Ela decidiu acusar Feitosa formalmente e processar a emissora por assédio moral e sexual, em um caso ainda sem decisão na Justiça.

Além disso, Rhiza abriu uma denúncia de assédio, que virou inquérito contra Feitosa. O ex-diretor teria conseguido, segundo a Piauí, um acordo com o Ministério Público para arquivar o caso através de uma "transação penal" - quando o acusado paga pena antecipada de multa para o processo ser arquivado.

Ainda conforme a revista Piauí, o ex-diretor da Record News teria pagado 26 mil reais para o arquivamento do caso na multa da transição penal.

"Como correu em segredo de Justiça, qualquer manifestação específica é vedada por lei", afirmou Flavio Goldberg, advogado do ex-diretor de jornalismo ao Estadão. "O titular da ação penal, que é o Ministério Público, ofereceu o arquivamento, que foi acatado em juízo". O Estadão entrou em contato com o órgão para entender a situação e o que motivou o arquivamento do caso, mas ainda não teve retorno. O espaço segue aberto.

Ao Estadão, a equipe de Thiago Feitosa enviou uma nota sobre o arquivamento do processo. "O inquérito policial está arquivado sem qualquer tipo de condenação ou culpa e correu em segredo de justiça, qualquer manifestação contraria a essa é criminosa", disse Flavio Goldberg.

O Estadão também tentou contato com a equipe jurídica de Rhiza Castro para entender melhor o posicionamento dela sobre o processo revelado pela revista, mas não teve retorno até o momento desta publicação. O espaço segue aberto.

Estadão
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